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Trabalhador sofre grave queimadura em descarga elétrica ao fazer manutenção em poste

O trabalhador de 40 anos, que presta serviço a uma empresa de telecomunicações, ficou gravemente ferido e está internado na UTI do Hospital Central de Bauru. Alerta: imagens são impactantes

Publicado: 08 Dezembro, 2022 - 15h46 | Última modificação: 08 Dezembro, 2022 - 16h08

Escrito por: Redação CUT | Editado por: Rosely Rocha

reprodução
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Em Bauru, no interior de São Paulo, um trabalhador eletricista de uma empresa de telecomunicações sofreu um grave acidente nesta quarta-feira (7), enquanto realizava um serviço de manutenção em cabos de um poste no bairro Vila São Paulo.

As chocantes imagens que circularam nas redes sociais mostram o trabalhador sofrendo uma descarga elétrica de alta voltagem ao tocar em fios de alta tensão.

Após o choque, o homem fica desacordado e sua camiseta começa a ficar em chamas provocando graves queimaduras. Pendurado no poste, ele recupera a consciência, se desvencilha das amarras do equipamento de segurança e logo após é socorrido pelos moradores que presenciaram o acidente.

Alerta: as imagens veiculadas são sensíveis. Recomenda-se precaução ao assistir o vídeo que mostra o acidente

 

O homem, de 40 anos de idade, foi levado ao Pronto Socorro Central e depois transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual na cidade. Apesar de estar consciente, o estado de saúde do trabalhador é grave. Ele teve queimaduras nas costas, no rosto e nos braços.

De acordo com testemunhas, ele presta serviços como terceirizado para a Americanet, empresa que atua com internet de fibra ótica tanto na capital paulista como em outras capitais e diversas cidades do país.

Em entrevista à Revista Fórum, um ex-trabalhador da área explicou que vários fatores podem ter causado o acidente. Entre eles a hipótese da falta de equipamentos de segurança adequados que deveriam ser fornecidos pela empresa.

Ao analisar as imagens ele apontou detalhes para embasar sua afirmação. “A escada está colocada no poste, ele lá em cima somente com o cinto que segura, sem o cone, sem amarração na corda, sem isolamento do espaço onde ele está, sem uma pessoa orientando ele", disse.

Ele afirma ainda que, na cidade, não há fiscalização para este tipo de trabalho, o que coloca ainda mais a vida dos trabalhadores em risco.

"Sei a dificuldade de cada trabalhador nessa área. Têm relatos de que a categoria de corte e religação de energia é regida pelo sindicato de construção civil, que não tem conhecimento específico da área", afirmou à Fórum.

Faltam treinamentos em empresas privatizadas e terceirizadas

Comum às terceirizações em diversos setores, trabalhadores terceirizados, muitas vezes não contam com o adequado treinamento para a realização dos serviços.

No setor elétrico, por exemplo, não são raros os casos. Somente em 2020, 162 eletricitários foram vítimas de acidentes de trabalho.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), o número caiu em 2021 para 67 acidentes por choque elétrico, ainda considerado alto.

No total, ano passado, 48 trabalhadores da área de eletricidade no país perderam suas vidas em decorrência dos acidentes.

Por outro lado, o governo de Jair Bolsonaro (PL) tentou, por diversas vezes afrouxar as regras das Normas Regulamentadoras (NRs), um conjunto de medidas que as empresas têm de aplicar para proteger os trabalhadores de possíveis acidentes. O desmonte só não foi maior por que a CUT e demais centrais conseguiram barrar a manobra do governo que contou com apoio de parte do empresariado.

Leia mais CUT e centrais barram ataques a direitos em revisão de normas regulamentadoras

Acidentes de trabalho no Brasil

Nos últimos 10 anos foram registradas 22.954 mortes em acidentes de trabalho apenas nos casos de trabalhadores formais, ou seja, com carteira assinada.

Entre 2020 e 2021, foram comunicados 1.018.667 milhão acidentes e 4.353 óbitos associados ao trabalho segundo dados atualizados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho. Em dois anos de pandemia, foram registrados 33 mil Comunicados de Acidentes de Trabalho (CATs) e 163 mil afastamentos por casos de Covid-19. Técnicos de enfermagem (35%); enfermeiros (12%); auxiliares de enfermagem (5%); faxineiros (3%) e auxiliares de escritório (3%) são as profissões que mais aparecem nos comunicados.

Já quando se torna necessário o afastamento, as ocupações mais atingidas nos últimos dois anos foram a de faxineiros (5%), vendedores de comércio varejista (4%), alimentadores de linha de produção (4%), auxiliares de escritório em geral (3%) e motoristas de caminhão (3%).