TRF3 lança HQ que alerta trabalhadores sobre tráfico e trabalho análogo à escravidão
Histórias em Quadrinhos “Falsas Promessas” reúne histórias inspiradas em relatos reais e mostra como ofertas de emprego podem esconder situações de aliciamento e exploração
Publicado: 31 Agosto, 2026 - 13h41 | Última modificação: 31 Agosto, 2026 - 13h54
Escrito por: Redação CUT
Uma oferta de emprego com salário atraente, a promessa de uma vida melhor ou a possibilidade de trabalhar em outra cidade ou país podem parecer oportunidades para mudar de vida. Em alguns casos, porém, essas propostas escondem redes de tráfico de pessoas e exploração do trabalho escravo.
Para alertar trabalhadores sobre os riscos do aliciamento, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) lançou as histórias em quadrinhos (HQ) “Falsas Promessas”. A publicação conta três histórias inspiradas em relatos reais e mostra como propostas aparentemente vantajosas podem levar pessoas a situações de exploração.
As personagens Henrique, Patrícia e Célia têm perfis diferentes, mas enfrentam uma situação semelhante: todos são atraídos por supostas oportunidades de trabalho. O que parece uma chance de melhorar de vida esconde armadilhas que podem resultar na perda de liberdade e na exploração.
A escolha da linguagem dos quadrinhos busca tornar o alerta mais acessível. O roteiro é original e foi inspirado em situações reais. As ilustrações foram produzidas com inteligência artificial, sob coordenação humana.
Aliciamento pode começar com uma oferta de emprego
O tráfico de pessoas pode ocorrer por diferentes meios e ter diversas finalidades de exploração. No caso dos trabalhadores, o aliciamento pode começar com uma oferta de emprego, uma promessa de salário maior ou a possibilidade de mudança para outro local.
Depois do deslocamento, a realidade pode ser muito diferente daquela apresentada pelo aliciador. Entre as situações enfrentadas pelas vítimas estão jornadas exaustivas, condições degradantes, restrição de liberdade e outros mecanismos de coerção.
Por isso, reconhecer sinais de alerta antes de aceitar uma proposta pode ajudar a evitar situações de exploração. Informações pouco claras sobre o empregador, o salário, o local de trabalho ou as condições da contratação exigem atenção.
O enfrentamento do problema também depende de fiscalização, responsabilização dos exploradores e proteção das pessoas submetidas à exploração. A informação é uma das ferramentas para reduzir a vulnerabilidade de trabalhadores diante de falsas promessas.
Estimativas de organismos humanitários citadas pelo TRF3 apontam que, até 2024, mais de 40 milhões de pessoas são vítimas de diferentes formas de exploração no mundo.
Exposição mostra como funciona o aliciamento
A campanha de conscientização do TRF3 também inclui a exposição “Tráfico de pessoas: um crime que você não vê”, que voltou a ocupar o hall do edifício-sede do tribunal, na Avenida Paulista, em São Paulo.
A temporada da mostra começou em 30 de julho de 2025, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) como Dia Mundial de Combate ao Tráfico de Pessoas, e vai até 4 de setembro.
A exposição apresenta informações sobre o conceito de tráfico de pessoas, formas recorrentes de aliciamento, finalidades da exploração, perfil das vítimas e principais países de destino. Também aborda o uso da internet nesse processo.
Uma projeção interativa reproduz situações suspeitas, como ofertas de emprego no exterior e promessas de melhoria de vida. A proposta é ajudar o visitante a identificar sinais que podem indicar uma tentativa de aliciamento.
A mostra é uma iniciativa da Comissão de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo da Justiça Federal da 3ª Região (CETRAPTE-JF3R), em parceria com a Comissão de Gestão de Memória da Justiça Federal da 3ª Região (Cogem), a Assessoria de Comunicação Social do TRF3 (Acom) e a Defensoria Pública da União (DPU).
A exposição “Tráfico de pessoas: um crime que você não vê” pode ser visitada de segunda às sextas das 11h às 19h, no hall térreo do edifício-sede do TRF3, na Avenida Paulista, 1.842, em São Paulo. Entrada gratuita.
O HQ também é gratuito para download. Par abaixar clique aqui.