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Incêndios na Amazônia disparam e Bolsonaro culpa ONGs

Desmatamento na Amazônia cresceu 70% no governo Bolsonaro. Para secretário do meio ambiente da CUT, Daniel Gaio, governo e agronegócio tentam se isentar de culpa para expandir negócios

Publicado: 23 Agosto, 2019 - 09h08

Escrito por: Rosely Rocha

Alex Capuano/CUT
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O ditado popular “tapar o sol com a peneira” cai como uma luva para Jair Bolsonaro (PSL/RJ) que tenta colocar a culpa do aumento recorde de desmatamento e incêndios na Amazônia, neste ano, nas entidades que lutam pela preservação da floresta.

O próprio Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão do governo federal apontou uma alta de 278% nos cortes de árvores em julho deste ano. Segundo o Greenpeace Brasil somente nos últimos meses mais de 1 bilhão de árvores foram tombadas na Amazônia ( considerando 1.500 árvores por hectare)

Já os focos de queimadas aumentaram em 70%, desde janeiro até o dia 18 de agosto deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado. Do total de 66,9 mil pontos de incêndio registrados no país, 51,9% dos casos são na Amazônia.  Este é o maior índice desde 2013, quando os dados começaram a ser apurados pelo INPE.

“Os primeiros impactados são as comunidades dos trabalhadores que vêm sofrendo com problemas de saúde causados pelas queimadas e pela redução de biodiversidade”, denuncia o secretário do meio ambiente da CUT, Daniel Gaio.

De acordo ele, a CUT se posiciona claramente contra a agenda desse governo de reduzir a fiscalização, promover e incentivar o desmatamento na Amazônia. 

“A CUT também se posiciona contra essa parcela do agronegócio que para não perder as benesses que tem da balança comercial brasileira quer culpar os produtores da agricultura familiar e assentados pelo desmatamento. Os grandes responsáveis são o próprio governo que retira a fiscalização e o agronegócio que por debaixo dos panos faz um discurso, mas que incentiva e aumenta a área devastada da Amazônia”, diz.

Para ele, as declarações de Bolsonaro para culpar os pequenos produtores de agricultura familiar, as Organizações não Governamentais (ONGs), os índios e os assentados do Movimento do Sem Terra (MST) nada mais é do que produção de fake news e uma tentativa de encobrir suas reais intenções.

“É uma das coisas mais absurdas que este governo já fez. O que existe na verdade é uma tentativa orquestrada dentro do governo em parceria com o agronegócio de impedir que os dados corretos sobre o avanço da fronteira agrícola em detrimento do meio ambiente cheguem ao conhecimento do mundo”, afirma Gaio, se referindo também à tentativa de desmoralizar o INPE, que culminou na demissão do ex-presidente do órgão, o físico Ricardo Galvão.

Estratégia do agronegócio  

Segundo Gaio, para continuar atuando no mercado mundial, o agronegócio se mantém a frente da agenda ambiental do país, desde o golpe de 2016, para capitalizar em cima do “selo” de que o Brasil reduziu o desmatamento - os índices de desmatamento na região amazônica tiveram redução de 72%. De 27.700 km² em 2004 caiu para 7.500 km², em 2018 (dois primeiros anos do governo Lula e o primeiro da ex-presidenta Dilma Rousseff ).

A queda à época,foi atribuída, principalmente, ao aumento da fiscalização e repressão, possibilitado pela melhora do monitoramento por satélites, além de demarcações de terras indígenas

Embora Bolsonaro tente dificultar o acesso aos dados oficiais, o Greenpeace Brasil calcula em 30% a redução das operações de combate ao desmatamento pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) neste ano e queda de 65% na aplicação de multas.

Além disso, os ataques do governo ao Fundo Amazônia, de proteção ambiental, já resultou no bloqueio de R$ 288 milhões em doações da Noruega e da Alemanha.

“Para nós é muito claro que o agronegócio legal e o ilegal querem continuar desmatando, com o atual governo os protegendo da forma como está, mas tentando maquiar os dados para o mundo. Eles também acusam a extração de madeira e a agricultura familiar como causadoras dos incêndios e desmatamento, mas, na verdade, são eles que derrubam árvores para plantarem soja e criarem gado”.

Gaio conta que o pano de fundo dessa articulação é para atingir a Conferência Mundial do Clima agendada para o próximo mês de dezembro, em Santiago, Chile.

“É uma agenda deste governo de extrema direita que quer, nos espaços internacionais que se organizam, dar voz aos governos ultra liberais como os Estados Unidos, de Donald Trump e sabotar a conferência, já que os acordos internacionais impediram que Bolsonaro retirasse o Brasil da conferência do clima”.

“O que atrapalha esse plano são as declarações estapafúrdias de Bolsonaro”.