• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
MENU

Artigo

O paradoxo do governo Bolsonaro e a pandemia da Covid-19

Publicado: 14 Maio, 2020 - 00h00

Estamos entrando no terceiro mês da Pandemia de Coronavírus no Brasil. As previsões são catastróficas, para não dizer que são apocalípticas. Principalmente por que temos um governo central que demonstra verdadeiro descaso com a situação da população pela qual devia ser o primeiro a zelar e utiliza os dados frutos do isolamento para justiçar seu discurso, gerando um paradoxo.

Na contramão do que fala o presidente, o isolamento social salva vidas. E não é somente uma gripinha como afirma o próprio presidente. Mas aonde esta o paradoxo? Está nas teses de que a Pandemia, tirando o Estado de São Paulo e alguns outros poucos estados, são os mais atingidos, e a pandemia não matou muita gente é quando afirma que é uma “gripinha”, mas justamente pelo contrário, não morreram muitos por causa do isolamento social que alguns governadores e prefeitos impuseram por decretos e leis. O paradoxo se encontra justamente no fato que o isolamento social e as medidas preventivas adotadas mundialmente pelas autoridades de saúde vêm dando resultados em muitos lugares do mundo e do Brasil, onde é seguido. E isso corrobora com o discurso do presidente que tínhamos poucos casos no Brasil, ou seja, segundo diz é uma gripinha.

Mas, essa situação que esta mudando muito rapidamente, por causa do afrouxamento das regras impostas pelos governos, prefeituras e autoridades sanitárias em diversas cidades espalhadas por vários estados. Fazendo com que o Brasil ultrapassasse rapidamente muitos países em números de casos. Mesmo assim, diante deste quadro desolador o Presidente Bolsonaro insiste em não abandonar sua sandice em defender o fim do isolamento social e a retomada da economia, reforçando o discurso paradoxal contra o isolamento e colocando-o a disposição seus apoiadores mais diretos para quem quiser se apropriar dele, pois paradoxos são assim, uma coisa que acontece e é em geral diametralmente contrária, mas afirmada pela outra, tipo: “Sendo sua liberdade/Era sua escravidão, como descreve no poema o grande Vinicius de Moraes, ou num paradoxo mais conhecido por muitos que é o velho paradoxo: Quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha?

Para compreender essa situação precisamos nos debruçar sobre fazer outras reflexões importantes, o Brasil é diferente dos outros países do mundo? O fato da obediência vassala do presidente Bolsonaro ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump pode levar o Brasil a ser um dos países mais infectados do Mundo, podendo inclusive passar o próprio Estados Unidos se algo não for feito de forma muito rápida. E as iniciativas de isolamento demonstram que estávamos conseguindo o objetivo de achatar a curva pandêmica. Mas a ânsia de manter o titulo de amigo dos EUA e do presidente Donald Trump pode nos colocar num terreno arenoso de qual teremos dificuldades enormes para sair. Dificuldades que o próprio EUA tem nos dias de hoje para combater a pandemia, pelo simples fato de ter tratado o vírus sem a importância devida, mas não com o descaso de Bolsonaro, o que levou os EUA a ser o primeiro país em número de casos e também o primeiro em número de mortes pelo coronavírus.

As tentativas são tantas de acabar com o isolamento social indicado pelas autoridades sanitárias que a última do presidente Bolsonaro criou constrangimentos entre os poderes da república, pois de uma forma abrupta e sem comunicar convocou um leque de empresários que estavam em reunião com ele e, intempestivamente os convidou a atravessar a Praça dos Três Poderes e irem do Planalto bater as portas do Supremo Tribunal Federal, e o por mais incrível que pareça junto aos empresários na sua caminhada o Presidente do Planalto ao STF o presidente usava máscara de proteção, aquela mesma que ao invés de lhe cobrir nariz e a boca em outros momentos, simbolicamente lhe cobriu os olhos. Demonstrando o quão na contramão do combate a Pandemia ele se encontra.

O Presidente do STF Dias Toffoli em um gesto elegante, porem visivelmente constrangido recebeu-os, afinal estavam junto com eles nada mais nada mesmo a figura do presidente da República. Essa foi uma entre as muitas das ações em que demonstra que não esta à altura do cargo. Para implementar este ato o presidente não combinou com ninguém, nem mesmo com os próprios empresários que participavam da reunião. Alias, não é somente com relação à pandemia que o presidente não consegue ser altivo e firme em suas posições, mesmo na economia ele faz questão de sempre falar que não entende nada de economia, que sobre o tema quem resolve é o ministro Paulo Guedes, a quem ele segue com a mascará de combate a pandemia sob os seus olhos. Ou seja, é uma crença cega que o receituário econômico esta nas mãos de Guedes. E Guedes por sua vez ainda tem o apoio e o respaldo do mercado para continuar sua política de desmonte e de entrega do Estado. O Desmonte do Estado ganha um fôlego pelo simples fato que o momento político que o Brasil vive da Pandemia de Coronavírus o aparelho de Estado é quem pode dar a linha para uma saída, traumática, porém não apocalítipica. Enfim, o paradoxo de Bolsonaro com relação ao Coronavírus que se desfaz no ar, desmentido pelas mais de 12 mil vitima espalhadas pelo país, reforça a necessidade de comprimento das orientações emitidas pelas autoridades sanitárias do mundo todo, na ausência de uma vacina para conter o coronavírus, somente o isolamento social, o uso de máscara e do álcool em gel para higienizar as mãos se constituem em armas de enfrentamento da pandemia.

Esse é o entendimento da imensa maioria das centrais sindicais, sindicatos e federações que tem feito esforços hercúleos no sentido de proteger as trabalhadoras, os trabalhadores e seus direitos e benefícios históricos e também muitos dos empresários sérios e com conscientes, diferente do grande e ganancioso empresariado internacional e nacional, mas o empresariado responsável que tem clareza da necessidade de proteger vidas, pois os CNPJ’s dependem de vidas, dependem de cidadãs e cidadãos colocados em postos de trabalho decentes, para que possam fazer a economia girar e fazer o país crescer. E não como quer o Governo Bolsonaro fazer que as trabalhadoras e trabalhadores voltem ao trabalho à fórceps, e se dependesse exclusivamente dele nem o auxilio de 600 reais se concretizaria. Pois inicialmente ele era contra, depois propôs que fossem de 200 reais. O que foi modificado pela social que o Congresso sofreu por parte das Centrais Sindicais, Federações e sindicatos. Portanto o momento é de criarmos um clima menos traumático possível de saída dessa pandemia, para que depois possamos voltar a pensar num Brasil, forte que gere empregos decentes e renda para toda sua população.

Enquanto isso precisasse da construção de diálogos com a sociedade para desfazer esse suposto paradoxo do presidente Bolsonaro que de fato não existe, é apenas usado indevidamente. Afinal, o Brasil tem poucos casos de Coronavírus nas regiões que seguem as políticas e as orientações das autoridades sanitárias e onde essas políticas e orientações não são seguidas por causas dos governos, ou por causa da pouca efetividade do cumprimento do isolamento social.