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Sergipe

Sindicato das Trabalhadoras Domésticas filia-se a CUT

Publicado: 26 Janeiro, 2010 - 15h33

Escrito por: CUT/SE

Natarde desta segunda-feira, 25, a Central Única dos Trabalhadores do estado deSergipe recebeu um grande reforço em suas fileiras de luta.  A direção doSindicato das Empregadas Domésticas de Sergipe- SEDS protocolou oficialmente asua filiação à CUT, no ânimo dos lutadores que se encontram nas trincheiras dodia-dia.

Asolenidade contou com a presença do presidente da Central, Ruben Marques, quefez questão de protocolar pessoalmente a ficha de filiação e dar as boas vindasà direção do SEDS. Na conversa de apresentação da CUT, o comandante Dudu, comoRuben é mais conhecido entre os sindicalistas, falou sobre a concepção sindicaldefendida pela entidade, explicou o seu funcionamento organizativo e colocoutodo o aparato da Central à disposição das trabalhadoras domésticas. "Estamos muito felizes com a chegada das companheiras e queremos fortalecer oslaços de companheirismo, mas toda filiação deve vir antes de um entendimentosobre o modelo de luta sindical que defendemos. Não queremos filiar sindicatosó por filiar" afirmou Dudu. 

Deacordo com a presidente do SEDS, Suely Maria de Fátima Santos, a aproximaçãocom a central já vinha sendo modelada há certo tempo, mas as trabalhadorasdomésticas tinham receio da filiação, tendo em vista que o sindicato não estáestruturado financeiramente.  "Nós não recebemos imposto sindical e nossacategoria é muito pauperizada, nem jornalzinho a gente conseguiu rodar, nunca.Não sabíamos se e gente poderia se filiar ou não, já que não tínhamosfinanças", confessa Suely.  Em resposta, o presidente da CUT garantiu quenão há problema algum no plano burocrático, reforçando a concepção de lutasindical defendida pela central. "A gente está aqui é pra fazer luta. Nãoqueremos saber qual a quantia de contribuição do sindicato, isso aqui não éempresa. Quem puder dar mais ótimo, quem não puder recebe ajuda dos outroscompanheiros", afirmou Dudu.

Domésticas:Exploração dentro de casa
Asituação das trabalhadoras domésticas está estampada na cara de todos osbrasileiros, mas pouco se fala na defesa e na organização desta categoria detrabalhadores. Dos 33 direitos trabalhistas previstos na Constituição federal,as trabalhadoras domésticas só podem gozar de oito. A categoria não tem jornadade trabalho, seguro desemprego, o FGTS é opcional por parte do contratante enão pode adquirir hora-extra, dentre uma série de privações.

Oscasos de assédio moral e abuso sexual são constantes no serviço doméstico, masmuitas trabalhadoras têm receio de denunciar sob a iminência de perder oemprego. A grande maioria não possui nível médio completo e o quadro deanalfabetismo é gritante. Como se não fosse o bastante, muitas vezes estasmulheres não são vistas como trabalhadoras. "Muitas vezes as domésticas sãotratadas como alguém da família ou como parte da mobilha, não comotrabalhadoras. Como é que você vai reivindicar alguma coisa para alguém quevocê considera da sua família? Muitas companheiras entram neste conflito",denuncia Suely.

Outroponto que aflige a relação de trabalho no serviço doméstico é o isolamento, oque dificulta a articulação e a troca de experiências. "A doméstica está alisozinha, de cara com o patrão, aí o medo de reclamar e protestar é maior.Quando a gente sente que está sozinho tudo fica mais difícil" desabafou.

Diante das dificuldadesestruturais e financeiras, o SEDS funciona na Casa da Doméstica, um prédio quepresta assistência às trabalhadoras construído na época de Dom José VicenteTávora, quando este estava à frente da Diocese Metropolitana de Aracaju. "Mesmocom todas as dificuldades a nossa luta deve continuar. Esperamos que a nossaentrada na CUT-SE contribua para o fortalecimento do sindicato,  quepossamos colaborar para um olhar mais aprofundado sobre o nosso trabalho",afirmou a sindicalista.