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Lula: Meu maior prazer seria sair daqui e o Moro entrar. Ele e o Dallagnol

Eu quero sair daqui com 100% da minha inocência. Só quero um julgamento justo. Não sou pombo, coloque neles a tornozeleira, disse Lula em entrevista à TV 247

Publicado: 23 Agosto, 2019 - 11h19

Escrito por: Redação CUT

Felipe Gonçalves /TV247
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Bem-disposto e afiado, apesar da prisão política e injusta que completou 500 dias e de todas as perdas acumuladas neste período, o ex-presidente Lula deu uma entrevista aos jornalistas Mauro Lopes, Paulo Moreira Leite e Pepe Escobar, da TV 247, nesta quinta-feira (23), e falou sobre a Operação Lava Jato, a destruição da Amazônia, a falta de decoro de Jair Bolsonaro e o papel dos Estados Unidos no golpe de 2016.

Lula está indignado com a sua condição de preso político, mas deixou claro que dorme tranquilo, ao contrário de seus algozes que, depois da série de reportagens conhecida como Vaza Jato publicadas pelo The Intercept e parceiros, como Folha, UOL e El País, mostrando o conluio ilegal entre o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol para prendê-lo e impedir que fosse eleito presidente, precisam de medicamentos para dormir, como reconheceu o chefe da força tarefa esta semana.

"O Moro tem insônia porque ele sabe que mentiu. E agora está fazendo papel de palhaço", afirmou, antes mesmo de saber que Dallgnol, desmoralizado pela Vaza Jato, só tem conseguido dormir à base de remédios.

Perguntado sobre a possibilidade do ir para o regime de prisão domiciliar ou se manteria a posição crítica como já manifestou, Lula respondeu indignado: “Eu já disse que quero casar, tenho namorada. Mas dignidade, caráter você não compra. Isso você adquire na sua formação”, declarou lembrando da educação que recebeu da mãe e que proporcionou que ele pudesse “andar sempre de cabeça erguida”.

Eu quero sair daqui com 100% da minha inocência. Só quero um julgamento justo. Não sou pombo, coloque neles a tornozeleira. Meu maior prazer seria sair daqui e o Moro entrar. Ele e o Dallagnol
- Lula

Defesa da soberania

Lula também falou da organização da luta política e disse que a defesa da soberania nacional ante os ataques e privatizações do governo Bolsonaro, que esta semana anunciou a venda ou extinção de 17 estatais, é o instrumento capaz de unificar a esquerda no país para disputar as próximas eleições presidenciais.

“Vai unificar se construir um instrumento de unificação, um programa em defesa da soberania nacional, de interesses soberanos e de uma nação soberana, voltada para os direitos fundamentais”, afirmou, com a ideia da elaboração de programa para ser apresentado à sociedade.

A ameaça de privatização da Petrobras pelo governo é um dos mais graves gestos de afronta à soberania do país, afirma o ex-presidente na entrevista. Ele lamentou que exista até mesmo o interesse em destruir a Lei de Partilha e lembrou que o petróleo representa a perspectiva de futuro para reduzir as desigualdades no país.

Meio ambiente

Logo no começo da entrevista, Lula atacou a postura de Bolsonaro em relação às queimadas na Amazônia, que têm sido denunciadas pela imprensa no país e no mundo. Disse que é fácil saber quem está colocando fogo, por meio das fotografias de satélites, que permitem identificar proprietários de terra.

Mais adiante, ironizou a comparação que tem sido feita pela imprensa corporativa entre ele e Bolsonaro, como fez o Jornal Nacional, e enfatizou que a sociedade não deve aceitar o discurso de Bolsonaro de que são as ONGs que estão colocando fogo na floresta. “Quem toca fogo são os empresários, os eleitores dele”.

 

Ao final, ao ser perguntado sobre qual a primeira coisa que vai fazer ao sair livre, Lula disse que quer visitar a vigília em frente à sede da Polícia Federal do Paraná, onde está preso, para agradecer o apoio da militância. “Primeira coisa que eu vou fazer é ir na vigília dar um beijo em cada pessoa, fazer os meus agradecimentos e tomar uma boa de uma cachacinha”, afirmou sorrindo.

A Vigília Lula Livre funciona nas proximidades da sede da Superintendência de Polícia Federal desde o dia 7 de abril de 2018, quando Lula foi preso. Os militantes dão ‘bom dia, ‘boa tarde’ e ‘boa noite’ ao presidente Lula todos os dias para mostrar solidariedade, gratidão e3 deixar claro que ele não está nem ficará sozinho.

Assista à íntegra da entrevista de Lula ao 247