Sete anos depois, acusados por rompimento em Brumadinho começam a ser ouvidos
Após impasses e recursos, Justiça Federal começa a ouvir testemunhas sobre o rompimento que matou 272 pessoas
Publicado: 24 Fevereiro, 2026 - 14h52 | Última modificação: 24 Fevereiro, 2026 - 15h23
Escrito por: Redação CUT | Editado por: Walber Pinto
As audiências de instrução do caso Brumadinho começaram nesta segunda-feira (23), sete anos após o rompimento da Barragem B1, da mina Córrego do Feijão, da Vale, que deixou 272 mortos em 25 de janeiro de 2019.
De acordo com a Justiça Federal, estão previstos 76 dias de audiências, que vão até 17 de maio de 2027. Serão ouvidas testemunhas de acusação e defesa, e, ao final, ocorrerão os interrogatórios dos réus. As sessões serão realizadas no plenário do Tribunal Regional Federal da 6ª Região, em Belo Horizonte, preferencialmente de forma presencial, com possibilidade de videoconferência.
Ao todo, 15 pessoas são acusadas: 11 ligadas à Vale e quatro à TÜV SÜD, entre engenheiros, gerentes e diretores. O ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsman, foi retirado do processo por decisão do TRF-6, mas o Ministério Público recorreu ao Superior Tribunal de Justiça.
O Ministério Público sustenta que houve homicídio doloso com dolo eventual, alegando que os acusados tinham conhecimento dos riscos de rompimento. As defesas afirmam que o desastre foi imprevisível e atribuem a causa a uma sondagem realizada pela empresa FUGRO.
Nesta etapa, a Justiça vai decidir se há indícios suficientes para que o caso seja levado ao Tribunal do Júri. Se isso ocorrer, sete jurados decidirão pela condenação ou absolvição. Em caso de condenação por homicídio qualificado, a pena pode variar de 12 a 30 anos por vítima, respeitados os limites legais de cumprimento.
A Vale informou, em nota, que mantém respeito às vítimas e reafirma o compromisso com a reparação dos danos, mas não comenta processos em andamento. A TÜV SÜD e a FUGRO foram procuradas e não haviam se manifestado até a última atualização.
A tragédia
A tragédia ocorreu quando milhões de metros cúbicos de rejeitos atingiram instalações da mineradora, áreas rurais e o Rio Paraopeba. A maioria das vítimas era de trabalhadores que estavam no refeitório e na área administrativa da empresa.
Número de desaparecidos
Duas pessoas seguem desaparecidas. O caso resultou em ações criminais e acordos bilionários de reparação, e ainda tramita na Justiça.
com informações do G1*