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Em SP, CUT e centrais denunciam pacotes de maldades de Bolsonaro/Guedes

Sindicalistas dialogaram com a população e panfletaram em frente ao Teatro Municipal sobre medidas que acabam com direitos do trabalhador e que não geram trabalho e renda

Publicado: 13 Novembro, 2019 - 16h49 | Última modificação: 13 Novembro, 2019 - 17h09

Escrito por: Érica Aragão

Roberto Parizotti (Sapão)
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Sindicalistas da CUT e demais centrais – CTB, Força Sindical, Nova Central, Intersindical e CSP-Conlutas – foram ao centro de São Paulo, nesta quarta-feira (13) para denunciar à população os pacotes de maldades de Jair Bolsonaro (PSL) e do ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Bolsonaro e o Paulo Guedes mentem à sociedade o tempo. Eles querem vender a ideia para o povo que o país não gera emprego porque o trabalhador tem direito demais, que a culpa é a carteira assinada, dos direitos e o Fundo de Garantia. E isso é uma grande mentira”, afirmou o presidente da CUT, Sérgio Nobre, se referindo ao Plano Mais Brasil, lançado na semana passada e ao Programa Verde e Amarelo, editado via Medida Provisória (MP) nº 905/2019,  esta semana. 

Os sindicalistas rebateram o argumento do governo de que menos direitos é sinônimo de mais trabalho e deixaram claro para a população que essas medidas, na prática, vão aumentar a pobreza e a desigualdade.

O Programa Verde e Amarelo, disseram os sindicalistas, é uma ampla e cruel reforma Trabalhista, e junto com o Plano Mais Brasil beneficia apenas os empresários, a elite brasileira.

Para Sérgio, o que está acontecendo com a classe trabalhadora é algo inimaginável. Bolsonaro está tentando destruir todos os direitos que foram conquistados durante décadas e isso por meio de  medida provisória, de forma autoritária, afirmou o dirigente.

E ao contrário do que diz o governo, acrescentou o presidente da CUT, esses pacotes não vão resolver o problema do desemprego e da crise que assola o país.

“Se corta salário do trabalhador, ele consome menos. Consumindo menos, o país vai pra recessão. É uma formula que não dá certo”, disse Sérgio.

Segundo ele, o que gera emprego é investimento, a retomada das obras paralisadas desde 2016, a ampliação do salário mínimo para que as pessoas possam consumir mais, as empresas produzirem mais e, com isso, gerar mais empregos, colocando o país de volta na rota do crescimento.

“Se não tiver investimento em infraestrutura para que as empresas possam ampliar a produção, eles podem criar formas de contrato do jeito que for que não vai ter emprego”, afirmou Sérgio Nobre.

“Em todos os momentos da nossa história que houve crescimento e geração de emprego foram impulsionados pelo Estado e eles estão fazendo o contrário. Estão acabando com os direitos dos servidores públicos, criando condição pra demitir os servidores, reduzir salários. E ainda querem vender todas as estatais, a Petrobras, Eletrobrás, Correios, o Banco do Brasil, o BNDES e a Caixa Econômica, que são os bancos que fazem as políticas sociais e que diminuem as desigualdades”, ressaltou o presidente da CUT.

Durante a mobilização, sindicalistas e militantes distribuíram panfletos e conversaram com a população sobre os impactos dos pacotes de maldades de Bolsonaro/Guedes.

Quem ganha são os empresários

“Os absurdos são muitos”, disse o Secretário-Geral da CUT São Paulo, João Cayres, aos trabalhadores e as trabalhadoras que passavam nas proximidades do Teatro Municipal, onde a panfletagem começou antes das 9h da manhã.

“Eles [Bolsonaro e Guedes] querem contratar jovens de 15 a 29 anos com uma nova forma de contratação, a carteira verde e amarela, que permite menos direitos”.

“Esta juventude não vai receber os 8% do Fundo de Garantia, como é com a carteira azul, vão receber apenas 2%. E se forem demitidos, a multa ao invés de ser de 40%, será 20%. E o que é pior, os empresários não serão cobrados pelos 20% que seriam para Previdência, para saúde e assistência social. E ainda colocaram na conta dos desempregados que terão o seguro-desemprego taxado em 7,5% para pagar a conta do rombo”, pontuou João sobre a MP Verde e Amarela.

Para João Cayres, “este governo só representa os empresários, em especial, os maus empresários que vão deixar de contribuir deixando mais problemas na Previdência e deixar os trabalhadores e as trabalhadoras a míngua”, ressaltou Cayres.

Reforma da Previdência

Roberto Parizotti (Sapão)Roberto Parizotti (Sapão)

O vice-presidente da CUT São Paulo, Luiz Cláudio Marcolino, explicou à população que passava pela Praça Ramos de Azevedo, que a partir de hoje nenhuma trabalhadora poderá se aposentar com menos de 62 anos de idade e nenhum trabalhador poderá se aposentar com menos de 65 anos de idade, fora o tempo de contribuição.

“Qual o trabalhador que vai conseguir ter 40 anos de contribuição para poder se aposentar integralmente? Este é o presente que você trabalhador e você trabalhadora acabaram de receber do atual governo”, afirmou Marcolino para as pessoas que passavam pelas ruas de São Paulo, se referindo a outra medida do governo Bolsonaro que ataca direitos dos trabalhadores, a reforma da Previdência, promulgada na terça-feira (12).

Isso a Globo não mostra

A bancária e ex-secretária de Comunicação da CUT São Paulo, Adriana Magalhães, explicou o porquê tinha um caminhão de som e bandeiras das centrais no centro da cidade.

Ela contou que na noite do dia anterior (12), quando foi anunciada a MP do Programa Verde Amarelo, a TV Globo não mostrou no Jornal Nacional os impactos desta medida para a classe trabalhadora e, segundo ela, a emissora só pontuou os efeitos positivos para elite e para o empresariado.

“Hoje, quando você trabalha aos sábados, domingos e feriados, você tem direito de receber 50% e 100% de hora extra. Agora você vai trabalhar sábado e domingo com uma folga durante a semana, deixando de ganhar a sua hora extra”.

“Isso Jornal Nacional não falou. Nenhum veículo de comunicação da imprensa comercial  falou sobre as nossas perdas porque são todos empresários, e é por isso que nós estamos aqui”, disse Adriana, se referindo a importância do ato de denúncia sobre os efeitos perversos para os trabalhadores que os pacotes de Bolsonaro representam.  

Ela disse que para o trabalhador e a trabalhadora se informar de fato sobre os impactos das medidas que o governo tem anunciado é preciso acompanhar o Portal da CUT, das centrais e dos veículos que são mantidos por sindicatos, como a TVT e a Rádio Brasil Atual.

“Além do Portal da CUT, as pessoas que querem acompanhar as maldades do governo e saber onde impactará a vida do trabalhador é só ligar na TVT, 44.1 da TV aberta, ou na internet, e ouvir a Rádio Brasil Atual na sintonia 98,1”, ressaltou a bancária.

Encontro sobre emprego e desenvolvimento

divulgaçãodivulgação

No próximo dia 18, a CUT e demais centrais e os setores estratégicos da sociedade que estiveram juntos na manhã desta terça voltarão a se encontrar.

Eles vão participar do “Encontro Emprego e Desenvolvimento”, no qual vão receber representantes do Chile, Equador e Argentina, que irão dar seus depoimentos sobre os impactos da implementação de políticas neoliberais nestes países.

Agenda das Centrais

Além do ato desta quarta-feira (13), no qual a CUT e demais centrais fizeram ato/panfletagem no centro da cidade de São Paulo, e do Encontro Emprego e Desenvolvimento do dia 18, a CUT e demais centrais têm uma agenda de mobilização para o próximo período.

No dia 26 de novembro, no auditório do Sindicato dos Bancários em Brasília, terá um encontro de todo setor público para traçar a resistência ao pacote de Guedes no Congresso Nacional e fazer em suas cidades a defesa dos serviços públicos e das estatais.

No dia 19 também será apresentado uma agenda de mobilização unitária até o 1º de maio de 2020.