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STF deve julgar nesta 3ª recursos do MPF contra acesso de Lula a mensagens de Moro

Defesa de Lula quer usar mensagens para provar que juiz foi parcial e anular caso do triplex do Guarujá. Comitê Lula Livre pode fazer atos para pressionar pelo julgamento

Publicado: 08 Fevereiro, 2021 - 11h14 | Última modificação: 08 Fevereiro, 2021 - 11h21

Escrito por: Redação CUT

Reprodução
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Existe a possibilidade concreta de o Supremo Tribunal Federal (STF) considerar o ex-juiz Sérgio Moro parcial no julgamento do caso do tríplex do Guarujá, que condenou o ex-presidente Lula sem crimes e sem provas, mas já se especula na mídia que os ministros da Corte podem não devolver os direitos políticos de Lula que estão cassados, mesmo que condenação do ex-presidente seja cancelada.

Enquanto aguarda o julgamento, o Comitê Nacional Lula Livre deve fazer uma mobilização nacional e internacional para pressionar pelo julgamento do habeas corpus – com suspeição do Moro e derrubada da cassação dos direitos políticos de Lula. O comitê estuda fazer ações no dia 27 de fevereiro nas capitais e no exterior, com atos nas embaixadas do Brasil.

Nesta terça-feira (9), a Segunda Turma do Superior Tribunal Federal (STF) deve dar mais um passo que pode ajudar na confirmação da tese de suspeição de Moro.

Os ministros vão julgar os recursos do Ministério Público Federal (MPF) para impedir o acesso da defesa do ex-presidente Lula às mensagens da Operação Spoofing – investigação sobre o grupo de hackers que invadiu celulares de autoridades, incluindo procuradores da força-tarefa da Lava Jato, como Deltan Dallagnol e o ex-ministro Sergio Moro, que foi o juiz federal responsável pela operação no Paraná.

O pedido para o presidente da 2ª Turma Gilmar Mendes pautar o caso foi feito pelo relator do caso, ministro Ricardo Lewandowski, que determinou à Polícia Federal que entregasse as mensagens da Operação Spoofing à defesa de Lula.

O material é muito mais amplo do que o que foi divulgado pelo site The Intercept Brasil, no ano passado, na série de reportagens que ficou conhecia como Vaza Jato, numa alusão a operação que deu fama a Moro e Dallagnol e atingiu negativamente a imagem da Justiça brasileira, a Lava Jato.

Outro fator improtante a ser lembrado é que as mensagens obtidas pelos hackers foram divulgadas pelo site The Intercept Brasil meses após o início do julgamento na Corte. Antes disso, em dezembro de 2018, no início o julgamento da suspeição, Gilmar Mendes pediu vista, depois que dois ministros já tinham votado contra o pedido da defesa de Lula. O relator da Lava Jato, Edson Fachin, e Cármen Lúcia rejeitaram o habeas corpus. Faltam os votos de Gilmar, Lewandowski e Nunes Marques, ministro indicado por Jair Bolsonaro (ex-PSL).

Os diálogos entre Moro e os procuradores por meio do Telegram comprovam que o ex-juiz orientou a acusação contra Lula, o que é proibido por lei, e que a equipe de Dallagnol manteve conversas clandestinas com autoridades dos Estados Unidos e da Suíça – o que também é ilegal.

A defesa do petista pretende usar o teor das conversas para reforçar as acusações de que Moro agiu com parcialidade e encarou o ex-presidente como ‘inimigo’ ao condená-lo a nove anos e meio de prisão no caso do triplex do Guarujá e, com isso, anular o processo.