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Audiência no TRT termina sem acordo e metroviários de SP podem parar nesta terça

Paralisação deve ser decidida pela categoria em assembleia que será realizada na noite desta segunda-feira (27). Se aprovada, greve começa a meia noite desta terça (28)

Publicado: 27 Julho, 2020 - 15h48 | Última modificação: 27 Julho, 2020 - 17h19

Escrito por: Érica Aragão

Rovena Rosa/Agência Brasil
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Não houve acordo entre os metroviários e a Companhia do Metropolitano de São Paulo na audiência de conciliação virtual, mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na manhã desta segunda-feira (27). A categoria deve decretar greve a partir da meia noite desta terça-feira (28) em assembleia virtual que será realizada hoje a noite. 

A paralisação que já havia sido aprovada em assembleia foi adiada duas vezes pelo Sindicato dos Metroviários de São Paulo que cumpriu o compromisso firmado com o TRT e o Ministério Público do Trabalho (MPT) de manter o canal aberto e dialogar com a empresa, mas não houve apresentação de uma nova proposta.

Os metroviários protestam contra a retirada de direitos, a redução salarial e a intransigência da companhia em relação a negociação da Campanha Salarial 2020, que começou em março.

Na última sexta-feira (24), em uma reunião virtual entre o Metrô e o sindicato, com mediação do TRT a companhia manteve sua postura intransigente e, por sugestão do MPT foi marcada a nova audiência que também não surtiu efeito.


A Companhia do Metropolitano de SP já vinha dando sinais de que não queria, de fato, uma conciliação, o que tem levado a categoria a ter certeza que só com a greve poderá fazer valer suas reivindicações.

Os motivos para desconfiar das intenções da companhia são muitos como a redução salarial no pagamento de 31 de junho,  do percentual no pagamento das horas extras, de 100% para 50%, e no adicional noturno, de 50% para 20,%. Medidas que foram tomadas durante a negociação da Campanha Salarial dos trabalhadores.  E na última sexta, o Metrô anunciou que vai reduzir mais 10% dos salários e da gratificação da função, quando houver.

“Por duas oportunidades a categoria decidiu prorrogar a greve porque referimos levar adiante o diálogo, mas com esta ofensiva do Metrô em retirar nossos direitos e reduzir salários, a greve é inevitável”, afirma o agente de segurança, Vinicius Silva Morgado, que lembrou que a companhia também já retirou o auxílio transporte e aumentou a participação dos trabalhadores no custeio do plano de saúde.

Caso o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), o secretário estadual de transporte, Alexandre Baldy, e a direção do Metrô insistirem em retirar direitos históricos da categoria, e não se chegue a uma proposta na reunião de conciliação de segunda-feira, “o processo poderá ser convertido em rito de Dissídio Coletivo, onde o Tribunal poderá inclusive apresentar nova proposta de conciliação, marcar julgamento ou ainda conceder as já conhecidas liminares em relação a greve dia 28 de julho, diz em nota o sindicato”.

Marcos Freire, diretor do sindicato acredita que a chance da realização da greve no dia 28 é de 90%, se não tiver mais nenhum passo falso do Metro, porque a negociação está tensa e os trabalhadores e as trabalhadoras estão perdendo a paciência.

“Quem vai decidir se terá greve ou não no dia 28 é a categoria em assembleia virtual na segunda à noite, mas os metroviários estão querendo greve, porque a empresa não tem medido esforços para reduzir nossos salários. Fora que gente sabe que se não resolver por aqui, o Metro pode acionar o TST [Tribunal Superior do Trabalho] e lá a gente sabe que a luta é para o lado do empresariado”, afirmou o dirigente.

Papel do Estado

Marcos conta que as justificativas da companhia ao informar sobre as retiradas de direitos são sempre porque a arrecadação da bilheteria diminuiu com a pandemia do novo coronavírus (Covid19).

Segundo o dirigente, o Metro passou a ser totalmente público em 2018 e desde então Dória não tem investido mais e, ainda fala que a companhia precisa ser autogerida, mas em compensação investe nas linhas 4 e 5 que são concessões.

“Só a arrecadação da bilheteria não dá mesmo, mesmo antes da pandemia já era assim. É preciso investimento do Estado para manter uma companhia como o Metrô. Mas a gente sabe que Dória continua ressarcindo as outras linhas devido a contratos de privatização, tirando da gente e dando para os bilionários que administram as linhas 4 e 5, onde os trabalhadores e as trabalhadoras também estão passando por vários ataques”, afirmou.

Covid-19

Se não bastasse a intransigência do Metrô em relação ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), os trabalhadores e as trabalhadoras da companhia vivem outro drama.

A companhia tem funcionado com 90% da capacidade e com um contingente bem menor do mais de 9 mil trabalhadores, porque mais de 250 estão afastados devido a outras doenças e serem do grupo de risco da Covid-19, e outros por terem sido contaminados pela doença e pediram afastamento.

Além disso, depois de muita briga com o Metrô, os trabalhadores estão recebendo os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para se protegerem contra a doença, mas o nível de contaminação só aumenta.

“Hoje os metroviários de São Paulo recebem uma máscara e uma luva para trabalharem pelas oito horas, mas o álcool em gel e a higienização dos vagões têm. O problema é que a contaminação só vem crescendo, hoje mais de 600 estão com Covid-19 e a categoria também teme ao vírus”, afirma Marcos.

Casos de Covid-19 no Metrô que chegaram ao conhecimento do Sindicato até 16/07/2020

- Confirmados por exame ou clinicamente: 162

- Suspeitos com sintomas: 79

- Afastado por ter tido contato com outro contaminado: 84

- 1 óbito confirmado de metroviário na ativa

- 4 óbitos de metroviários que já estavam afastados

Total de 325 afastamentos linha 1, 2, 3 e 15

Linhas 4 e 5:

Suspeitos 279; Confirmados 86; Total de 365

Total em todas as linhas do Metrô: 690