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Mundo se choca com Covid-19 no Brasil, que registrou quase 2 mil mortes em 24h

Foram 1.910 mortes por Covid-19 em 24 horas, segundo o Ministério da Saúde. Consócio de imprensa diz que foram 1.840 mortes. Ambos os dados são recordes de vidas perdidas

Publicado: 04 Março, 2021 - 11h04 | Última modificação: 04 Março, 2021 - 11h18

Escrito por: Walber Pinto

Silvio Avila/HCPA
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No mesmo dia que o Brasil registrou 1.910 mortes por Covid-19, segundo dados do Ministério da Saúde, ou 1.840, segundo o consórcio de imprensa – em ambos os casos, recordes de vidas perdidas -, o mundo se chocava com a explosão da pandemia do novo coronavírus no país, que vive a tragédia de colapso na saúde em várias regiões.

Aos jornais New York Times e The Guardian, cientistas alertaram que a pandemia no Brasil se tornou uma ameaça global, com o risco de gerar novas variantes mais letais.

Apesar do alerta, insensível diante da maior crise sanitária do século, sem ao menos lamentar as mortes de brasileiros em decorrência da doença, o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) voltou a criticar as medidas de enfrentamento à Covid-19 e afirmou que “no que depender dele”, o país nunca terá um lockdown.

"Não aguenta mais”, disse se referindo aos empresários. “O cara quando fecha uma empresa, 10, 12 pessoas [são] mandadas embora, dificilmente arranja emprego novamente. No que depender de mim nunca teremos lockdown, Nunca, uma política que não deu certo em lugar nenhum do mundo”, disse Bolsonaro em frente ao Palácio da Alvorada, em conversa com apoiadores.

Mais uma mentira de Bolsonaro. Ao contrário do que ele disse, estudos comprovam que o lockdown ajuda a salvar vidas.

Para o médico e neurocientista, Miguel Nicolelis, o Brasil pode entrar na maior tragédia humanitária do século XXI se não for feita nenhuma medida eficaz em âmbito nacional.

 “Nós vamos entrar numa situação de guerra explícita. Nós podemos ter a maior catástrofe humanitária do século XXI em nossas mãos”, afirmou o médico, em entrevista ao jornal El País.

Ele também afirma que, de acordo com seus cálculos, nos próximos dias o país poderá registrar 2.000 mortes diárias. A fala dele foi antes do Ministério da Saúde divulgar 1.910 mortes, mais um recorde.

“A possibilidade de cruzarmos 3.000 nas próximas semanas passou a ser real e aumentar o número de leitos já não adianta. A única saída é decretar um lockdown nacional pelas próximas três semanas”, disse o cientista.

Os números da tragédia

Segundo os dados do Ministério da Saúde, foram registradas 1.910 mortes por Covid-19 em 24 horas - o maior número desde o início da pandemia, em fevereiro do ano passado. O recorde anterior foi batido na terça (2), dia em que morreram 1.641 pessoas. Ao todo, 259.271 brasileiros perderam a vida para a doença causada pelo novo coronavírus e o total de contaminados chegou a 10.718.630, em 24 horas foram registrados 71.704 novos casos.

Já o Consórcio de Imprensa, apurou que morreram 1.840 pessoas em 24 horas, totalizando 259.402 mortes desde o início da pandemia. No total, segundo o consórcio, 10.722.221 brasileiros foram ou estão contaminados.

De acordo com a análise feita pelo consórcio, esta quarta-feira foi o 42º dia em que a média móvel de mortes ficou acima de mil, a sequência mais longa até o momento.

Brasil supera os EUA em mortes por milhão de habitantes

Com os números de novas mortes por Covid-19 nesta quarta-feira (3), o Brasil superou o dos Estados Unidos, quando considerada a proporção de habitantes de cada país.

Nesta quarta, o país registrou uma média móvel de 6,3 novos registros de óbitos para cada um milhão de pessoas.

Já nos EUA, foram 1924 novas mortes, o que representa 5,8 mortes por milhão, considerando a média móvel.

Nos EUA, o processo de vacinação da população está acelerado, já chegando a 23,8% de cobertura. Já no Brasil, não há vacinas e o processo de imunização é lento.  Apenas 3,5% da população foi vacinado.

Ocupação de leitos

A situação é grave em sete estados, onde a ocupação está acima de 90% nos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). São eles:  Santa Catarina e Acre, com 94%; Paraná, Goiás e Sergipe, os 3 estados com 92%; Ceará e Rio Grande do Norte, com 91%. Já nos estados do Rio Grande do Sul e Rondônia a ocupação na UTI está em 100%.

Minas Gerais, Roraima, Amapá e Piauí estão com 76%. São Paulo e Espírito Santo têm ocupação de 75%. Alagoas e Rio de Janeiro estão com 72%. O Rio de Janeiro, com situação mais estável, chegou a 64%.

Mato Grosso do Sul, com 90%; Distrito Federal, com 89%; Mato Grosso, com 88%; Maranhão, com 86%. Tocantins apresenta 84% de ocupação. Amazonas, Para e Bahia chegaram a 82%.