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Senado vota nesta terça (19) projeto que prevê adiamento do Enem

Pressão aos senadores ocorre nas redes sociais. Estudantes exigem que prova seja adiada, já que milhões de pessoas não têm como se preparar para o exame durante a pandemia do coronavírus

Publicado: 19 Maio, 2020 - 14h36

Escrito por: Redação CUT

arte: Sinproesema
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Na tarde desta terça-feira (19), às 16h, será votado no Senado o Projeto de Lei (PL) 1277/2020, da senadora Daniella Ribeiro, que prevê a prorrogação de exames para acesso ao ensino superior em situações de calamidade pública reconhecida pelo Congresso Nacional ou de eventos que comprometam o funcionamento regular das instituições de ensino.

Na votação, os senadores do PT apresentarão emendas que estabelecem, especificamente, o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, enquanto durar a pandemia.

A realização do Enem, ainda em 2020, é uma obsessão para o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), em particular para o ministro da Educação, Abraham Weintraub, que insiste em manter o calendário, desprezando o fato de que o ensino dos milhões de estudantes brasileiros que querem ingressar em uma universidade está afetado.

A mobilização para pressionar o Senado a aprovar o projeto está sendo feita pelas redes sociais com a hashtag #AdiaEnem. A ação é liderada pela União Brasileira dos Estudantes Secudaristas (Ubes) e pela União Nacional dos Estudantes (UNE).

Para esta mobilização foi criada a página “Sem Aula, Sem Enem” na internet, pela qual todos pode pressionar os senadores. Acesse aqui

Insistência excludente

A pandemia do coronavírus dificultou ou até impediu ao acesso à educação de milhares de jovens que não tem plano de internet, celular ou computador em casa e quando têm os planos são baratos e o sinal é ruim. Cerca de 33% dos domicílios brasileiros não têm nenhum acesso internet e 58% não têm nem mesmo acesso a computadores.

Aulas foram suspensas e os governos optaram pelo ensino à distância, sem levar em condição a acessibilidade. O resultado é que muita gente ficou para trás e não tem sequer como se preparar para o Enem.  

O ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, considera que realizar um exame nas condições atuais, com todos os impactos da pandemia do coronavírus “é como caçar o passaporte das pessoas. É impedir que o jovem possa sonhar com um futuro melhor para ele e sua família”.

Haddad afirmou em videoconferência mediada pelo ex-presidente Lula, realizada no dia 11 de maio, que entende a angústia dos estudantes. “Considero justa a reivindicação de quem tem essa preocupação, de necessidade de adiamento”, disse o ex-ministro. Para ele, é necessário tempo para que todos possam se preparar. 

A secretária de Juventude da CUT, Cristiana Paiva Gomes, afirma que esse não é o momento de manter as datas planejadas anteriormente para o cronograma do ENEM.

“É a hora de destinar esforços para construir soluções capazes de preservar os empregos, a renda e a vida do povo brasileiro em meio à pandemia e de encontrar saídas coletivas e responsáveis para que a juventude do Brasil não sofra um trauma e veja seu futuro prejudicado.

Cristiana ainda diz que Bolsonaro e seu ministro da Educação não podem “abalar os sonhos da juventude brasileira”.

“Os jovens, hoje, vivem um momento de absoluta angústia por ter de se dividir entre trabalhar e ajudar na renda da família, dadas as condições de precarização do trabalho em meio à crise e, mantendo o ENEM, o governo faz o de sempre, ignora a desigualdade social do país que está cada dia maior por falta de políticas públicas deste governo”, conclui a dirigente.