Maioria dos brasileiros quer o fim da escala 6x1, confirma pesquisa Quaest
Programas do governo federal como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais e o Desenrola também são aprovados pela população
Publicado: 16 Julho, 2026 - 13h06 | Última modificação: 16 Julho, 2026 - 13h29
Escrito por: Redação CUT | Editado por: Rosely Rocha
A luta da CUT, das demais centrais sindicais e de movimentos sociais como o Vida Além do Trabalho (VAT), entre outros, que reivindicam o fim da escala 6x1, redução de jornada das atuais 44h para 40 horas semanais e sem redução salarial, tem o apoio de 69% dos brasileiros e brasileiras, de acordo com a pesquisa do Instituto Quaest divulgada nessa quarta-feira (15). Outros 22% são contrários, 4% não têm opinião formada e 5% não souberam ou não quiseram responder.
Os dados sobre como as pessoas utilizariam um dia a mais de folga confirmam o que defendem economistas e estudiosos do mundo do trabalho: as pessoas querem maior tempo com a família, descansar, viajar e estudar, o que certamente fará a economia girar e crescer, ao contrário dos que veem um dia a mais de descanso como um desastre econômico que levaria o país a uma crise sem precedentes. Argumentos contrários foram utilizados há décadas quando os trabalhadores e as trabalhadoras passaram a ter direito ao 13º salário e férias remuneradas.
Outra crítica desmentida pela pesquisa é a de que com o fim da escala 6x1 o percentual de pessoas que procuraria fazer “bicos” no dia de folga para complementar a renda seria gigantesco. O resultado foi de apenas 13%.
OS dados da pesquisam mostram que:
53% descansariam ou passariam mais tempo com a família;
13% procurariam outro trabalho ou fariam horas extras para aumentar a renda;
12% usariam o tempo para estudar ou fazer cursos;
9% iriam à igreja ou participariam de cerimônias religiosas;
6% passeariam ou frequentariam bares, restaurantes e festas;
4% viajariam;
3% não souberam responder.
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Apesar do amplo apoio ao fim da escala, a população está dividida sobre o efeito real da mudança: 50% acreditam que passariam a trabalhar menos horas, enquanto 45% acham que isso não ocorreria. Outros 5% não responderam. Por isso é importante que a proposta a ser aprovada pelo fim da escala 6x1 seja acompanhada pela redução de horas trabalhadas durante a semana e sem redução salarial.
A pesquisa mostra ainda que 75% já conheciam ou tinham ouvido falar da proposta de acabar com a escala 6x1, enquanto 25% disseram não conhecê-la.
Embora haja um imenso apoio da população brasileira ao fim da escala 6x1, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221 sobre o tema continua parada no Senado Federal porque o presidente da Casa ainda não colocou em votação no plenário da Casa, embora a proposta tenha sido aprovada na Câmara dos Deputados por imensa maioria com apoio do governo Lula.
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Quaest x Datafolha
A pesquisa Datafolha de março deste ano apresentou um apoio de 71% da população pelo fim da escala 6x1, mas a diferença entre os resultados não significa que a opinião dos brasileiros tenha mudado. Do ponto de vista estatístico, 71% no Datafolha e 69% na Quaest são resultados compatíveis entre si, principalmente porque ambos estão dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Com essa margem de erro os resultados podem ser interpretados da seguinte forma:
Datafolha: 71% ficando entre 69% e 73%.
Quaest: 69% ficando entre 67% e 71%.
Isenção do Imposto de Renda
Mais uma vitória da classe trabalhadora foi a aprovação da isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para quem ganha até R$ 5 mil mensais. Essa promessa do presidente Lula durante a sua campanha eleitoral em 2022, foi cumprida em 2025. Segunda pesquisa Quaest, trinta e dois por cento disseram que foram beneficiados, enquanto 65% afirmaram que não foram alcançados pela medida. Outros 3% não souberam ou não quiseram responder.
Entre as pessoas que disseram ter recebido a isenção:
24% afirmaram que a renda aumentou significativamente;
35% disseram que a renda aumentou, mas não muito;
39% não sentiram diferença;
2% não souberam responder.
O percentual de beneficiados subiu de 30%, em fevereiro, para 32%, em julho. A parcela que declarou não ter sido beneficiada caiu de 67% para 65% no mesmo período. Em fevereiro, somente 15% dos beneficiados declaravam ter sentido aumento significativo da renda. Em julho, esse percentual chegou a 24%. A parcela que não sentiu diferença caiu de 50% para 39%.
Desenrola 2.0
O levantamento da Quaest ouviu a opinião dos brasileiros também sobre o Desenrola 2.0, programa voltado à renegociação de dívidas de famílias com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e a isenção do imposto de renda de quem ganha até R$ 5 mil mensais, ambos projetos do governo Lula.
Para 55%, o programa é uma boa ideia. Outros 20% disseram que é uma medida que ajuda um pouco, 21% consideraram o programa uma má ideia e 4% não souberam responder.
Entre os entrevistados que disseram ter sido atendidos pelo programa:
30% afirmaram que a renda aumentou significativamente;
41% disseram que a renda aumentou, mas não muito;
29% não sentiram diferença.
Na pergunta sobre o efeito do programa sobre as dívidas, 27% disseram estar com muitas dívidas, 26% com poucas, 20% afirmaram não ter dívidas e 27% declararam que as dívidas já estavam quitadas. Esses percentuais referem-se somente ao grupo que afirmou ter sido beneficiado pelo Desenrola.
Apesar da avaliação positiva, o alcance direto ainda aparece como limitado: 12% afirmaram que o Desenrola 2.0 beneficiou a própria família, enquanto 87% disseram que não foram beneficiados e 1% não respondeu.
A mostra revela ainda que 66% dos entrevistados já tinham ouvido falar do Desenrola 2.0 e outros 34% não conheciam a iniciativa.


