Sindicatos de mais de 30 países manifestam solidariedade à democracia brasileira
CSA e CSI reuniram organizações sindicais das Américas e do mundo em defesa dos direitos trabalhistas e da democracia no Brasil, diante das preocupações com o avanço da extrema direita
Publicado: 15 Outubro, 2026 - 14h05 | Última modificação: 15 Outubro, 2026 - 14h08
Escrito por: Redação CUT com informações da CSA
A Confederação Sindical das Américas (CSA-TUCA) realizou na terça-feira, 13 de outubro, um Fórum Internacional com a participação de representantes sindicais de mais de 30 países, em um dia de solidariedade internacional com o Brasil e em defesa da democracia, dos direitos trabalhistas e da justiça social.
O evento reuniu representantes da CSA, da Confederação Sindical Internacional (CSI), suas organizações regionais, sindicatos globais, federações sindicais de diferentes países, movimentos sociais, o Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil e organizações parceiras.
Entre os objetivos, estimular brasileiros e brasileiras que residem no exterior a participar do processo eleitoral democrático do nosso país e compartilhar informações sobre o segundo turno.
Rafael Freire, secretário-geral da CSA, e Luc Triangle, secretário-geral da CSI, abriram o encontro enfatizando a importância da solidariedade internacional em um momento crucial para o Brasil e para as Américas como um todo.
A defesa da democracia brasileira
Em seu discurso, Antônio Lisboa, vice-presidente da CSI e secretário de Relações Internacionais da CUT Brasil, apresentou uma análise do cenário eleitoral após o primeiro turno e dos desafios para a democracia brasileira.
Ele também destacou a importância da solidariedade internacional, as mobilizações populares em curso no Brasil e as preocupações manifestadas pelo movimento sindical em relação à intervenção de atores estrangeiros e ao papel das principais plataformas digitais no debate eleitoral.
Por sua vez, Luc Triangle, secretário-geral da CSI, destacou a dimensão internacional da eleição brasileira e sua relevância para a defesa e o fortalecimento da democracia no Brasil e no mundo.
Joaquim Soriano, vice-presidente do PT Brasil, analisou o equilíbrio de poder na disputa eleitoral e expressou preocupação com o apoio que, segundo ele, candidatos de extrema direita recebem do Judiciário e de grandes empresas de tecnologia. Ele também questionou o impacto que algoritmos e plataformas digitais têm na visibilidade de candidatos de esquerda.
O movimento sindical brasileiro destaca a solidariedade internacional
Ricardo Patah, secretário-geral da UGT Brasil, expressou sua gratidão pela mobilização e solidariedade das organizações sindicais internacionais. Ele também enfatizou a importância da redução da jornada de trabalho e do debate sobre o fim do regime de trabalho 6x1, vinculando essas reivindicações à defesa dos direitos dos trabalhadores.
Cássia Buffeli, também da UGT do Brasil, argumentou que a disputa eleitoral transcende as diferenças tradicionais entre direita e esquerda e a apresentou como uma questão fundamental para a preservação da democracia e da Constituição brasileira.
As manifestações ressaltaram preocupações compartilhadas pelas entidades brasileiras e internacionais: a preservação das liberdades democráticas e a defesa dos direitos sociais e trabalhistas diante dos riscos de retrocesso.
Vozes de solidariedade da África e da Europa
O evento também contou com discursos de representantes sindicais de outras regiões, que destacaram a dimensão internacional da eleição brasileira.
Joel, da CSI África, destacou a importância da disputa para a África e o mundo, em um contexto no qual, segundo ele, recursos tecnológicos e poder político estão sendo usados para influenciar processos democráticos. Ele reafirmou a necessidade de manter a solidariedade internacional com o Brasil.
Da Espanha, Jesús Gallego, da UGT, afirmou que a eleição representa uma disputa entre democracia e fascismo e expressou sua confiança na mobilização democrática do povo brasileiro.
Também da Espanha, Félix Ovejero, da CCOO, destacou a importância do voto da comunidade brasileira residente no exterior.
Por sua vez, Jordan Ureña, secretário-geral adjunto da CSI, alertou para os riscos que o avanço da extrema direita no Brasil representa para as mulheres, a classe trabalhadora e as democracias.
Um apelo internacional para defender os direitos e a democracia
O diálogo reafirmou o compromisso da CSA-TUCA em articular a solidariedade do sindicalismo nas Américas e no mundo com as organizações brasileiras em um momento decisivo do processo eleitoral.
Para a CSA, a participação sindical internacional não pode se limitar à observação dos acontecimentos: envolve o fortalecimento dos laços entre as organizações, o apoio às lutas democráticas e a defesa dos direitos sociais e trabalhistas, da soberania dos povos e da justiça social.
Assim como as entidades sindicais brasileiras, as organizações internacionais apontaram a defesa dos direitos e da democracia como parte de sua atuação e manifestaram preocupação com o avanço da extrema direita.
Uma ampla representação sindical internacional
O encontro contou com a participação de organizações sindicais das Américas, Europa e África, incluindo federações sindicais nacionais, organizações regionais e sindicatos internacionais.
As organizações participantes incluíram:
América Latina e Caribe: Convergência Sindical (Panamá); CGT Colômbia; CUT Colômbia; CTA-T (Argentina); Central Bolivariana; CST (El Salvador); UNT (México); CONUSI e CTRP (Panamá); ASI (Venezuela); CATP (Peru); ANEP (Costa Rica); CEOSL (Equador); CNT Paraguai; CGTG (Guatemala); NSCT, Nova Central Sindical de Trabalhadores (Brasil); FUECYS e PIT-CNT (Uruguai); CMTC-CGT Paraguai; UGT Brasil; CORTE Brasil; e IDWF Brasil.
Europa: CCOO e UGT (Espanha); CGT (França); CSC (Bélgica); USO (Espanha); e IFSI-FGTB (Bélgica).
Organizações e redes sindicais internacionais: CSI; CSI-África; Sindicatos Globais, incluindo PSI e IE; ATTAL; e REDES.
A diversidade das organizações participantes expressou o alcance internacional da convocação e o compromisso do movimento sindical em coordenar ações de solidariedade e defender a democracia, a soberania e os direitos da classe trabalhadora.