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Ato em Brasília protesta contra prisão e condenação injusta de argelina

Parlamentares e sindicalistas protestam contra prisão arbitrária de Louisa Hanoune, liderança política e sindical da Argélia. Embaixada argelina no Brasil negou pedido de audiência sobre o tema

Publicado: 25 Setembro, 2019 - 16h13 | Última modificação: 26 Setembro, 2019 - 15h06

Escrito por: Andre Accarini

CUT Brasilia
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Dirigentes sindicais da CUT, entidades filiadas, parlamentares de partidos progressistas e movimentos sociais realizam ato, na tarde desta quarta-feira (25), em frente à embaixada da Argélia, em Brasília, para exigir a libertação da líder sindical e política Louisa Hanoune, secretária-geral do Partido dos Trabalhadores da Argélia, presa e condenada injustamente em seu país.

Militante pela democracia, Hanoune foi presa no dia 9 de maio deste ano, após ser chamada a prestar depoimentos em um processo que envolve a prisão de personalidades ligadas ao ex-presidente argelino Abdelaziz Bouteflika, acusada de complô contra o Estado e o controle militar do país.

Nesta terça-feira (24), Hanoune foi julgada pelo Tribunal Militar de Blida e condenada a 15 anos de prisão por “conspiração para prejudicar a autoridade de um comandante militar” e de “conspiração para mudar o regime”. 

Júlio Turra, diretor executivo da CUT, explica que se trata “de uma prisão política em que a liderança popular foi associada ao regime combatido pelo povo argelino para justificar a perseguição”.

A manifestação em Brasília já é a segunda mobilização de movimentos progressistas brasileiros para exigir a libertação de Louisa Hanoune e cobrar o reestabelecimento da democracia no país africano.

Em 20 de julho deste ano, os deputados do PT pediram audiência com o embaixador da Argélia, Toufik Dahmani para tratar do tema, mas o pedido foi negado. Nesta quarta-feira, durante a manifestação foi feito um novo pedido e, novamente, negado.

O protesto foi organizado por uma frente formada pela CUT e entidades filiadas como a Confederação Nacional dos Trabalhadores Serviço Público Federal (Condsef), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), além de outros sindicatos e lideranças de partidos como os deputados Vicentinho, Erika Kokay e Paulo Pimenta, do PT, outros parlamentares do PDT, Rede e Psol, e movimentos sociais como o MST (Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra).

 

Movimento Hirak na Argélia

Desde fevereiro deste ano, em todas as sextas-feiras, milhares de argelinos têm ido às ruas para protestar contra o regime político do país. A Argélia é governada pela Frente de Libertação Nacional (FLN) desde 1962, após o país ter se libertado da colonização francesa.

Em 1980, uma crise seguida de guerra civil contra o radicalismo islâmico terminou em um pacto (Pacto de Roma) pelo qual foi instaurado multipartidarismo. Foram criados outros partidos, mas ainda assim a FLN continuou no poder.

Abdelaziz Bouteflika já havia anunciado que se candidataria novamente à reeleição, mas, em março de 2019, renunciou ao cargo de presidente, que exercia há 20 anos, abrindo espaço para o controle militar do país. Após sua renúncia, a ditadura instaurada na Argélia deu início a uma série de prisões de figuras ligadas ele, tanto no meio político como no meio empresarial.

Mesmo com a renúncia, a população da Argélia exige a volta da democracia ao país, com o afastamento de figuras como o general Ahmed Gaid Salah. Uma eleição havia sido marcada para junho deste ano, mas não foi realizada por falta de candidatos.

O general Salah anunciou novo pleito para 12 de dezembro de 2019, mas para o povo argelino o ideal é que haja um governo de transição que não tenha ligação com o antigo governo nem com generais e que haja eleição livre e sem suspeitas de manipulação eleitoral.

Edson Carboni, diretor da Condsef, explica que o país está sob o controle do autoritarismo que tenta impor eleições que perpetuam o atual sistema político, rechaçado pela população.

“Simples opiniões contra o regime, inclusive de personalidades conhecidas como os ‘heróis da independência da Argélia’ estão sendo motivo de prisão. É caso de Louisa Hanoune, cujo único crime foi defender e estar ao lado da população na luta pela democracia”.

História de militância

Louisa Hanoune, 65 anos, começou sua luta por democracia na Argélia aos 19 anos. Em 1982, também ficou detida por seis meses, sem nenhuma acusação formal, apenas por defender direitos sociais. Ela foi a primeira mulher a concorrer em uma eleição presidencial em um país muçulmano.

Secretária Geral do Partido dos Trabalhadores da Argélia, Hanoune já exerceu três mandatos como deputada. A campanha pela sua libertação é feita não somente no Brasil, mas também em outros 93 países, onde lideranças sindicais, políticas e sociais exigem sua libertação, além de outras lideranças consideradas presas políticas.

Louisa tem ligação com a Central Única dos Trabalhadores não apenas pela luta pela democracia no mundo mas também por participar de atividades conjuntas como o Acordo Internacional de Trabalhadores e Povos, da qual foi coordenadora.

Lula Livre - Louisa Livre

O ex-presidente Lula, também preso injustamente desde 7 de abril do ano passado, escreveu um bilhete falando que conhece a trajetória de Louisa e, por isso, não tem dúvidas em “se associar aos milhares de cidadãos que lutam pela sua imediata liberação”.