Proposta defendida pela CUT, fim da escala 6x1 tem apoio de 71% da população
Levantamento do Datafolha, divulgado neste domingo (15), indica aumento do apoio à redução da jornada de trabalho em relação ao final de 2024
Publicado: 16 Março, 2026 - 09h27 | Última modificação: 16 Março, 2026 - 10h16
Escrito por: Redação CUT | Editado por: Walber Pinto
Pauta histórica da CUT, a redução da jornada de trabalho sem reduzir os salários e o fim da escala 6x1, proposta que poderá ser votada no Congresso Nacional em maio, têm apoio de 71% dos brasileiros, segundo pesquisa do Datafolha divulgada neste domingo (15).
O projeto, que tem apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ganhou força na sociedade. As maiores críticas ao fim da escala 6x1 vêm do setor empresarial, que resiste às mudanças e afirma que o fim desse modelo de trabalho pode provocar desemprego e prejudicar a economia do país.
A maioria da população apoia mudanças na organização da jornada de trabalho e se mostra favorável ao fim da escala 6x1, de acordo com o levantamento. A pesquisa também aponta crescimento desse apoio em relação ao final de 2024.
Apenas 27% dos entrevistados são contrários à diminuição do número máximo de dias trabalhados por semana no país, enquanto 3% não souberam ou preferiram não responder. As entrevistas foram realizadas entre 3 e 5 de março.
Perfil dos trabalhadores
A pesquisa também analisou o perfil dos trabalhadores. Entre os brasileiros economicamente ativos, 53% afirmam trabalhar até cinco dias por semana, enquanto 47% dizem ter jornadas de seis ou sete dias.
Apesar de estarem entre os potenciais beneficiários do fim da escala 6x1, os que trabalham seis dias ou mais demonstram menor apoio à medida: 68% são favoráveis à mudança. Entre os que trabalham até cinco dias por semana, o índice de apoio chega a 76%.
Impacto positivo na economia
Para a economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), do Instituto de Economia da Unicamp, e autora do “Dossiê 6×1”, a redução da jornada de 44 para 36 horas poderá criar até 4,5 milhões de empregos e aumentar a produtividade em cerca de 4%, o que contradiz os críticos da proposta.
Em entrevista ao Portal CUT, a economista explicou os benefícios da redução de jornada de trabalho. Leia aqui.
O estudo, realizado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que aproximadamente 21 milhões de trabalhadores do país cumprem jornada superior às 44 horas semanais previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
A pesquisa revela ainda que 76,3% das pessoas ocupadas no Brasil têm jornadas superiores a 40 horas semanais, sendo que 58,7% dos empregados trabalham entre 40 e 44 horas por semana.
Para a especialista, esses dados indicam que o brasileiro está entre os que mais trabalham no mundo e que a redução da jornada pode ter efeitos positivos para o conjunto da economia.
Maioria apoia a mudança
O apoio à proposta aumentou em comparação com pesquisa anterior do instituto, realizada em 12 e 13 de dezembro do ano retrasado. Na ocasião, 64% se posicionaram a favor da mudança, enquanto 33% eram contrários.
O Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.