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Três policiais penais do DF viram réus por torturar o ativista Rodrigo Pilha

De acordo com a denúncia do Ministério Público, um dos policiais agrediu o ativista com golpes de cassetete e chutes

Publicado: 17 Setembro, 2021 - 14h47 | Última modificação: 17 Setembro, 2021 - 14h50

Escrito por: Redação CUT

Reprodução
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Três policiais penais viraram réus por decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) pela prática de tortura contra o ativista Rodrigo Grassi Cadermatori, conhecido com Rodrigo Pilha. Ele foi agredido fisicamente e psicologicamente pelos militares após estender uma faixa com os dizeres "Bolsonaro genocida" no Distrito Federal, em 18 de março deste ano.

À época, cinco militantes foram levados à Polícia Federal com base na Lei de Segurança Nacional e três deles foram liberados no mesmo dia, mas Rodrigo Pilha continuou detido por ser acusado de outros crimes.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, um dos policiais agrediu o ativista com golpes de cassetete e chutes. O outro é acusado de jogar bombas de efeito moral dentro da cela onde Pilha estava preso com outros dez internos.

A CBN, que teve acesso ao relatório da denúncia do MP, relatou que um dos agentes também teria despejado um balde de água com um saco de sabão em pó na cabeça da vítima.  A violência foi confirmada após exame feito pelo médico do presídio. Em depoimentos, outros internos que dividiram a cela com Rodrigo Pilha, também confirmaram as agressões.  

Na ocasião, o episódio foi levado à OAB-DF e à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa. O presidente da Comissão, deputado Fábio Felix, abriu procedimento no colegiado. Ele considera que a violência foi motivada por perseguição política.

Já o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Idamar Borges, afirmou que o ato demonstra despreparo do sistema penitenciário.

Tortura

Segundo relatos do próprio ativista, ele teria levado chutes nas costelas, além de tapas e socos. Um dos agentes agressores teria ainda perguntado ao ativista se ele era petista. Em relatório médico, assinado em 23 de março, Pilha se queixava de lesão contusa no membro superior direito e coxa direita.

O exame clínico constatou equimose. O diagnóstico, que integra o inquérito, é semelhante a hematomas e indica a presença de manchas na pele geralmente provocadas por traumas. Ainda segundo o jornalista da CBN, uma fonte confirmou ter visto hematomas no ativista.

Pilha cumpria a pena em regime semiaberto, apesar de uma decisão da Justiça para que ele fosse ao regime aberto.

Ainda de acordo com o ativista, a tortura aconteceu no Centro de Detenção Provisória II. No primeiro dia sob a tutela do Estado, um policial o chutou e perguntou se ele era o “vagabundo do PT”. Quando ele não confirmou, o policial o chutou novamente e o ordenou que respondesse, ao que Rodrigo teria dito: “sim”. E foi agredido novamente.