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Senado debate falta de insumos para agricultura em 2022 e risco de faltar alimentos

Brasil importa quase 100% dos fertilizantes nitrogenados, essencial para a agricultura, depois que governo Bolsonaro fechou Fafen e parou produção em outras fábricas brasileiras

Publicado: 28 Outubro, 2021 - 10h56 | Última modificação: 28 Outubro, 2021 - 11h02

Escrito por: Redação CUT

Reprodução
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A ameaça da falta de insumos para o plantio da safra 2021/2022, que pode contribuir com a escassez de alimentos no país no ano que vem, está sendo discutida nesta quinta-feira, (28) pelos senadores da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).

O mercado brasilleiro, que importa a maior parte dos fertilizantes nitrogenados, sofre as consequências do  desabastecimento desse insumo, essencial para a agricultura, e da alta dos preços do petróleo e do gás natural, matérias-primas para fertilizantes de  quase todos os grupos.

Decisões do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) tornaram o cenário nacional ainda mais caótico. O governo mandou fechar a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) no Paraná, decidiu não concluir a fábrica do Mato Grosso do Sul, e mandou paralisar as atividades em outras duas fábricas, uma em Sergipe e outra na Bahia, para depois arrendá-las.

Com isso, o Brasil se tornou 100% dependente de outros países e hoje importa fertilizantes da China, que sofre com a crise de energia, da Ucrânia e da Lituânia, além de outros países que já anunciaram redução e até interrupção na produção por causa do aumento dos custos.

Audiência pública

A audiência pública que o Senado realiza nesta quinta foi requerida (RQS 12/2021) pelo senador Zequinha Marinho (PSC-PA). De acordo com o parlamentar, nos últimos meses, sugiram informações de sojicultores sobre atrasos na entrega, e até mesmo de cancelamento, de contratos e de pedidos de compra de fertilizantes e defensivos, entre eles do herbicida glifosato, um dos mais utilizados do planeta.

Zequinha Marinho alertou também que o atraso na aplicação destes insumos nas lavouras de soja pode reduzir o período adequado para o cultivo do milho da safra verão, isso levaria a uma alta de preços em produtos como carne, ovos, leite e derivados.  

Foram convidados para a audiência semipresencial: o deputado federal, Sérgio Souza, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária; Pedro Paulo Dias Mesquita, Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME); Christian Lohbauer, presidente da CropLife Brasil: Antônio da Justa Feijão, geólogo e Presidente da Fundação Amazônica de Imigrações de Meio Ambiente (Finama); e Cláudio Zancanaro, da Companhia Norte de Navegação e Portos (Cianport).