CUT participa de marcha transmasculina por visibilidade e direitos em SP
Ato em São Paulo, no dia 29 de março, cobrou visibilidade, acesso à saúde e direitos; CUT apoiou organização coletiva do evento cobrou políticas públicas para população transmasculina
Publicado: 02 Abril, 2026 - 15h16
Escrito por: Redação CUT | texto: André Accarini
A Avenida Paulista, em São Paulo, foi ocupada neste domingo (29) pela 3ª Marcha Transmasculina, mobilização contra a invisibilidade, por respeito e por direitos dessa população. A marcha reuniu mais de 6 mil pessoas transmasculinas, movimentos sociais, coletivos e entidades sindicais em torno de uma pauta que articula visibilidade, acesso a direitos e condições dignas de vida e trabalho.
Organizada pelo Instituto Brasileiro de Transmasculinidades de São Paulo (IBRAT-SP), a marcha teve construção coletiva e autogestionada, com decisões tomadas em assembleias e comissões. A programação incluiu caminhada, atividades culturais e falas políticas, reforçando o caráter de denúncia e organização do ato.
A CUT esteve presente ao lado de sindicatos de diferentes categorias, evidenciando a relação direta entre a luta da população transmasculina e a agenda da classe trabalhadora.
Dirigente sindical e integrante do coletivo LGBTQIA+ da CUT, Lira Alli situou essa relação ao afirmar que identidade de gênero e condição de classe se cruzam na experiência cotidiana de sobrevivência.
“Meu nome é Lira e eu falo como pessoa transmasculina, mas também como sindicalista e parte da classe trabalhadora. Ser classe trabalhadora e ser transmasculino são sinônimos, porque não existe transmasculino que não precisa batalhar todo dia para sobreviver.”
Ao longo da fala, Lira destacou a necessidade de fortalecer a consciência de classe e a organização coletiva como caminho para enfrentar desigualdades e violências estruturais. “A gente precisa se unir e avançar na nossa consciência de classe e se organizar coletivamente. É só organização coletiva, movimentos sociais e sindicatos que podem transformar a realidade”, disse.
A defesa do fim da escala 6 por 1 apareceu como ponto de destaque entre as pautas das transmasculinidades e do conjunto da classe trabalhadora. “A gente precisa se unir na luta pelo fim da escala 6 por1. Essa é a pauta das transmasculinidades e de toda a classe trabalhadora. Nós sofremos juntos e nós precisamos lutar juntos”, afirmou Lira.
O apoio concreto de entidades sindicais à realização da marcha, incluindo suporte político e financeiro, e vinculou essa presença à construção de uma agenda comum também foi destaque na fala de Lira.
“É por isso que o Sindsep, o sindicato de servidores municipais, a Apeoesp, o Sintratel, os metalúrgicos do ABC e a Central Única dos Trabalhadores estão aqui apoiando essa marcha, não só verbalmente, mas financeiramente nos corres, porque é assim que a gente quer estar – em movimento transmasculino lado a lado em luta”, disse.
A fala ainda abordou a defesa dos serviços públicos e a crítica a processos de terceirização, especialmente nas áreas sociais. “Para população trans ter acesso à saúde, a gente precisa do SUS 100% público, pelo fim das terceirizações, na saúde, na educação, na cultura e em todos os lugares. Dinheiro público precisa ter serviço público.”
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Pautas
Entre as principais reivindicações da marcha está a implementação do Programa de Atenção à Saúde da População Trans (Paes Pop Trans), anunciado pelo Ministério da Saúde no final de 2024, mas que ainda não foi efetivado. A demanda dialoga com dificuldades concretas enfrentadas por homens trans no acesso ao SUS, como a falta de acolhimento adequado, barreiras no atendimento e ausência de políticas estruturadas.
Secretário de Políticas LGBTQIA+ da CUT, Walmir Siqueira destacou que essas especificidades exigem respostas concretas do poder público, especialmente na área da saúde.
“A população trans masculina tem suas especificidades e os órgãos públicos precisam ter atenção especial. No SUS, isso passa por garantir atendimento acolhedor e especializado, que considere as necessidades físicas e hormonais, a saúde mental e também a saúde sexual e reprodutiva dessa população.”
Walmir também relacionou a visibilidade promovida pela marcha à necessidade de enfrentar a invisibilização histórica e seus impactos.
“A marcha cumpre um papel importante ao trazer essa realidade para o centro do debate público. Quando se dá visibilidade, também se evidencia a falta de políticas efetivas e a urgência de garantir acesso real à saúde, à educação e ao trabalho.”
Além da saúde, o ato destacou pautas como educação, empregabilidade e segurança. A exclusão social e a transfobia aparecem como fatores que dificultam o acesso a direitos básicos e reforçam desigualdades.
A programação incluiu ainda atividades culturais e o lançamento de uma música oficial composta por artistas trans, reforçando o papel da produção cultural na afirmação de identidades e na mobilização política.
Ao reunir coletivos, movimentos sociais e entidades sindicais, a 3ª Marcha Transmasculina reafirmou a construção de uma agenda que conecta identidade de gênero, direitos sociais e organização da classe trabalhadora, com ênfase na luta coletiva por dignidade e acesso a políticas públicas.
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