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Reconhecimento da Palestina e condenação do apartheid de Israel são logros dos últimos anos

Secretário geral da Federação Árabe Palestina do Brasil, Emir Mourad destaca papel de Lula na luta pela paz e por uma nova ordem mundial

Escrito por: Leonardo Severo, de São Bernardo • Publicado em: 18/07/2013 - 00:03 Escrito por: Leonardo Severo, de São Bernardo Publicado em: 18/07/2013 - 00:03

Carlos de Oliveira, Paulo Farah, Emir Mourad e Salem NasserCarlos de Oliveira, Paulo Farah, Emir Mourad e Salem NasserA mesa de debate sobre o Oriente Médio da “Conferência Nacional 2003-2013 Uma nova Política Externa” destacou o protagonismo da diplomacia brasileira nestes dez anos em torno a uma “cultura de diálogo e de paz” na região, ecoando uma sonora condenação à política de apartheid movida por Israel contra o povo palestino. Ao mesmo tempo, foi denunciado o papel alienante e manipulador dos conglomerados de comunicação que, atrelados ideológica e financeiramente aos Estados Unidos, identificam as vítimas como agressores com o intuito de justificar a presença militar e o assalto às imensas riquezas petrolíferas da região.

Coordenado por Paulo Farah, diretor da Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes (Bibliaspa), o debate teve lugar na Universidade Federal do ABC, nesta quarta-feira à tarde, reunindo o secretário geral da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL), Emir Mourad; o chefe da Divisão Oriente Médio do Itamaraty, Carlos Oliveira, e o professorde Direito Internacional da Escola de Direito de São Paulo (FGV), Salem Nasser.

Mourad assinalou o protagonismo desempenhado pelo ex-presidente Lula, que reconheceu o Estado Palestino e “fez uma severa crítica ao muro do apartheid”. “São mais de 700 quilômetros de um muro que cerca, divide e rouba terras árabes. O atual estado palestino corresponde a apenas 22% do território original e Israel insiste em manter a divisão em cantões, em bantustões, como no regime de segregação racial da África do Sul”, condenou Emir, denunciando que Israel não pode continuar como um Estado acima da lei.

“Eventos como esse ampliam a denúncia e a pressão para que o governo israelense dialogue com base no direito internacional, para que se chegue a uma paz justa e duradoura”, disse o dirigente da Fepal, saudando a iniciativa de unir estudiosos das relações internacionais, movimentos sociais e governo para debater um tema tão relevante quanto invisibilizado.

O dirigente da Fepal rechaçou “o absurdo reducionismo e a mitologia negativa com que a grande mídia apresenta o povo árabe, e especialmente o povo palestino, como bárbaro e terrorista”. Diferente desta compreensão, esclareceu, “o que estamos afirmando aqui é a política da multilateralidade, do diálogo, do respeito à soberania, à cultura, à tolerância com o diferente”.

Emir Mourad lembrou que o idioma português conta com mais de três mil palavras de origem árabe, citando várias delas cuja primeira sílaba é “al”: como alecrim, almoxarifado e algodão. “São precedentes da presença árabe em Portugal, que colonizou o Brasil”, recordou, frisando que a própria navegação pelo Atlântico até as nossas costas só foi possível por um invento árabe: o astrolábio.

CONTRA A DESINFORMAÇÃO E O PRECONCEITO

Nos últimos dez anos, destacou o diplomata Carlos Oliveira, além de haver uma estruturação do relacionamento com os países árabes, foram estreitados os vínculos com um arcabouço jurídico apropriado para assegurar a sua continuidade. Para dar esses passos, o representante do Ministério das Relações Exteriores lembrou que foi preciso enfrentar uma enorme carga de desinformação e preconceito. “Havia perguntas do tipo ‘O que o Brasil está fazendo no Oriente Médio?’ Como se a matriz árabe não fosse uma das grandes matrizes da nossa formação, uma visão falsa de que não temos nada com a região”, explicou.

Oliveira lembrou que foi no Iraque – no período anterior à invasão estadunidense – “onde as nossas empresas aprenderam a exportar serviços, com a atuação das grandes construtoras”, e que a aproximação brasileira com a região abriu um processo exponencial, de relações duradouras, altamente frutífero para o conjunto dos nossos países. “Nós atuamos respeitando as características culturais de cada povo, não interferindo, não impondo venda de armas, sem jogar um contra o outro para especular com o seu petróleo”, declarou o diplomata, frisando que a concepção do Itamaraty “não é a de doutrinar nem catequisar”, mas de partilhar experiências. “É assim que superamos diversos obstáculos”.

Professor de Direito Internacional da Escola de Direito de São Paulo (FGV), Salem Nasser defendeu a necessidade de que a justiça tenha um papel central nas relações entre os países, condenando o fato de milhões de palestinos continuarem sendo vítimas da ocupação ilegal de seu território. “Ter uma política externa progressista e de esquerda significa apoiar a causa palestina”, afirmou Salem. Na sua avaliação, “se houvesse uma liga do futebol das relações internacionais, estaria no Oriente Médio o grande jogo”.

Paulo Farah enfatizou a relevância de Lula como presidente do Brasil, “que é a maior comunidade árabe fora dos países árabes”, ter feito uma gira pela região - que só havia sido visitada por Dom Pedro II. A promoção do multilateralismo, com vistas à intensificação de relações diplomáticas e econômicas consistentes, acredita, deve ser nossa prioridade.

Ao encerrar os trabalhos, o coordenador da mesa exortou a todos os presentes que “acreditam na educação como poder de transformação”, a se dedicarem ao “combate à discriminação”, lutando para que a política externa brasileira continue “ativa e altiva” na construção de relações internacionais justas, essenciais para a consolidação de nações soberanas.

Título: Reconhecimento da Palestina e condenação do apartheid de Israel são logros dos últimos anos, Conteúdo: A mesa de debate sobre o Oriente Médio da “Conferência Nacional 2003-2013 Uma nova Política Externa” destacou o protagonismo da diplomacia brasileira nestes dez anos em torno a uma “cultura de diálogo e de paz” na região, ecoando uma sonora condenação à política de apartheid movida por Israel contra o povo palestino. Ao mesmo tempo, foi denunciado o papel alienante e manipulador dos conglomerados de comunicação que, atrelados ideológica e financeiramente aos Estados Unidos, identificam as vítimas como agressores com o intuito de justificar a presença militar e o assalto às imensas riquezas petrolíferas da região. Coordenado por Paulo Farah, diretor da Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes (Bibliaspa), o debate teve lugar na Universidade Federal do ABC, nesta quarta-feira à tarde, reunindo o secretário geral da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL), Emir Mourad; o chefe da Divisão Oriente Médio do Itamaraty, Carlos Oliveira, e o professorde Direito Internacional da Escola de Direito de São Paulo (FGV), Salem Nasser. Mourad assinalou o protagonismo desempenhado pelo ex-presidente Lula, que reconheceu o Estado Palestino e “fez uma severa crítica ao muro do apartheid”. “São mais de 700 quilômetros de um muro que cerca, divide e rouba terras árabes. O atual estado palestino corresponde a apenas 22% do território original e Israel insiste em manter a divisão em cantões, em bantustões, como no regime de segregação racial da África do Sul”, condenou Emir, denunciando que Israel não pode continuar como um Estado acima da lei. “Eventos como esse ampliam a denúncia e a pressão para que o governo israelense dialogue com base no direito internacional, para que se chegue a uma paz justa e duradoura”, disse o dirigente da Fepal, saudando a iniciativa de unir estudiosos das relações internacionais, movimentos sociais e governo para debater um tema tão relevante quanto invisibilizado. O dirigente da Fepal rechaçou “o absurdo reducionismo e a mitologia negativa com que a grande mídia apresenta o povo árabe, e especialmente o povo palestino, como bárbaro e terrorista”. Diferente desta compreensão, esclareceu, “o que estamos afirmando aqui é a política da multilateralidade, do diálogo, do respeito à soberania, à cultura, à tolerância com o diferente”. Emir Mourad lembrou que o idioma português conta com mais de três mil palavras de origem árabe, citando várias delas cuja primeira sílaba é “al”: como alecrim, almoxarifado e algodão. “São precedentes da presença árabe em Portugal, que colonizou o Brasil”, recordou, frisando que a própria navegação pelo Atlântico até as nossas costas só foi possível por um invento árabe: o astrolábio. CONTRA A DESINFORMAÇÃO E O PRECONCEITO Nos últimos dez anos, destacou o diplomata Carlos Oliveira, além de haver uma estruturação do relacionamento com os países árabes, foram estreitados os vínculos com um arcabouço jurídico apropriado para assegurar a sua continuidade. Para dar esses passos, o representante do Ministério das Relações Exteriores lembrou que foi preciso enfrentar uma enorme carga de desinformação e preconceito. “Havia perguntas do tipo ‘O que o Brasil está fazendo no Oriente Médio?’ Como se a matriz árabe não fosse uma das grandes matrizes da nossa formação, uma visão falsa de que não temos nada com a região”, explicou. Oliveira lembrou que foi no Iraque – no período anterior à invasão estadunidense – “onde as nossas empresas aprenderam a exportar serviços, com a atuação das grandes construtoras”, e que a aproximação brasileira com a região abriu um processo exponencial, de relações duradouras, altamente frutífero para o conjunto dos nossos países. “Nós atuamos respeitando as características culturais de cada povo, não interferindo, não impondo venda de armas, sem jogar um contra o outro para especular com o seu petróleo”, declarou o diplomata, frisando que a concepção do Itamaraty “não é a de doutrinar nem catequisar”, mas de partilhar experiências. “É assim que superamos diversos obstáculos”. Professor de Direito Internacional da Escola de Direito de São Paulo (FGV), Salem Nasser defendeu a necessidade de que a justiça tenha um papel central nas relações entre os países, condenando o fato de milhões de palestinos continuarem sendo vítimas da ocupação ilegal de seu território. “Ter uma política externa progressista e de esquerda significa apoiar a causa palestina”, afirmou Salem. Na sua avaliação, “se houvesse uma liga do futebol das relações internacionais, estaria no Oriente Médio o grande jogo”. Paulo Farah enfatizou a relevância de Lula como presidente do Brasil, “que é a maior comunidade árabe fora dos países árabes”, ter feito uma gira pela região - que só havia sido visitada por Dom Pedro II. A promoção do multilateralismo, com vistas à intensificação de relações diplomáticas e econômicas consistentes, acredita, deve ser nossa prioridade. Ao encerrar os trabalhos, o coordenador da mesa exortou a todos os presentes que “acreditam na educação como poder de transformação”, a se dedicarem ao “combate à discriminação”, lutando para que a política externa brasileira continue “ativa e altiva” na construção de relações internacionais justas, essenciais para a consolidação de nações soberanas.



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