Direitos das mulheres são alvos de ataques e de deboche de políticos de direita
Brasil registrou quatro assassinatos de mulheres por dia nos primeiros sete meses deste ano
Publicado: 24 Setembro, 2026 - 09h41 | Última modificação: 24 Setembro, 2026 - 10h07
Escrito por: Redação CUT | Editado por: Rosely Rocha
A violência contra as mulheres e a sobrecarga de trabalho a que elas são submetidas ganharam espaço na Organização das Nações Unidas (ONU) no discurso do presidente Lula, nessa terça-feira (22). Ele se posicionou a favor do fim da escala 6x1, que beneficiará principalmente as trabalhadoras, e destacou que a luta contra o feminicídio é de todo o mundo.
Lula disse: O trabalhador precisa de tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família. No Brasil, concretizar esse objetivo passa pelo fim da chamada escala 6x1 para garantir ao trabalhador 2 dias livres por semana. Essa mudança é fundamental para aliviar a sobrecarga doméstica que ainda recai sobre as mulheres. Estamos construindo um Brasil onde as mulheres não precisam pedir licença para ocupar espaços de poder ou se inserir no mercado de trabalho.
Um país livre do feminicídio, onde nenhuma mulher, dentro ou fora de casa, viva sob a ameaça da violência. Essa é uma causa que o mundo todo precisa abraçar.
No dia 4 de fevereiro deste ano em uma iniciativa inédita que uniu os Três Poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário), além de Ministérios Públicos e Defensorias Públicas foi assinado o “Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio” para enfrentar a violência de gênero no país.
Ataques da direita e extrema direita
Como o voto das mulheres é muito importante por elas serem o maior eleitorado do país (52,84%), de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos de direita evitam fazer críticas contundentes, deixando para seus aliados o jogo sujo de enviar mensagens aos machistas e misóginos, como foi o caso do “influencer”, Paulo Figueiredo, neto do ex-general e ditador João Figueiredo, e hoje aliado do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), que disse que “mulheres votam mal”. O senador acabou rebatendo publicamente a fala de Figueiredo dias depois após forte repercussão e ausência de aliadas em um evento oficial.
Mas esse é apenas um dos ataques aos direitos de as mulheres votarem, o que têm sido constantes por parte de conservadores, sejam candidatos, ou não, num movimento orquestrado mundialmente.
Exemplos não faltam como os que foram feitos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flavio, que disse à deputada Maria do Rosário, que só não a estuprava porque era feia; que teve quatro filhos homens e a que a última, por ser mulher, foi uma fraquejada; e que seus filhos não namorariam uma mulher preta por terem sido “bem educados” por ele, numa entrevista à falecida cantora Preta Gil.
Outro comentário misógino foi à Patrícia Campos Mello. Jair usou de ironia e insinuação sexual ao atacar a repórter da Folha de São Paulo, afirmando que ela "queria dar o furo" a respeito de reportagens sobre a sua campanha eleitoral.
O ex-presidente da República também fez apologia ao turismo sexual, em seu primeiro ano de mandato. Sobre a vinda de turistas ao país, declarou que o Brasil não deve ser um "paraíso do mundo gay", mas ressaltou: "Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade".
Jair também fez apologia à exploração sexual infantil ao relatar que viu adolescentes venezuelanas, bonitas de 14,15 anos, “se arrumando para ganhar a vida” e usou a expressão ‘pintou um clima. Diante da repercussão, Bolsonaro precisou se retratar em rede nacional.
Flávio Bolsonaro durante a CPI da Pandemia afirmou que as mulheres "já foram mais respeitadas e mais indignadas, estão fora da CPI e não fazem nem questão de estar nela", o que gerou bate-boca e acusações de ironia machista por parte de senadoras.
Um vídeo recente no Dia Internacional da Mulher (8 de março), publicado nas redes sociais do senador, gerou debates sobre o chamado "machismo político", com críticas de que seu discurso reduzia o papel feminino a uma perspectiva tradicional de quem "sempre cuidou".
Flávio também se opôs a propostas legislativas como o projeto de lei de combate à misoginia, que incluiu o ódio, desprezo, aversão ou preconceito extremo direcionado a mulheres no rol dos crimes de preconceito e discriminação previstos na Lei do Racismo (7.716/1989). A proposta define misoginia como condutas que manifestam ódio ou aversão a mulheres, baseadas na crença da supremacia do gênero masculino.
Embora tenha votado a favor no Senado, ele posteriormente declarou que o seu grupo político atuaria para rejeitar a proposta na Câmara Federal. Durante a votação pelos deputados, o seu partido, o PL, foi o principal articulador contra o projeto no formato atual. A liderança do partido orientou oficialmente o voto contra o regime de urgência, sob a justificativa de que o texto poderia abrir margem para censura de opiniões ou perseguição de teor religioso e político. O texto do PL 896/2023 altera a Lei do Racismo para incluir a misoginia (definida como o ódio ou aversão às mulheres) no mesmo enquadramento jurídico.
Em discursos, membros de sua ala política desqualificaram a Lei Maria da Penha, ao dizerem que por si só, seria "apenas um pedaço de papel" e não bastaria para garantir a defesa real das mulheres na prática.
Por causa das pesquisas eleitorais apontarem que a maioria das mulheres rejeita o bolsonarismo e não votará em seu nome nas próximas eleições, seu grupo político lançou um plano de governo Discurso "Brasil Por Elas. Mas ao ser lançado, Flávio ironizou o plano dizendo que "não virou feministo".
Episódio repugnante de Renan Santos (Missão)
Enquanto o Brasil registrou 848 casos de feminicídio nos primeiros sete meses de 2026 (quatro por dia), segundo dados oficiais do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, um vídeo repugnante do candidato à presidência da República, Renan Santos (Missão), do campo da direita e ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), circula nas redes sociais. Renan ganhou uma camiseta, rodeado por amigos e amigas, em que está escrito: ‘Não comeu, matou”.
No vídeo abaixo o influencer Rodrigo Condessa reage à entrega do "presente" a Renan Santos
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O que disseram os demais candidatos
Os candidatos que ainda pontuam nas pesquisas eleitorais do campo da direita, embora apresentem propostas de proteção às mulheres, acabam se contradizendo quando expõem suas opiniões em entrevistas.
Romeu Zema (Novo)
O candidato do Novo, Romeu Zema em um debate transmitido pelo Flow Podcast, declarou que não defende a política de cotas para mulheres, mas sim a garantia de "oportunidades iguais" baseadas em competência.
Ronaldo Caiado (União Brasil / PSD)
Em agendas voltadas para o eleitorado feminino, Caiado declarou que o "verdadeiro poder da mulher" reside na criação dos filhos e na estruturação do lar, ressaltando o papel central feminino na proteção e na influência das decisões familiares.
Augusto Cury (Avante)
Apesar de não ter feito nenhuma declaração misógina chamou a atenção e se tornou motivo de chacotas, a proposta de usar drones para evitar que mulheres com medidas protetivas sejam vítimas de violência.
*As propostas para as mulheres contidas nos planos de governo dos candidatos serão abordadas em novo texto.