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Sem vacina e com um governo incompetente, Brasil enfrenta piores dias da pandemia

Brasil é o único país do mundo que ainda apresenta crescimento acelerado do novo coronavírus. Enquanto isso, Bolsonaro anda de lancha no litoral provocando aglomerações e desrespeitando o isolamento social

Publicado: 17 Fevereiro, 2021 - 11h45 | Última modificação: 17 Fevereiro, 2021 - 11h48

Escrito por: Walber Pinto

Secom Acre/Divulgação
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Em meio à falta de vacinas contra a Covid-19, um ministro da Saúde encurralado pela Polícia Federal e um presidente negacionista, Jair Bolsonaro (ex-PSL), que está mais preocupado em armar a população do que imunizar, o Brasil enfrenta um dos piores momentos na pandemia do novo coronavírus.

Próximo de 10 milhões de casos da doença, o Brasil é o único país do mundo que ainda apresenta crescimento acelerado do vírus, de acordo com estudo publicado pelo Imperial College de Londres, nesta terça-feira (16), dia em que o país ultrapassou a marca de  240 mil mortes pela Covid e o total de brasileiros infectados chegou a 9.921.339.

A universidade divulga análise semanal dos casos confirmados e mortes ocorridas em virtude da Covid-19 em 79 países. Com base no estudo, os cientistas estimam que a taxa de transmissão, o chamado de Rt, para o próximo período no Brasil é de crescimento.

Nesta quarta-feira (17), o país completa um mês de vacinação contra a Covid-19, mas já faltam imunizantes em vários estados. A  vacinação continua sendo palco de disputas políticas, debates, investigações, fura-filas, falsas aplicações e doses perdidas. São alguns dos escândalos que marcaram o primeiro mês de vacinação no país.

Não bastasse tudo isso, há incertezas para novas aquisições e a interrupção da imunização por ausência de vacinas em meio à nova cepa mais transmissível e agressiva que já se espalhou em pelo menos 11 estados da federação. Mais de 5,2 milhões de brasileiros tomaram pelo menos a primeira dose dos compostos, o que representa menos de 3% da população do país. É um número muito baixo para uma população com mais de 210 milhões de habitantes.

Enquanto isso, Jair Bolsonaro foi à praia andar de lancha, sem máscara, chamar a atenção e descer para cumprimentar as pessoas, provocando aglomerações, fazendo tudo o que não é recomendado por autoridades sanitárias para evitar transmissões do coronavírus.

Como está a vacinação

O Brasil é atualmente o sexto país do mundo que mais aplicou doses de vacinas contra Covid-19, segundo dados disponíveis nesta terça-feira (16) na plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford. Em primeiro lugar, aparecem os Estados Unidos (52,9 milhões), seguidos da China (40,5 milhões), Reino Unido (15,8 milhões), Índia (8,72 milhões) e Israel (6,6 milhões).

Quando é observado o total de vacinações por 100 mil habitantes, o Brasil aparece em 14º lugar, atrás de Rússia, China, França, Alemanha, Turquia, Itália, Espanha, Chile, Bahrain, Estados Unidos, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos e Israel.

Prefeituras ameaçam suspender vacinação

Prefeituras começaram a suspender a vacinação contra o novo coronavírus por causa da falta de doses nos estoques. O Ministério da Saúde promete novos lotes de imunizantes só na semana que vem.

Nem o ritmo lento da vacinação no país evitou que os estoques chegassem ao fim. Sem doses suficientes, a Prefeitura do Rio anunciou que vai suspender a vacinação a partir desta quarta-feira (17).

Cuiabá parou a vacinação dos idosos e só está vacinando os profissionais de saúde que precisam receber a segunda dose.

Já na Bahia, mais de 80 cidades já estão sem vacina para continuar a imunização do grupo prioritário. Em Salvador, as doses acabaram nesta terça (16) para quem seria imunizado pela primeira vez.

Em Curitiba, a prefeitura diz que não tem mais doses para convocar novos grupos de idosos a partir da semana que vem.

A Frente Nacional de Prefeitos divulgou nota em que cobra o governo federal e o Ministério da Saúde. "É urgente que o país tenha um cronograma com prazos e metas estipulados para a vacinação de cada grupo”, diz trecho da nota que também critica os "sucessivos equívocos do governo federal na coordenação do enfrentamento à Covid-19”.

Toque de recolher na Bahia

Com o crescimento exponencial de casos da Covid-19 nos últimos dias, o governador da Bahia, Rui Costa (PT) decretou toque de recolher entre às 22h e 5h na maior parte do território baiano a partir desta sexta-feira (19).

De acordo com o decreto, a circulação de pessoas nas ruas e o funcionamento de serviços não essenciais serão proibidos neste horário em toda o estado, exceto nas regiões oeste, de Alagoinhas, Irecê e Jacobina, que apresentam os três menores índices de ocupação de leitos para Covid-19 no estado.

O anúncio foi feito pelo governador Rui Costa na tarde desta terça-feira (16), após uma reunião com prefeitos e técnicos da secretaria de Saúde. O decreto valerá inicialmente por sete dias.

Segundo Rui, a decisão ocorre por causa da alta taxa de ocupação dos leitos de UTI no estado, seguindo uma apresentação de técnicos da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) mostrando que a Bahia alcançou uma taxa de 74% de ocupação dos leitos de UTI dedicados para atender pacientes com casos mais graves de Covid-19.

Nesta terça-feira, de acordo com dados da Secretaria Estadual da Saúde, a Bahia registrou 3.849 novos casos de Covid-19 nas últimas 24 horas. O estado acumula mais 630 mil casos da doença e mais de 10 mil mortes desde o início da pandemia.

Estados

Nove estados estão com alta na média de mortes. Roraima e Pará registraram as maiores altas. Em estabilidade, temos o Distrito Federal e 13 estados. Em queda, são apenas quatro estados. Tocantins (-26%) e Paraná (-46%) tiveram as maiores quedas.

Com informações do Consórcio de Imprensa e portais de notícias de jornais comerciais e de universidades.

 

Com informações de Agências