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Senado da Argentina rejeita projeto para despenalizar aborto

Texto já havia sido aprovado na Câmara dos Deputados do país, em junho, e provocou divisões no governo e na oposição. Defensores da descriminalização estudam apresentar projeto alternativo

Publicado: 09 Agosto, 2018 - 10h45 | Última modificação: 09 Agosto, 2018 - 15h11

Escrito por: Redação RBA

CAMPANHA NACIONAL PELO DIREITO AO ABORTO LEGAL E SEGURO / REPRODUÇÃO
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Após quase dezesseis horas consecutivas de debates, o Senado da Argentina rejeitou, na madrugada desta quinta-feira (9), por 38 votos a 31, o projeto de lei que propunha a descriminalização do aborto no país até a 14ª semana de gravidez. Foram registradas uma ausência e duas abstenções. Para ser aprovado, o projeto precisava do apoio da maioria simples, ou seja, 37 dos 72 senadores. O texto já tinha sido aprovado na Câmara dos Deputados do país, em 14 e junho, com 129 votos a favor e 125 contrários.

O debate sobre o tema provocou divisões no cenário político do país, dentro do governo e também na oposição. A votação no Senado foi apertada e marcada por uma série de protestos pelas ruas da Argentina, com manifestantes fazendo campanha pró e contra o aborto. Com a decisão, a legislação do país sobre o aborto permanece a mesma: a prática segue sendo considerada criminosa e pode ser punida com até quatro anos de prisão. As exceções são os casos de gravidez decorrente de estupro ou quando há riscos para a mãe.

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O tema só poderá ser apresentado novamente ao Congresso daqui a um ano. Mas os senadores que defendem a descriminalização estudam trazer para a Casa um projeto alternativo, da senadora Lucila Crexell, que prevê a despenalização do aborto até a 12ª semana de gravidez.

O assunto provocou uma série de debates na Argentina. Líderes da Igreja Católica, como o próprio papa Francisco, originário de Buenos Aires, pronunciaram-se contrários ao projeto.

Na América Latina, apenas Cuba e Uruguai autorizam a interrupção da gravidez sem restrições. Em outros países, como o Brasil, o aborto é permitido em caso de risco para a mulher, estupro ou má formação do feto.

Ao fim da votação no Senado, foram registrados confrontos e protestos violentos na Avenida Rivadaria, em Buenos Aires, entre apoiadores do aborto e manifestantes contrários. A polícia usou gás lacrimogêneo contra cerca de 30 pessoas e uma ficou ferida.

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