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Trabalhadores dos Correios tentam barrar privatização no Senado

Senadores de diferentes correntes políticas prometem à Fentect barrar a privatização dos Correios, aprovada na Câmara. Sindicato busca apoio da população com propaganda na TV

Publicado: 24 Agosto, 2021 - 16h34 | Última modificação: 24 Agosto, 2021 - 16h48

Escrito por: Rosely Rocha

SINTECT - MG
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A luta contra a privatização dos Correios, a mais antiga estatal do país com 358 anos de existência, está agora no Senado Federal depois que a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) nº 591, do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), que prevê a sua venda.

Esta semana, dirigentes da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios, Telégrafos e Similares (Fentect-CUT) instalaram um comitê central na sala da liderança do PT no Senado, e visitaram diversos gabinetes de diferentes partidos políticos para expor a preocupação com o destino dos seus mais de 90 mil trabalhadores e os prejuízos que a privatização da empresa trará ao Brasil e a todos os brasileiros.

Leia mais: Entenda como a privatização dos Correios vai afetar a sua vida

Segundo o secretário de comunicação da Fentect, Emerson Marinho, além dos seis senadores do PT e outros da base progressista, se uniram contra a privatização parlamentares do bloco político do Centrão. Prometeram ajudar a barrar a privatização, senadores do Podemos, Pros, Cidadania, Podemos e MDB.

“O senador Renan Calheiros [MDB-AL], mesmo ocupado com a relatoria da CPI da Covid, prometeu que vai articular politicamente junto aos demais senadores para evitar a venda dos Correios”, conta Emerson Marinho.

O dirigente diz estar otimista com o clima encontrado dentro do Senado mais favorável a manter a empresa como pública. São necessários 41 votos, dos 80 senadores para que o projeto seja rejeitado na Casa e volte para a Câmara, onde passaria a ser rediscutido.

“Sentimos no Senado uma atmosfera diferente da Câmara com a real possibilidade de virar o jogo”, diz Marinho.

Uma nova reunião, segundo o secretário de comunicação da Fentect, está marcada para quarta-feira (25) com a bancada do estado do Amazonas. Nesta terça-feira (24), em virtude da CPI da Covid e da sabatina a que o Procurador-Geral da República (PGR), Augusto Aras, está sendo ocorrendo no Senado para aprovar ou não sua continuidade no cargo, a agenda dos senadores ficou lotada, impossibilitando as visitas.

A Fentect continua organizando os sindicatos dos trabalhadores para atravessarmos este momento difícil. Com unidade de toda categoria temos certeza que vamos vencer esses obstáculos e enterrar o projeto de privatização que pretende acabar com umas queridas empresas públicas do país
- Emerson Marinho

O dirigente se refere ao estudo do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) que mostrou que a privatização dos Correios é um péssimo negócio para o Brasil. Nele, o Dieese aponta que a instituição é a terceira na lista de admiração do povo brasileiro,  entre 2017 e 2018, ficando apenas atrás da Família, em primeiro lugar, seguida dos Bombeiros. 

Trabalhadores buscam apoio da população com propaganda na TV

Em anúncio de um minuto veiculado nacionalmente na Rede Bandeirantes de Televisão, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de São Paulo, Grande São Paulo e zona postal de Sorocaba (SINTECT-SP), Elias Diviza, explicou os motivos para a população ser contrária à venda da empresa. Entre eles, a distribuição e entrega de medicamentos, livros didáticos, provas do Enen e até vacinas, entre outras dezenas de razões para ser contra a privatização. 

Confira o vídeo do SINTECT - SP

 

Leia mais: 18 motivos para os brasileiros serem contra a privatização dos Correios 

Privatização é ilegal

A Fentect entende que a privatização  dos inconstitucional e pode ser contestada no Supremo Tribunal Federal (STF) porque fere o artigo 21 da Constituição, que determina que compete à União “manter o serviço postal e o correio aéreo nacional”.

A inconstitucionalidade da venda dos Correios também já foi defendida pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Leia mais: Venda de 100% dos Correios é inconstitucional, dizem PGR e FENTECT 

A CUT entrou nesta luta e por meio do site “Na pressão” é possível enviar mensagens aos senadores, por e-mail, WhatsApp e telefone para que eles saibam que a população é contra a venda de uma das empresas mais premiadas e eficientes do país, que tem mais de 90 mil trabalhadores e gera lucros bilionários. 

Empresa é lucrativa

Somente no ano passado o lucro dos Correios foi de R$ 1,5 bilhão. O desempenho dos Correios em retorno sobre o patrimônio líquido foi de (69,5%), o terceiro maior das estatais, à frente da Caixa (37%), do Banco do Brasil (18,1%), do BNDES (16,9%), da Eletrobras (15,1%) e da Petrobras (13,6%), segundo o último Boletim das Participações Societárias da União, com dados de 2018.

Leia mais: Correios dão lucro bilionário, mas Bolsonaro quer vender serviço público