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Entregadores de alimentação por aplicativo marcam nova greve para o dia 25

Categoria diz não ter recebido resposta das empresas sobre reivindicações de melhores condições de trabalho, apesar do sucesso da mobilização do dia 1º de julho

Publicado: 06 Julho, 2020 - 15h07 | Última modificação: 06 Julho, 2020 - 15h18

Escrito por: Rosely Rocha

Reprodução
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Depois da repercussão e da grande adesão à greve do último dia 1º de julho, em pelo menos 18 capitais e outras cidades de médio porte, os entregadores de alimentação por aplicativo decidiram marcar uma nova paralisação. Desta vez eles pretendem parar em um sábado e o dia já foi escolhido: 25 de julho. O  sábado, dizem os trabalhadores, é o dia de maior movimento de pedidos de entregas.

Os entregadores dizem que as empresas como Ifood, Rappi, Uber, Loggi e James, entre outras, não responderam ao pedido de melhores condições de trabalho, como aumento no valor da taxa mínima de corrida, equipamentos de proteção, seguro de vida e alimentação, entre outras reivindicações.

“Teve empresa que fez comunicado à imprensa dizendo que nos apoia, mas não é verdade. O que temos sentido desde a quarta-feira [dia da greve] é uma diminuição no valor pago. Como não há um padrão de valor, a empresa diz que você ganhou mais em outros dias porque era ‘bônus’”, diz Diógenes Silva de Souza, um dos organizadores do movimento.

Segundo o entregador, a categoria está trabalhando mais e ganhando menos. Antes recebiam R$ 8,00 por uma corrida de cinco quilômetros, agora o valor caiu praticamente pela metade, oferecendo corridas de quatro quilômetros por R$ 4,00. Para atingir a sua meta diária é de R$ 150,00, tem de trabalhar ainda mais horas.

“O povo pode até achar que R$ 2.500,00 é um bom salário, só que a gente não tem férias, FGTS [Fundo de Garantia por Tempo de Serviço], Previdência, trabalha 14 horas por dia. Só dá tempo de voltar pra casa e dormir um pouco, e nem estamos pedindo carteira assinada. Queremos melhores condições e remuneração“, diz.

Apesar de não reivindicarem direitos trabalhistas, eles entendem que é preciso reunir uma comissão de entregadores para que as empresas por aplicativos possam negociar com a categoria.

“Sabemos que uma empresa não vai negociar com cinco mil, dez mil entregadores, por isso estamos tirando uma comissão de cinco, seis pessoas para entregar oficialmente nossas reivindicações”, afirma Diógenes.

Precisamos nos unir porque as coisas não se resolvem de uma vez. Não basta a gente fazer só uma greve para as empresas cederem e atender os nossos pedidos. Não é assim que as coisas funcionam. É preciso luta
- Diógenes Silva de Souza


Bloqueios injustos

Diógenes ressalta que o entregador é obrigado a trabalhar de segunda a segunda, e se não trabalhar às sextas-feiras, sábados e domingos perde pontuação e não consegue fazer entregas durante o restante da semana porque é bloqueado pelas empresas.

Outro tipo de bloqueio comum é quando os entregadores quando ficam com “saldo negativo, devendo algum valor”.

Diógenes conta que no último domingo (5), um cliente pagou em dinheiro uma encomenda no valor de R$ 500,00. A empresa devia ao entregador R$ 300,00, da soma das entregas que tinha feito e, por isso, ele deveria depositar R$ 200,00, mas como era domingo não conseguiu fazer o depósito. A empresa o bloqueou o restante do dia e Diógenes não sabe se atingiu a pontuação necessária para poder trabalhar esta semana.

“O cliente pagou por volta das 11 horas da manhã e pela dívida eu fui bloqueado. Sou punido por não trabalhar no final de semana, mas a empresa me bloqueia dizendo que eu estou devendo, mas como vou fazer um depósito em pleno domingo?”, questiona.