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Greve sanitária na Petrobras será questão de dias, alerta FUP

Nota da FUP afirma que os petroleiros podem fazer uma greve sanitária contra o descaso da Petrobras no enfrentamento à disseminação da pandemia do coronavírus (Covid-19)

Publicado: 24 Março, 2020 - 14h15

Escrito por: Redação CUT

Reprodução
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) publicou uma nota em seu site na noite desta segunda-feira (23) alertando que os petroleiros podem fazer uma greve sanitária contra o descaso da Petrobras no enfrentamento à disseminação da pandemia do coronavírus (Covid-19), que já infectou quase 400 mil pessoas e matou mais de 16 mil pessoas no mundo.  

De acordo com a FUP, a estatal subestima o avanço da doença que já infectou quase 2 mil pessoas no Brasil e não adota medidas protetivas com jornada menor ou quarentana, exceto para a diretoria e gerências que estão trabalhando de casa. 

"Enquanto a diretoria e as gerências da Petrobrás estão de quarentena, no aconchego de seus lares, os petroleiros devem manter a produção a qualquer custo", afirma trecho da nota, que fala de jornadas de até 12 horas nas refinarias e terminais.

A nota denuncia ainda que "nas áreas offshore, os trabalhadores são confinados por sete dias em um quarto de hotel, afastados da família, antes de embarcar para as plataformas, onde são obrigados a permanecer por 21 dias".

A FUP acusa a Petrobras de se recusar a negociar com a federçaão e seus sindicatos propostas para garantir a segurança dos trabalhadores e da sociedade e que a petroleira aproveita a pandemia para tentar intimar a categoria com ameaças de demissão e punições dos grevistas. "Um flagrante descumprimento do acordo que foi chancelado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), há menos de um mês".

Confira a íntegra da nota:

Greve sanitária na Petrobras será questão de dias

Subestimando o avanço do coronavírus, que já atinge todo o território brasileiro, a direção da Petrobrás impõe aos petroleiros jornadas de trabalho que os levarão à exaustão física e ao esgotamento emocional, justamente quando a pandemia estiver próximo do pico no país. A greve sanitária será inevitável e já está em contagem regressiva, iniciada pela própria empresa.

Castello Branco e seus gestores agem da mesma forma que o governo insano de Jair Bolsonaro, ao qual servem. Menosprezam os efeitos devastadores da pandemia e sacrificam os trabalhadores para proteger os setores econômicos que ainda lhe dão sustentação política.

Enquanto a diretoria e as gerências da Petrobrás estão de quarentena, no aconchego de seus lares, os petroleiros devem manter a produção a qualquer custo. Nas áreas offshore, os trabalhadores são confinados por sete dias em um quarto de hotel, afastados da família, antes de embarcar para as plataformas, onde são obrigados a permanecer por 21 dias.

Nas refinarias e terminais, são submetidos a turnos ininterruptos de 12 horas, à revelia das medidas de controle sanitário que as entidades sindicais vêm cobrando. A situação é ainda pior para os terceirizados, cujas condições precárias de trabalho são ignoradas pelas gerências.

A Petrobrás tem se recusado a discutir com a FUP e seus sindicatos propostas para garantir a segurança dos trabalhadores e da sociedade. Reivindicações, como suspensão temporária da produção e participação nos comitês nacional e regionais de gestão da crise do coronavírus, foram desprezadas pela empresa.

Em vez de negociar medidas necessárias para conter o avanço da pandemia, as gerências se aproveitam da situação de vulnerabilidade dos trabalhadores para tentar intimidar a categoria, anunciando demissões e punições dos grevistas. Um flagrante descumprimento do acordo que foi chancelado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), há menos de um mês.

A diretoria da Petrobrás atua contra os trabalhadores e os interesses do país, da mesma forma insana que age o governo ao qual serve. As medidas impostas pela gestão Castello Branco levarão as unidades da empresa ao colapso, tal qual o sistema de saúde em função da sobrecarga causada pelo coronavírus.

Segundo especialistas, a pandemia atingirá o momento mais crítico nas próximas semanas, quando milhares de brasileiros já estarão contaminados. Como ficarão os petroleiros submetidos às condições desumanas de trabalho nas plataformas e áreas industriais? Terão condições físicas e psicológicas de manter a produção, isolados de suas famílias quando elas mais precisam?

A greve sanitária será questão de dias.

Federação Única dos Petroleiros