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Sindesp denuncia caos provocado por terceirização no Serviço Funerário de SP

Terceirização provoca caos no Serviço Funerário Municipal de São Paulo, alerta Joãozinho, secretário de imprensa do Sindsep. Remoções de corpos estão demorando horas por incompetência de empresa contratatada

Publicado: 12 Março, 2021 - 12h35 | Última modificação: 12 Março, 2021 - 12h51

Escrito por: Redação CUT

João Santana/Sindsep
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A terceirização da mesa de trafego dos sepultamentos na cidade de São Paulo está provocando um caos no Serviço Funerário Municipal no momento em que a pandemia do novo coronavírus se agravou com uma variante mais letal e transmissível, que está lotando os hospitais e os cemitérios.

A denúncia é do diretor Executivo da CUT é do secretário de Imprensa do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep), João Batista Gomes, o Joãozinho.

De acordo com ele, os trabalhadores do Serviço Funerário denunciaram a irresponsabilidade do prefeito Bruno Covas (PSDB) de  terceirizar a mesa de tráfego dos sepultamentos na cidade no momento mais grave da pandemia.

Até 31 de dezembro do ano passado, a capital paulista registrava 15.587 mortes por Covid-19 e a cidade tinha 482.522 casos confirmados da doença. Nesta quinta-feira (11), o total de mortes desde o início da pandemia pulou para 19.353 e o de casos para 661.646 – só ontem foram registradas 440 mortes provocadas pela doença.                      

Segundo Joãozinho, com a terceirização, os sepultamentos estão sendo feitos com atrasos no recolhimento dos corpos, mais de um carro está indo aos locais para retirar o mesmo corpo e as famílias estão sofrendo ainda mais com a má gestão e confusão gerada pela falta de competência da empresa contratada.

“Ontem, o Serviço Funerário colocou para administrar os carros que fazem as remoções uma empresa terceirizada e está um caos. As remoções estão atrasando de 6 a 8 horas. A situação está a mesma nesta sexta-feira (12)”.

“Tem enterro sendo feito até às 19h e os cemitérios não estão preparados para enterrar até esse horário porque não tem iluminação. Além disso, a jornada dos sepultadores se encerra às 18 e a dos trabalhadores terceirizados, também sepultadores, que é e 8h encerra as 16h. Eles foram obrigados a ficar até às 19h sem recebem pelas horas extras”, completa Joãozinho.

“É um escárnio o que faz a prefeitura de São Paulo está fazendo com os trabalhadores e com as famílias que, na hora mais difícil de suas vidas, têm de esperar horas pelo carro para remover o corpo do ente querido”, afirma o dirigente indignado, ressaltando que nesta sexta foi na garagem e comprovou que o caos está formado.

Segundo Joãozinho, nesta quinta teve duplicidade e a empresa chegou a mandar 2 a 3 carros para buscar o mesmo corpo. “O carro chegava e o corpo já tinha sido retirado”, disse.

“Cadê o Prefeito?”, questiona o dirigente, afirmando que Bruno Covas faz coletivas de imprensa, mas não se preocupa de fato com a cidade nem com a população.

“O desmonte do serviço público funerário mostra descaso com a dor das famílias. O mesmo acontece na saúde, assistência social,  educação”, pontua Joãozinho.

“No meio do agravamento da pandemia, com aumento de mortes e contaminações, o Serviço Funerário entrou numa aventura e quem paga é a família que fica o dia todo aguardando a hora que o carro de remoção vai chegar”, critica o dirigente que pediu o apoio da imprensa para denunciar a situação, cobrar do prefeito que desaparece.

“Alguém viu o prefeito Bruno Covas hoje”, questiona Joãozinho mais uma vez, complementando: “Parece que a cidade não tem prefeito e o povo está morrendo sem UTI e esse caos no Serviço Funerário. Ele não é muito diferente do negacionista Jair Bolsonaro. Se diz a favor da ciência, mas faz a mesma coisa que Bolsonaro”.

UTIs lotadas

A taxa de ocupação dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) nas redes pública e privada da capital paulsita chegou a 84% nesta quinta-feira (11) e bateu novo recorde. Na quarta-feira (10), essa taxa era de 83%.

Há quase um mês esses números não param de crescer nos hospitais da cidade. No dia 15 de fevereiro, 67% dos leitos de terapia intensiva estavam ocupados na capital. Desde então, as internações aumentaram, e a taxa disparou.