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Com disparada de mortes e casos, imprensa mundial culpa Bolsonaro por caos no Brasil

Com mais de 3 mil mortes por dia, a imagem negativa do Brasil ganhou destaque na mídia internacional, que fala da sabotagem do governo Bolsonaro às medidas restritivas de combate à pandemia de Covid-19

Publicado: 29 Março, 2021 - 11h19 | Última modificação: 29 Março, 2021 - 16h44

Escrito por: Walber Pinto

Alex Pazuello / Divulgação
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O colapso no sistema hospitalar do Brasil, a disparada do número de mortes e novos diagnósticos de Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, está assustando o mundo. Vários jornais internacionais destacaram em reportagens e análises a situação gravíssima da pandemia no país e culparam o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) pelo descontrole do vírus, o que transforma o país em uma ameaça global.

E não é para menos. O Brasil atingiu a marca de 300 mil mortos por Covid-19 na última semana e, segundo dados diários das secretarias estaduais de Saúde, mais de 3 mil pessoas estão morrendo por dia. Apenas em 24h, entre sábado (27) e domingo (28), foram registradas 1.605 mortes por Covid-19, e 43.402 novos casos da doença foram confirmados. Lembrando que nos fins de semana os números costumam ser menores porque as equipes trabalham em esquema de plantão. 

Com os registros do fim de semana, o país chegou a 312.299 óbitos e a 12.532.634 casos da doença desde o início da pandemia.

Também neste domingo, o país bateu mais um recorde na média móvel de mortes, que é de 2.598. É o maior número desde o início da pandemia e um crescimento de 42% se comparado com a última semana.

Apenas os Estados Unidos tiveram mais mortes pela doença — no entanto, com as medidas de prevenção reforçadas e à rápida vacinação, os números vêm despencando nos últimos meses.

Manchetes negativas

O descontrole da pandemia no Brasil, consequência da falta de um comando nacional de combate a Covid-19, das fakes news e das sabotagens de Bolsonaro contra as medidas restritivas decretadas por governadores, dos remédios sem eficácia, que Bolsonaro insiste em indicar, afetam seriamente a imagem do país no mundo e viraram destaque em três dos principais jornais dos Estados Unidos, país que ocupava o ranking mundial desde o início da pandemia.

New York Times

O jornal The New York Times, The Wall Street Journal e The Washington Post, destacaram em suas reportagens o avanço da Covid-19 no país, diante da nova variante descoberta em Manaus, e responsabilizam as falhas do governo Bolsonaro, a divulgação de fake news sobre tratamentos sem eficácia, a exaustão dos profissionais de saúde e a escassez de oxigênio e medicamentos para intubação, entre outros que estão em falta na rede hospitalar.

Porto Alegre no NYT

A reportagem do The New York Times, deste sábado (27), destacou “a epidemia de Covid-19 no Brasil e a sobrecarregou hospitais" e abordou a situação dos hospitais em Porto Alegre.

Segundo o jornal norte-americano, a capital do Rio Grande do Sul está "no centro de um colapso impressionante do sistema de saúde do país".

De acordo com o jornal, é o pior momento da pandemia no país e poderia ter sido evitado se o governo brasileiro tivesse incentivado as pessoas a usarem máscara e praticarem o distanciamento social. O jornal mostrou ainda que muitas pessoas insistem em negar as descobertas da ciência sobre a pandemia.

The Wall Street

O jornal The Wall Street Journal destacou que a nova variante do coronavírus P1 tem devastado o Brasil e representa "uma ameaça à saúde pública global".

O texto afirma ainda a faixa etária dos mortos na atual onda de infecções no país, com uma proporção de menores de 60 anos em torno de 30%, ante os 26% na onda anterior em meados de 2020.

Washington Post

Já a reportagem do Washington Post retrata a falta de medicamentos, oxigênio e profissionais de saúde para as UTIs lotadas no Rio de Janeiro. O jornal cita estudos que trata da exaustão e do impacto psicológico em profissionais de saúde da linha de frente do combate à pandemia, que apontam abalos emocionais em 90% deles, além de depressão, ansiedade, insônia e pensamentos suicidas.

CNN Internacional

A CNN Americana, em seu site, também destacou neste sábado (27) que o Brasil tem "sinais de colapso" nos hospitais por causa do descontrole da pandemia.

A reportagem também critica Bolsonaro por falta de uma resposta à crise de saúde, mencionando as brigas políticas do Planalto com governadores que decretaram isolamento mais rígido para tentar conter os números do coronavírus.

The Economist

A revista The Economist, do Reino Unido, alertou sobre a variante P1, que vem se tornando dominante no Brasil e que preocupa por se mostrar mais contagiosa. A revista cobra a responsabilidade de Bolsonaro no colapso da saúde no Brasil e fala da “má gestão da Covid-19 pelo Brasil ameaça o mundo".

A Economist diz ainda que as ações de Bolsonaro "são ruins para o Brasil e para o mundo".

The Guardian

O jornal britânico "The Guardian" afirma em sua reportagem que o Brasil vive “o mês de março mais triste” da vida dos brasileiros. Assim como os demais jornais, o The Guardian critica também o presidente Jair Bolsonaro pelo caos da saúde no país.

O jornal fala também da história de profissionais da saúde esgotados com a situação nos hospitais do país, a preocupação com as variantes e a falta de ação coordenada do governo brasileiro para combater a crise sanitária.

Além da agência de notícias americana, o caos na saúde pública brasileira também ganhou destaque neste sábado (27) na agência de notícias Associated Press.

A reportagem cita que as medidas de restrição são capengas e "consistentemente sabotadas pelo presidente Jair Bolsonaro”.

 

Com informações de Agências