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Trabalhadores do projeto do submarino nuclear entram em greve

É a primeira paralisação da história na empresa Amazul, que ofereceu zero por cento de reajuste aos trabalhadores. Nova Assembleia está marcada para amanhã, às 9h

Publicado: 13 Março, 2018 - 16h02

Escrito por: CUT Nacional

Reprodução
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Uma greve histórica. Assim o Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia (SINTPq) de Campinas avalia a paralisação dos funcionários e funcionárias da Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A.(Amazul), empresa que faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), da Marinha do Brasil.

As duas unidades da empresa, uma no Centro Experimental Aramar (CEA), em Iperó, região de Sorocaba, no interior de São Paulo; e a outra, instalada dentro do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, na Universidade de São Paulo (USP), na capital, paralisaram em parte, suas atividades, na manhã desta terça-feira (13).

“Para nós, a greve é histórica porque é a primeira vez que os trabalhadores decidiram, em assembleia, cruzar os braços pela reposição de perdas salariais e dizer não às tentativas de retirada dos seus direitos”, diz Márcio Martins, secretário Geral do SINTPq, de Campinas.

Segundo ele, há alguns anos era impossível uma paralisação deste porte porque os trabalhadores da empresa não têm “cultura de greve” por trabalharem em área militar.“Não vamos desanimar. É luta, e vamos fazer história”, complementa Márcio Martins.

Os 1.800 trabalhadores da Amazul reivindicam reposição do IPCA em 2,95% mais 8% de perdas salariais. A empresa, além de não oferecer nenhum reajuste, queria retirar alguns dos direitos dos trabalhadores, alegando que a reforma Trabalhista do golpista e ilegítimo Michel Temer (MDB-SP), não garante a manutenção desses direitos, que já tinham sido negociados anteriormente em acordo coletivo de trabalho.

Após negociação com o SINTPq, o Ministério do Planejamento e o   Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (DEST),  concordaram com a manutenção dos benefícios, mas mantiveram o índice de reajuste em 0%.

“A Amazul vem praticando o sucateamento dos acordos. No ano passado ofereceu metade do reajuste que havia sido acordado e este ano não ofereceu nada”, diz o secretário geral do sindicato.

A paralisação

A Justiça do Trabalhou determinou que 50% dos trabalhadores mantenham as atividades na empresa. No primeiro dia de greve, a adesão ao movimento é de 35% dos funcionários. 10% paralisaram na sede em São Paulo, e os outros 25% em Iperó.

A greve é por tempo indeterminado. Uma nova assembleia dos trabalhadores está marcada para essa quarta-feira (14), tanto em São Paulo como em Iperó, às 9h da manhã.

O outro lado

Em nota, a Amazul informou que, como empresa totalmente dependente do Tesouro Nacional, não tem autonomia para conceder reajustes nos salários ou nos benefícios oferecidos aos empregados, que devem ser autorizados pelo governo federal.

“A Amazul é dependente do Tesouro, mas cabe a ela pressionar o governo federal, exigindo recursos e um tratamento digno aos seus profissionais. Com a greve, a direção da empresa terá ainda mais força e argumentos para pressionar o governo”, argumenta Márcio Martins do SINTPq.

Sobre a Amazul

A Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. (Amazul) foi constituída em 2013 com o objetivo de promover, desenvolver, transferir e manter tecnologias sensíveis às atividades do Programa Nuclear da Marinha (PNM), do Prosub e do Programa Nuclear Brasileiro (PNB). Seu objetivo primordial é apoiar o desenvolvimento do submarino de propulsão nuclear, além de contribuir com pesquisas em radiofármacos.

O submarino nuclear brasileiro

A greve poderá impactar no desenvolvimento do submarino nuclear brasileiro, considerado estratégico no desenvolvimento científico e tecnológico do país.

A fase de integração dos quatro submarinos convencionais da Classe Riachuelo, construídos pelo Prosub, foi iniciada em 20 de fevereiro, no Complexo Naval de Itaguaí (RJ).

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