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Trabalhadores na LG Taubaté aprovam proposta que será levada para negociação no TRT

A proposta prevê cerca de R$ 37,5 milhões para as indenizações, com os valores individuais para cada trabalhador calculados com base no tempo de casa e salário

Publicado: 29 Abril, 2021 - 08h54 | Última modificação: 29 Abril, 2021 - 11h56

Escrito por: Sindimetau

Sindmetau
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Os trabalhadores e as trabalhadoras na LG de Taubaté aprovaram, em assembleia realizada nesta quarta-feira (28), uma proposta de indenização que será levada para negociação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

Desde o início do ano, o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região (Sindimetau) luta pelos direitos dos trabalhadores da divisão de celulares da fábrica que vai ser encerrada, segundo a LG porque está dando prejuizo, e também dos metalúrgicos da  linha de notebooks e celulares, que deve ir para Manaus.

Indenizações

A proposta prevê cerca de R$ 37,5 milhões para as indenizações, com os valores individuais para cada trabalhador sendo calculados segundo o tempo de casa e o salário.

Essa proposta chegou a ser apresentada pelo TRT em audiência de conciliação na Justiça realizada nesta terça-feira (27). Em um primeiro momento, não houve concordância da LG sobre valores e a sessão terminou sem acordo.

“A LG está irredutível. Ela quer que o caso vá para julgamento. Para ela, as negociações estão finalizadas. O Tribunal sugeriu essa proposta e o Sindicato se colocou à disposição para trazer a proposta para apreciação dos trabalhadores. Agora, nós vamos notificar o Tribunal e a LG que essa pré-proposta foi aprovada”, explica o presidente do Sindmetau, Claudio Batista da Silva Júnior (Claudião).

Segundo Claudião, a nova proposta tem um avanço significativo em relação à anterior, que foi reprovada pelos trabalhadores no dia 23 de abril. “A proposta, ao todo, era de R$ 25,7 milhões. Agora ela está em R$ 37,5 milhões”.

Após o Sindicato notificar o TRT sobre o aval dos trabalhadores à proposta, a LG deve ter um prazo de dez dias para se manifestar no Tribunal. Além da indenização, a proposta também contempla pontos como pagamento da PLR e extensão do plano médico.

Segundo Edilene Toledo, funcionária na LG, os trabalhadores estão confiantes de que a nova proposta avance nas negociações no TRT. “Acho que contemplou a maioria aqui. Nós que somos do chão de fábrica, achamos que ficou numa média boa para gente. O que a gente tem que esperar agora é o cálculo dos valores para cada funcionário”, comenta.

Enquanto o caso é discutido no TRT, a greve na LG continua, com vigília dos trabalhadores 24 horas na porta da fábrica.

Entenda o caso

Em janeiro deste ano começaram a circular informações no mercado e na imprensa sul-coreana sobre uma possível venda da divisão de celulares da LG. O Sindicato acionou a empresa, mas recebeu ofícios com respostas evasivas. Um pedido de reunião com o presidente da LG também não foi atendido.

Diante do cenário de incertezas, em 26 de março, os trabalhadores aprovaram o estado de greve. No dia 5 de abril, a fabricante sul-coreana disparou um comunicado onde informava o encerramento global da divisão de celulares, alegando que a área acumulava um prejuízo de 4,1 bilhões de dólares.

No dia seguinte, em reunião com o Sindicato, a empresa informou que pretende levar a linha de notebooks e celulares de Taubaté para Manaus. A LG alega que na capital do Amazonas terá terá incentivos fiscais, o que não ocorre no estado de São Paulo.

Com isso, um total de 700 empregos ficaram ameaçados na fábrica de Taubaté. Após reuniões com o Sindicato, a empresa apresentou a primeira proposta de indenização aos trabalhadores. Mas o acordo foi rejeitado em assembleia no dia 12 de abril. Os funcionários aprovaram então o início de uma greve na empresa.

No dia 19 de abril, após uma audiência de conciliação no TRT, os funcionários suspenderam a greve para retomada das reuniões com a empresa. O Sindicato iniciou uma nova rodada de negociações com a LG, resultando na segunda proposta de indenização, que foi rejeitada no dia 23 de abril.

A greve e a vigília 24 horas na fábrica foram então retomadas na segunda-feira (26). Nesta terça-feira (27) foi realizada uma nova audiência de conciliação no TRT, que terminou sem acordo.