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Universo trans em números: trabalho, direitos e segurança

Especial traz um resumo dos dados sobre mercado de trabalho, quais os direitos e os números da violência no país que continua sendo o que mais mata pessoas trans no mundo

Publicado: 28 Janeiro, 2026 - 17h05 | Última modificação: 29 Janeiro, 2026 - 01h09

Escrito por: Redação CUT

reprodução
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Apesar de não haver um censo oficial e exclusivo relacionado às pessoas LÇGTBQIA+, em especial, as pessoas trans, diversas pesquisas apontam uma realidade alarmantes para esta população. A violência permanece em patamares altos, o mercado de trabalho apresenta desigualdades e muitos dos direitos não são respeitados.

Veja a seguir os números que traçam um panorama da realidade população trans no país.

Violência

Liderança em Assassinatos e Estatísticas

  • Ranking Mundial: O Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas transexuais e travestis no mundo, ocupando o topo dessa lista há quase 18 anos.
  • Dados de 2025: Foram registrados 80 assassinatos de pessoas trans no ano de 2025.
  • Redução Relativa: Esse número representa uma queda de 34% em comparação a 2024, quando houve 122 crimes. Contudo, houve um aumento nas tentativas de homicídio, o que indica que a violência não diminuiu de fato.
  • Frequência: Considerando toda a população LGBT+ (incluindo gays, lésbicas e bissexuais), ocorre uma morte violenta a cada 34 horas no Brasil.

Perfil das Vítimas e Geografia da Violência

  • Perfil Social: A maioria das vítimas é composta por travestis e mulheres trans, jovens (entre 18 e 35 anos) e pessoas negras ou pardas.
  • Distribuição Regional: A Região Nordeste concentrou o maior número de assassinatos (38), seguida pelo Sudeste (17).
  • Estados Críticos: Em 2025, Ceará e Minas Gerais foram os estados com mais mortes (8 cada). Historicamente, entre 2017 e 2025, São Paulo permanece como o estado mais letal, com 155 mortes registradas.

Causas e Contexto Institucional

  • Fatores de Violência: Os crimes são motivados por um sistema que naturaliza a opressão, exclusão social, racismo e o abandono institucional.
  • Monitoramento: Os dados são coletados pela própria sociedade civil (Antra) por meio de notícias e denúncias, pois o Estado não realiza esse monitoramento de forma oficial.
  • Barreiras: A continuidade da violência é explicada pela subnotificação, descrédito nas instituições de segurança, falta de políticas públicas específicas e ausência de ações para enfrentar a transfobia.

Propostas e Recomendações

  • O dossiê da Antra sugere que o poder público e o sistema de justiça implementem propostas concretas para romper com a impunidade.
  • Há uma demanda urgente para que políticas de proteção já existentes, como as voltadas para mulheres, sejam acessíveis também para mulheres trans.

(fonte: Associação Nacional de Travestis e Transexuais – Antra; e Fórum Brasileiro de Segurança Pública)

Mercado de trabalho

Estudo inédito do Instituo de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre a população trans no mercado de trabalho formal brasileiro apresenta os seguintes dados e conclusões:

Identificação e Perfil Demográfico

  • População identificada: Por meio de uma metodologia pioneira utilizando o CPF e a Rais, foram identificadas 38,7 mil pessoas trans entre 14 e 64 anos.
  • Retificação de documentos: Cerca de 47,6% realizaram a alteração de nome e gênero entre 2023 e 2025, enquanto 45,8% possuem nome social registrado.
  • Faixa etária: A maioria (59,8%) está concentrada entre 18 e 30 anos.
  • Distribuição geográfica: O Sudeste concentra 51,1% dos registros, seguido pelo Sul com 15,9%.

Inserção no Mercado Formal

  • Taxa de emprego: Apenas 25% das pessoas trans possuem emprego formal, um índice 6,8 pontos percentuais abaixo da média da população geral.
  • Desigualdade de gênero: A participação é menor entre mulheres trans (20,7%) do que entre homens trans (31,1%).
  • Setor Público: A presença em vínculos estatutários é de apenas 5,5%, metade da proporção observada na população total.
  • Concentração setorial: Mais da metade dos trabalhadores trans está em três setores: comércio, atividades administrativas/serviços e alojamento/alimentação.

Rendimentos e Escolaridade

  • Defasagem salarial: Pessoas trans recebem, em média, R$ 2.707, o que representa um valor 32% inferior à média nacional (R$ 3.987).
  • Impacto da educação: Mesmo com ensino superior completo, profissionais trans ganham 27,6% menos que profissionais não trans com o mesmo nível de instrução.
  • Interseccionalidade: A desigualdade é agravada pela raça; uma pessoa trans preta ganha, em média, 80% do salário de uma pessoa trans branca e 26% a menos que uma pessoa preta na população geral.

Limitações e Desafios

  • Subnotificação: Os dados refletem apenas quem conseguiu realizar a retificação de nome e gênero. Estimativas da Antra indicam que mais de 60% da população trans ainda não realizou esse processo, o que sugere que as condições reais de emprego e renda podem ser ainda mais precárias.
  • Barreiras: O estudo aponta barreiras persistentes na contratação e permanência, mesmo em regiões com maior dinamismo econômico.

Direitos das pessoas trans no Brasil

  • Retificação de nome e gênero: Alteração de prenome e gênero diretamente no cartório, sem laudos, cirurgias ou autorização judicial.
  • Nome social: Uso garantido em documentos, escolas, universidades, sistema eleitoral e serviços públicos.
  • Saúde no SUS: Atendimento integral pelo Processo Transexualizador, incluindo hormonização e cirurgias de afirmação de gênero.
  • Proteção legal: Transfobia e homofobia equiparadas ao crime de racismo pelo STF (Lei nº 7.716/89).
  • Uso de banheiros: Direito de utilizar banheiros e espaços de acordo com a identidade de gênero.
  • Direitos trabalhistas: Direito ao respeito à identidade de gênero no ambiente de trabalho e à não discriminação.