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Contra retirada de direitos, metroviários de SP aprovam greve a partir do dia 1º

Categoria tem nova rodada de negociação com o governo de João Dória (PDSB/SP) e a diretoria do Metrô. Trabalhadores afirmam que aceitam negociar o reajuste, mas retirada de direitos NÃO!

Publicado: 26 Junho, 2020 - 14h01 | Última modificação: 26 Junho, 2020 - 14h22

Escrito por: Érica Aragão

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90% dos metroviários e as metroviárias da capital de São Paulo que participaram da assembleia virtual da categoria, na noite de quinta-feira (25),  aprovaram uma greve da categoria, a partir de 1º de Julho, se o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), seu secretário de transporte, Alexandre Baldy, e a direção do Metrô insistirem em retirar direitos históricos da categoria. 

Durante a primeira reunião virtual de negociação da campanha salarial de 2020 com a direção do Sindicato dos Metroviários de São Paulo , nessa semana, o secretário de transporte apresentou uma pauta retirando vários direitos do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Em meio à pandemia, com aumento de casos de Covid 19 entre os trabalhadores cuja luta é para preservar vidas, o secretário de transportes do estado disse que além de não ter nenhum reajuste de salários e benefícios, o Metrô vai reduzir o valor das horas as extras de 100% para 50%, diminuir de 50% para 20% o adicional noturno, acabar com o adicional de risco de vida, com o auxílio-transporte, a complementação salarial para afastados por auxílio-doença e acidente de trabalho, entre outros benefícios.

“O pacote de maldades é ainda maior com a nossa categoria porque somos essenciais neste momento de pandemia. Eles se aproveitaram da crise para arrancar vários direitos conquistados há muitos anos, mas já mostramos nossa força nesta assembleia. Os trabalhadores e as trabalhadoras mesmo assustados e com medo da doença não vão permitir que tirem seus direitos”, afirmou o diretor do Sindicato, Marcos Freire.

O governo do Estado mandou para o sindicato uma carta com a proposta completa, conta o dirigente. Segundo Freire, o governo e a empresa nem quiseram ouvir o sindicato para debater a proposta, impondo uma com a justificativa de que a companhia está em dificuldade financeira e apenas 1/3 do comércio instalado nas estações do metrô está aberto.

Além disso, diz o dirigente do sindicato, o Metrô quer pagar o salário reduzido em junho, fazer descontos do salário de maio e já implementar a retirada de direitos no pagamento de julho.

“Os trabalhadores e as trabalhadoras do Metrô têm acesso online à folha de pagamento e viram que o salário de junho já está menor, mas depois da assembleia foi retirado o acesso ao documento. Na reunião, os representantes do metrô disseram que vão descontar uma parte do que foi pago normalmente em maio, que é a data base, e ainda já tirar direitos no próximo mês”, explicou o dirigente.

Depois da assembleia em que a categoria deliberou a greve para a próxima quarta-feira (1/07), a direção do Metrô e o governo do Estado entraram em contato com o sindicato e marcaram uma nova reunião de negociação para a próxima segunda-feira ( 29/6), também virtual.

“Eles esperavam que a categoria não lutaria em defesa dos seus direitos por estar fragilizada com esta pandemia, mas o Metrô e este governo mexeram no nosso bolso, ao invés de valorizar estes trabalhadores que muitas vezes arriscam suas vidas para continuar o trabalho”.

“A gente não quer parar e deixar a população na mão, por isso aceitaremos negociar. Estamos esperando que o governo se sensibilize e mantenha o nosso acordo como reconhecimento da essencialidade do nosso serviço neste momento tão difícil que estamos passando”, disse Marcos.

De acordo com o dirigente , o Metrô se nega a dizer sobre os casos e contaminação da Covid-19 na categoria, que não vai aceitar negociar nenhuma medida de proteção com o sindicato e que só o departamento médico da companhia é responsável por isto.

Sobre a assembleia

A assembleia da categoria ficou acessível para a categoria das 18 horas do dia 24 até a zero hora do dia 25, com a participação de 2.505 trabalhadores e trabalhadoras.

90,42% votaram sim para a greve contra a retirada de direitos, 6,83% disseram não e 2,75% se abstiveram.

Também foi aprovada 84,71%, a proposta da direção do sindicato, pela continuidade das assembleias virtuais e uma presencial para os que não são do grupo de risco participem da organização da greve.

Outros 95,65% dos trabalhadores aprovaram que durante a campanha salarial não irão fazer hora extra e 90,98% aprovaram que irão usar o colete, boton e adesivo da campanha a partir da próxima segunda-feira , nas áreas operativas e de manutenção e administração.