Símbolo de soberania nacional, pix é confiável para 80% dos brasileiros
Aprovação ao sistema de pagamento instantâneo criado no Brasil é maior do que instituições como Forças Armadas, Congresso e Igreja Católica, mostra pesquisa Genial/Quaest
Publicado: 10 Agosto, 2026 - 15h58 | Última modificação: 10 Agosto, 2026 - 16h06
Escrito por: Redação CUT | Editado por: Rosely Rocha
Receber transferência de dinheiro, pagar contas na imensa maioria do comércio e fazer compras em qualquer loja, com descontos à vista, fizeram do pix, o sistema de pagamentos instantâneo, ser o mais confiável para 80% dos brasileiros e brasileiras, mostra pesquisa Genial/Quaest, divulgada pelo jornal O Globo.
O pix, desenvolvido por servidores públicos do Banco Central do Brasil (BC), lançado oficialmente em novembro de 2020, se tornou motivo de orgulho dos brasileiros, superando a confiança em instituições como a Igreja Católica (76%), Polícia Militar (75%) e Forças Armadas (70%), segundo a mesma pesquisa.
Muito mais do que as facilidades do seu uso, o pix se tornou símbolo da soberania nacional ao demonstrar que o Estado brasileiro tem a capacidade regular, supervisionar e aperfeiçoar sua própria infraestrutura financeira, em .um mundo em que grandes empresas globais de tecnologia e finanças disputam o controle sobre dados, pagamentos e serviços financeiros, possuir uma infraestrutura nacional de pagamentos instantâneos representa uma vantagem estratégica.
O Pix também mostra que inovação tecnológica não precisa ser sinônimo de dependência tecnológica. Ao contrário: o Estado pode atuar como indutor da inovação, estabelecer regras comuns e criar infraestrutura que permita a participação de empresas públicas e privadas, mantendo o interesse público como referência.
Foi graças a esse sistema instantâneo que o Pix se consolidou como o meio de pagamento mais utilizado no Brasil, superando o cartão de débito e o dinheiro em espécie. Somente em maio deste ano cerca de R$ 3 trilhões foram movimentados pelo Pix, valor equivalente a aproximadamente três vezes o PIB mensal brasileiro. Ao todo neste período foram realizadas mais de 7 bilhões de transações. Neste ano já são mais de 170 milhões de pessoas físicas que utilizaram o Pix em 2026, o equivalente a cerca de 80% da população brasileira.
Tentativa de interferência externa
Em julho de 2025 o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump anunciou a intenção de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, relacionando a medida, entre outros argumentos, ao processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do atual candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro. Trump acusou o Brasil de perseguir seu aliado político e criticou decisões do Judiciário brasileiro. A medida valeu por quatro meses.
Após a queda da primeira tarifa, o governo Trump transformou oficialmente o Pix em uma questão de política comercial americana. No mês passado o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou uma nova tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, citando entre os fundamentos da medida as questões relativas ao comércio digital e aos serviços de pagamentos eletrônicos. O governo Trump acusou o Pix de prejudicar empresas americanas como Mastercard, Visa e WhatsApp Pay, argumentando que o sistema brasileiro receberia tratamento preferencial.
O presidente Lula reagiu diretamente: “O Pix é do Brasil”, deixando claro que o governo não aceitaria que uma tecnologia criada e administrada pelo Banco Central fosse modificada por pressão externa.
Brasil não se intimida e aperfeiçoa o uso do pix
Apesar dos ataques dos EUA o Banco Central do Brasil deverá ampliar as possibilidades de utilização do Pix é o Pix Parcelado, com previsão de lançamento para novembro deste ano.
A modalidade permitirá que o consumidor faça uma compra pelo sistema de pagamentos instantâneos e divida o valor em parcelas, enquanto o estabelecimento recebe o dinheiro da venda. Na prática, porém, o consumidor estará contratando uma operação de crédito com seu banco ou instituição financeira e, por isso, poderá pagar juros.
O Banco Central não deverá estabelecer uma taxa única para o Pix Parcelado. As condições, como juros, número de parcelas e critérios para concessão do crédito, serão definidas pelas instituições financeiras. O comerciante, por sua vez, deverá receber o valor da venda de forma integral, sem precisar esperar o pagamento de todas as parcelas pelo consumidor.