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Metroviários de SP podem parar dia 28, se não houver conciliação em audiência no TRT

Uma nova audiência com Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para avaliar uma proposta conciliatória do MPT foi marcada para dia 27, data da assembleia da categoria que não descarta greve

Publicado: 27 Julho, 2020 - 09h00 | Última modificação: 27 Julho, 2020 - 09h40

Escrito por: Érica Aragão

Fernando Frazão/Agência Brasil
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Os metroviários de São Paulo estão preparando uma greve para esta terça-feira (28) em protesto contra a retirada de direitos, a redução salarial e a intransigência da companhia em relação a negociação da Campanha Salarial 2020, que começou em março.

Apesar da paralisação estar marcada, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo insiste no diálogo com o Metrô.  Por duas vezes a greve foi adiada pelo compromisso da entidade em manter a negociação, mas sem sucesso.

Na última sexta-feira (24), em mais uma reunião virtual entre o Metrô e o sindicato, com mediação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a companhia manteve sua postura intransigente e, por sugestão do Ministério Público do Trabalho (MPT), uma nova audiência virtual foi marcada para esta segunda-feira (27), às 11h. O MPT pretende conversar com ambas as partes e apresentar uma nova proposta de conciliação, que não está descartada pelos metroviários.

A companhia, no entanto, dá sinais de que não quer de fato uma conciliação, o que tem levado a categoria a ter certeza que só com a greve poderá fazer valer suas reivindicações.

Os motivos para desconfiar das intenções da companhia são muitos como a redução salarial no pagamento de 31 de junho,  do percentual no pagamento das horas extras, de 100% para 50%, e no adicional noturno, de 50% para 20,%. Medidas que foram tomadas durante a negociação da Campanha Salarial dos trabalhadores.  E na última sexta, o Metrô anunciou que vai reduzir mais 10% dos salários e da gratificação da função, quando houver.

“Por duas oportunidades a categoria decidiu prorrogar a greve porque referimos levar adiante o diálogo, mas com esta ofensiva do Metrô em retirar nossos direitos e reduzir salários, a greve é inevitável”, afirma o agente de segurança, Vinicius Silva Morgado, que lembrou que a companhia também já retirou o auxílio transporte e aumentou a participação dos trabalhadores no custeio do plano de saúde.

Caso o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), o secretário estadual de transporte, Alexandre Baldy, e a direção do Metrô insistirem em retirar direitos históricos da categoria, e não se chegue a uma proposta na reunião de conciliação de segunda-feira, “o processo poderá ser convertido em rito de Dissídio Coletivo, onde o Tribunal poderá inclusive apresentar nova proposta de conciliação, marcar julgamento ou ainda conceder as já conhecidas liminares em relação a greve dia 28 de julho, diz em nota o sindicato”.

Marcos Freire, diretor do sindicato acredita que a chance da realização da greve no dia 28 é de 90%, se não tiver mais nenhum passo falso do Metro, porque a negociação está tensa e os trabalhadores e as trabalhadoras estão perdendo a paciência.

“Quem vai decidir se terá greve ou não no dia 28 é a categoria em assembleia virtual na segunda à noite, mas os metroviários estão querendo greve, porque a empresa não tem medido esforços para reduzir nossos salários. Fora que gente sabe que se não resolver por aqui, o Metro pode acionar o TST [Tribunal Superior do Trabalho] e lá a gente sabe que a luta é para o lado do empresariado”, afirmou o dirigente.

Papel do Estado

Marcos conta que as justificativas da companhia ao informar sobre as retiradas de direitos são sempre porque a arrecadação da bilheteria diminuiu com a pandemia do novo coronavírus (Covid19).

Segundo o dirigente, o Metro passou a ser totalmente público em 2018 e desde então Dória não tem investido mais e, ainda fala que a companhia precisa ser autogerida, mas em compensação investe nas linhas 4 e 5 que são concessões.

“Só a arrecadação da bilheteria não dá mesmo, mesmo antes da pandemia já era assim. É preciso investimento do Estado para manter uma companhia como o Metrô. Mas a gente sabe que Dória continua ressarcindo as outras linhas devido a contratos de privatização, tirando da gente e dando para os bilionários que administram as linhas 4 e 5, onde os trabalhadores e as trabalhadoras também estão passando por vários ataques”, afirmou.

Covid-19

Se não bastasse a intransigência do Metrô em relação ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), os trabalhadores e as trabalhadoras da companhia vivem outro drama.

A companhia tem funcionado com 90% da capacidade e com um contingente bem menor do mais de 9 mil trabalhadores, porque mais de 250 estão afastados devido a outras doenças e serem do grupo de risco da Covid-19, e outros por terem sido contaminados pela doença e pediram afastamento.

Além disso, depois de muita briga com o Metrô, os trabalhadores estão recebendo os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para se protegerem contra a doença, mas o nível de contaminação só aumenta.

“Hoje os metroviários de São Paulo recebem uma máscara e uma luva para trabalharem pelas oito horas, mas o álcool em gel e a higienização dos vagões têm. O problema é que a contaminação só vem crescendo, hoje mais de 600 estão com Covid-19 e a categoria também teme ao vírus”, afirma Marcos.

Casos de Covid-19 no Metrô que chegaram ao conhecimento do Sindicato até 16/07/2020

- Confirmados por exame ou clinicamente: 162

- Suspeitos com sintomas: 79

- Afastado por ter tido contato com outro contaminado: 84

- 1 óbito confirmado de metroviário na ativa

- 4 óbitos de metroviários que já estavam afastados

Total de 325 afastamentos linha 1, 2, 3 e 15

Linhas 4 e 5:

Suspeitos 279; Confirmados 86; Total de 365

Total em todas as linhas do Metrô: 690