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Solidariedade marca Dia Nacional de Luta dos Trabalhadores dos Correios em greve

Para trabalhadores, o apoio e a ajuda de outras categorias foram muito importantes para seguir greve, que já dura 25 dias. Atos acontecem no mesmo dia da terceira tentativa de conciliação no TST

Publicado: 11 Setembro, 2020 - 17h33 | Última modificação: 11 Setembro, 2020 - 17h57

Escrito por: Érica Aragão

Valcir Araújo
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Ato Nacional em Brasília

A luta dos trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT)  ganhou um elemento de força nesta sexta-feira (11), no Ato Nacional em defesa dos direitos da categoria e contra a privatização da estatal: a solidariedade.

Além de representantes de 25 dos 31 sindicatos filiados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect-CUT), trabalhadores de diversas categorias engrossaram o caldo da luta e se solidarizaram com a mobilização em apoio à greve dos ECTistas, que já está no seu 25º dia.

Em Brasília, onde pela manhã aconteceu o ato principal, diversas categorias participaram da Assembleia Solidária. Além do ato político, em que representantes dos sindicatos e da CUT-DF falaram em apoio a greve e ao movimento, a solidariedade chegou também em forma de cestas básicas, que serão entregues aos trabalhadores dos Correios. A categoria teve uma redução nos salários e ainda está sem ticket refeição.

Com dezenas de pessoas vestidas com camisetas amarelas e com o uniforme dos Correios, várias faixas e cruzes espalhadas em frente, à sede dos Correios ficou pequena.

“O dia de hoje foi muito importante para nós trabalhadores dos Correios, porque foi um dia em defesa da empresa público, que é tão importante para a população, e também de apoio e solidariedade à nossa greve, que passa por um momento de reafirmação e resistência. Já são 25 dias de paralisação e os trabalhadores estão determinados em ir até o fim pela manutenção e restabelecimento dos nossos direitos”, afirmou emocionada a secretária da Mulher da Fentect e dirigente da CUT Nacional, Amanda Gomes Corsino.

A dirigente, que também é presidenta do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal e Região do Entorno (Sintect-DF), agradeceu a todas as entidades e pessoas que apoiaram a greve. “Vamos seguir firmes com a nossa luta que é justa, por direitos, empregos, contra a privatização e pelas vidas”, afirmlou.

A CUT-DF também lançou uma campanha de solidariedade em que tudo que for arrecadado será revertido em compras de cestas básicas para os grevistas. [saiba mais abaixo]

CUT BahiaCUT Bahia
Ato em Salvador

 O Ato Nacional dos Trabalhadores dos Correios faz parte do Calendário de Lutas, que começou ainda no dia 3, com um ato Nacional Unitário em Defesa dos Serviços Públicos. E acontece no mesmo dia em que ocorre mais uma tentativa de acordo numa reunião de conciliação entre Correios e Fentect no Tribunal Superior do Trabalho (TST), convocada pela relatora, ministra Kátia Arruda.

Negociação só com direitos mantidos

A negociação é impossível, avalia a categoria. De acordo com o secretário de Comunicação da Fentect-CUT, Emerson Marinho, a postura da empresa continua ser a de manter a retirada de direitos e o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), e o ministro da Economia, Paulo Guedes mandaram encerrarar um Acordo Coletivo antes da sua vigência.  Marinho ainda ressalta que a categoria só reivindica que os direitos sejam mantidos.

“Não temos expectativas devido a postura da empresa desde o início da campanha salarial. Quem nos trouxe para esta confusão no meio de uma pandemia foram o governo e o presidente dos Correios [general Floriano Peixoto] rasgando nosso Acordo Coletivo antes do fim de sua vigência”.

“Já tivemos duas audiências chamadas pelo TST e a empresa só fortalece sua decisão de tirar nossos direitos e acabar com a empresa para vendê-la. A reunião será feita para cumprir o artigo 860 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) em que pode tentar resolver a negociação. A gente sabe que este caso irá para a audiência do Dissídio Coletivo no próximo dia 21”, afirmou.

CUT e entidades filiadas

Marinho também agradeceu o apoio e solidariedade que a categoria recebeu da CUT nacional e nos estados e de grande parte dos sindicatos filiados à Fentect.  O dirigente disse foi importante a participação de representantes de diversas entidades sindicais CUTistas da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) e Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE).

“Com a participação de metalúrgicos, bancários, petroleiros, trabalhadores da educação, eletricitários, urbanitários e outras categorias os trabalhadores dos Correios se sentem mais encorajados e representados para enfrentar estes desafios. A solidariedade fortalece a luta”, disse Marinho.

Os atos nos estados

CUT CearáCUT Ceará
Ceará

No Ceará, está tendo ato em favor da greve dos trabalhadores em Correios, do emprego e contra a privatização da empresa todos os dias desta semana. Nesta sexta foi na cidade do Cariri. Participaram do ato diversas lideranças locais e contou com apoio da população juazeirense.

Em Salvador, a concentração foi no Campo Grande (praça muito conhecida), saíram em caminhada pela avenida sete de setembro. Com sol forte e muito calor, os baianos carregaram um caixão com fotos de Guedes e Bolsonaro. Outros levavam faixas com as mensagens: “Diga Não à Privatização” e “Nem Sucatear e nem privatizar: Correios público e de qualidade”.

Em Joinville, o ato em frente à sede dos Correios, os petroleiros levaram apoio aos trabalhadores em greve. Seguindo orientação da CUT nacional e juntamente com outras entidades sindicais de Joinville, a categoria denunciou para a população a redução de 40% dos salários dos trabalhadores dos Correios.

“Somente a união da classe trabalhadora e principalmente dos empregados das estatais pode livrar a sociedade do mal que as privatizações farão a esse país”, dizia legenda das fotos do ato enviado pelas entidades sindicais de Santa Catarina.

Em outros estados também foram realizados atos nesta sexta: Amazonas, Alagoas, Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte.

No interior de São Paulo também teve mobilização. Em Ribeirão Preto, os trabalhadores se reuniram na Esplanada do Teatro Pedro II, ainda pela manhã, para leitura de uma carta à população sobre os motivos que levaram a categoria a parar. No local, também houve um enterro simbólico do presidente dos Correios, do Floriano Peixoto.

"Hoje conseguimos demonstrar mais uma vez nossa força, com mais de 300 trabalhadores reunidos. Nós lutaremos até o fim, e não sairemos da greve derrotados. Este é o pensamento dos trabalhadores", afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios na Região de Ribeirão Preto-SP.

Já em São Vicente, no litoral paulista, o ato foi na Praça Coronel Lopes, também conhecida como ‘Praça dos Correios’, na região central, e reuniu lideranças de movimentos sociais e de sindicatos de diversas categorias que foram prestar solidariedade ao movimento paredista.

O ato da capital e do Rio de Janeiro em solidariedade à greve dos Correios aconteceram na quinta-feira (10).

CUT PBCUT PB
Paraíba

Luta continua

Emerson disse que já neste sábado a diretoria estará reunida para decidir os próximos passos da luta com o resultado da audiência desta sexta.

“Nós não vamos nos render, dobrar os joelhos e abaixar a cabeça, nós vamos continuar defendendo a empresa pública e nossos direitos. Vamos montar para um Calendário de Luta e vamos seguir e só vamos parar se conseguirmos manter nossos direitos”, disse Marinho.

O dirigente disse que a solidariedade recebida hoje pelos “companheiros” e a campanha de solidariedade vão dar “gás” ao movimento.

“Como tivemos nossos tickts de refeição cortado e 40% de redução na remuneração no meio de uma pandemia é muito importante esta ajuda. Vamos juntos até a vitória da classe trabalhadora”, finalizou.

Campanha de Solidariedade da CUT-DF

DOE!

CUT-DF

CNPJ: 60.563.731/0004-10

Banco: 104 - CAIXA

Agência: 002

Operação: 003

Conta: 4667-7

Veja imagens das mobilizações nos estados

*matéria editada por Marize Muniz e escrita com apoio da Fentect e das CUTs nos estados