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Sobe para 18 o número de mortos no Chile e criança de 4 anos é uma das vítimas

Os protestos contra a política de arrocho e privatizações que levaram o povo chileno à miséria continuam nesta quarta, dia em que os principais sindicatos e movimentos sociais do país convocaram greve geral

Publicado: 23 Outubro, 2019 - 17h25 | Última modificação: 23 Outubro, 2019 - 17h45

Escrito por: Marize Muniz

Javier Cabezas
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O número de mortos nos protestos do Chile subiu de 15 para 18 nesta quarta-feira (23). Entre as vítimas, uma criança de 4 anos. De acordo com o balanço feito pelo subsecretário do Interior, Rodrigo Ubilla, 4 manifestantes morreram depois de serem atingidos por disparos feitos pelas forças de segurança do país e as demais queimadas em incêndios.

Javier CabezasJavier Cabezas

A criança e um homem morreram após um motorista embriagado avançar com seu carro contra um grupo de manifestantes. A terceira pessoa morreu depois de ser golpeada na cabeça por um policial, de acordo com família da vítima. Entre os 18 mortos, há um peruano e um equatoriano.

Segundo o balanço publicado no jornal chileno La Tercera, quase mil pessoas (979) foram detidas por violência e 592 por não respeitar o toque de recolher.

Greve geral

Os principais sindicatos e movimentos sociais do Chile convocaram uma greve geral para esta quarta-feira, apesar de o presidente de extrema-direita Sebastián Piñera, ter pedido de desculpas na noite desta terça, meio que reconhecendo que a miséria do povo é resultado de sua política neoliberal e privatista.

Piñera anunciou um pacote de medidas econômicas para tentar conter o conflito social, entre elas, um aumento imediato de 20% do valor mínimo das pensões, de US$ 151 para US$ 181, o que beneficiará 590 mil pessoas, e a criação de uma renda complementar mensal para trabalhadores com salário inferior a 350 mil pesos (cerca de US$ 480). Além disso, será revogado um acréscimo recente de 9,2% na conta de luz e uma elevação de impostos sobre salários superiores a US$ 11 mil mensais.

O presidente também anunciou reduções salariais de parlamentares e restrições à reeleição. As medidas foram anunciadas após reunião com três dos seis líderes políticos da oposição, e algumas ainda dependem de aprovação dos congressistas.

Mesmo assim, a resposta dos trabalhadores foi a paralisação. "Greve! Afirmamos de maneira forte e clara: Basta de aumentos e abusos!", anunciou no Twitter a Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), o sindicato mais influente do Chile.

Reprodução TwitterReprodução Twitter

A paralisação foi convocada por várias organizações de trabalhadores e estudantes, que criticam a decisão de Piñera de colocar o país em estado de emergência e ordenar toque de recolher, além de recorrer aos militares para controlar as manifestações, incêndios e saques registrados em Santiago e outras cidades na mais grave onda de violência no Chile em três décadas.

"Demandamos ao governo restituir a institucionalidade democrática, que em primeiro lugar significa acabar com o estado de emergência e devolver os militares a seus quartéis", afirma um comunicado divulgado pelos movimentos sociais na terça-feira.

Em Santiago, os sindicalistas e trabalhadores de vários setores estão se dirigindo a Praça Itália, outros, como os portuários, devem paralisar as cidades costeiras do país.

Entenda os protestos no Chile

1 - Os protestos no Chile tiveram início quando o presidente Sebastián Piñera anunciou um aumento de 3,75% nas tarifas do Metrô, que subiram 30 pesos, o equivalente a R$ 0,17;

2 - A violência aumentou a partir de sexta-feira (18), após a repressão violenta da polícia as manifestações até então pacíficas;

3 - No sábado (19), o economista e empresário Piñera recuou e cancelou o reajuste nas tarifas de Metrô.

4 - Também no sábado, Piñera decretou estado de emergência por 15 dias. Pela primeira vez depois da ditadura militar, que entre1973 e 1990 foi responsável pela morte e tortura de milhares de chilenos, o Exército voltou às ruas do país;

5 - Os protestos continuaram com milhares de pessoas nas ruas, apesar do decreto e da forte repressão militar.

6 - O aumento da tarifa do Metrô foi o estopim que faltava para a explosão de descontentamento que amarga um sistema de capitalização da previdência que paga menos de um salário mínimo local depois de dezenas de anos de contribuição aos fundos que administram suas aposentadorias.

7 - O povo também protesta contra a privatização de serviços essenciais e básicos, como a água e luz que contribuiu tanto para o aumento de tarifas que muitos não conseguem pagar as contas.