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Socialistas vencem eleição em Portugal. PNR, de direita, teve 0,3% dos votos

Vitória do PS é destacada por colunistas como mais uma derrota de Bolsonaro, que declarou apoio ao Partido Nacional Renovador (PNR), bolsonarista de Portugal, o grande perdedor do pleito

Publicado: 07 Outubro, 2019 - 10h24

Escrito por: Redação CUT

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O Partido Socialista (PS), do primeiro-ministro António Costa, venceu as eleições legislativas realizadas em Portugal neste domingo (6). Partidos de esquerda, como o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE), podem ser chamados por Costa a renovar a "geringonça", como ficou conhecida a experiência de governo de aliança entre o PS, de centro esquerda, o PCP e o BE.

Às 22h47, com 98,98% das urnas apuradas, o PS contava com 106 cadeiras das 230 do parlamento. Quatro assentos ainda permaneciam indefinidos. Sem a maioria absoluta de 116 parlamentares, Costa acenou com a possibilidade de articular uma nova aliança à esquerda para formar o governo.

A vitória de Costa vem sendo destacada por colunistas como mais uma derrota do capitão reformado Jair Bolsonaro (PSL), que declarou apoio ao Partido Nacional Renovador (PNR), bolsonarista de Portugal, o grande perdeor do pleito. Segundo o colunista Bernardo Mello Franco, do Globo, o PNR declarou apoio à candidatura do capitão no Brasil e  espalhou cartazes comemorando sua vitória. "Agora falta em Portugal", diziam os anúncios.

Os portugueses, que acompanham os ataques aos direitos sociais e trabalhistas, as grosserias e falta de medidas do governo Bolsonaro para combater a crise econômica do país, que tem taxas altas de desemprego e de emprego precário, discordaram dos políticos portugueses e deram apenas 0,3% dos votos ao PNR.

Outra sigla de extrema-direita, o Chega, alcançou apenas 1,3% dos votos, mas elegeu um deputado entre os 230 que integram a Assembleia da República, informa o colunista do Globo.

“Os portugueses gostaram da ‘geringonça'” e por isso o PS vai “procurar renovar esta solução política”, declarou, na reta final da apuração, António Costa, líder do PS.

Para a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, o resultado deste domingo é uma “derrota histórica para a direita”. Segundo ela, a legenda “manifesta a sua disponibilidade” se o PS “precisar de maioria” para a continuidade da “reposição de direitos” ou em “negociações ano a ano para cada orçamento”.

Na segunda posição ficou o Partido Social Democrata, agremiação de centro-direita, com 77 cadeiras, e em terceiro o Bloco de Esquerda, com 19.

Avanço da esquerda

Para os socialistas, o resultado significa um salto em relação às eleições de 2015. Na ocasião, elegeram 86 deputados, ficando em segundo lugar na disputa, atrás da coligação PSD-CDS, com 107 parlamentares.

À época, o resultado não foi suficiente para que a coalizão vencedora conseguisse formar o governo, já que a direita e centro-direita acabaram perdendo a maioria parlamentar. Assim, o PS formou com o Bloco de Esquerda e os comunistas o novo governo, implementando medidas que foram na contramão da austeridade financeira que levou o país ao recorde de desemprego de 17% em 2013. O novo governo adotou medidas anticíclicas como o aumento dos salários das aposentadorias, que haviam tido fortes cortes durante a crise econômica.

Diferentemente do restante da Europa, Portugal cresceu 3,5% em 2017 e 2,4% em 2018, com o desemprego se reduzindo à metade e voltando ao seu nível anterior à crise, chegando a 6,4% em julho.

“Ficou demonstrado que a aposta num modelo de coesão social e não de polarização econômica e social não é incompatível com contas públicas equilibradas. Ao contrário do que a Troika e o governo das direitas diziam, a subida do salário mínimo nacional ou das pensões mais baixas não fez aumentar o desemprego, e a devolução de direitos sociais que tinham sido cortados não conduziu, ao contrário do que apregoavam a Troika e o governo das direitas, a uma recessão econômica”, afirmou, em entrevista à RBA em 2017, o deputado do Bloco de Esquerda José Manuel Pureza.