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Sem dinheiro, metade dos brasileiros não pretende comprar presentes no Dia dos Pais

Queda da renda provocada pela informalidade e desemprego são os motivos mais aparentes para queda no número dos que pretendem dar presentes, diz presidente da Contracs

Publicado: 06 Agosto, 2021 - 16h31 | Última modificação: 06 Agosto, 2021 - 16h34

Escrito por: Andre Accarini

Fernando Frazão/Agência Brasil
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Edição: Marize Muniz

Apesar de o governo federal anunciar uma retomada do crescimento econômico, o setor de comércio e serviços trabalha com uma expectativa de redução nas vendas para este Dia dos Pais. É o que aponta a pesquisa nacional de intenção de compras, encomendada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). De acordo com o levantamento, quase metade dos consumidores (48,4%), afirmaram que não presentarão os pais este ano.

A queda do poder de compra aliada aos altos preços dos produtos ou ainda a falta de renda provocada pelo desemprego, que atinge quase 15 milhões de brasileiros, podem ser os principais motivos para os ‘papais’ fiquem sem presente em 2021.

De acordo com Julimar Roberto, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Comércio e Serviços (Contracs-CUT), a situação do povo brasileiro é “drástica e não chegou a esse ponto somente em decorrência da pandemia”.

A chegada da pandemia da Covid19, ele diz, agravou os indicadores de emprego e inflação. Além disso, o dirigente cita a queda do valor do auxílio-emergencial pago a trabalhadores informais e desempregados, que no ano passado era de R$ 600 e este ano caiu para, em média R$ 150, e cerca de 30 milhões de pessoas deixaram de receber o benmefício.  

“Isso não contribuiu em nada para a melhoria de uma situação que já estava caótica”, diz Julimar.

Ele explica que a recessão aprofundada após o golpe de 2016, contra a presidenta Dilma-Rousseff, além das políticas econômicas dos governos posteriores (Michel Temer e Jair Bolsonaro) dobraram as taxas de desemprego e ampliaram a informalidade, o que resultou em queda de renda para os trabalhadores.

No caso específico do setor de comércio e serviços, ele prossegue, o segmento já vinha sofrendo com as mudanças tecnológicas que impactam nos postos de trabalho e gerando o desemprego.

Outro ponto a ser considerado para avaliar o motivo de haver menos pessoas comprando, de acordo com o dirigente, é a reforma Trabalhista em 2017 e a aprovação de outras leis que legalizaram a precarização das relações de trabalho, “incentivando postos de trabalho de baixa qualidade, ampliando a vulnerabilidade e a insegurança no emprego, suprimindo direitos e arrochando salários”.

“Este cenário dramático reduziu drasticamente o poder de compra do brasileiro, fazendo com que datas, como o Dia dos Pais, não sejam mais sinônimos de geração de trabalho e renda”, inclusive no próprio comércio.

Se o comércio não vende, não contrata. Se o trabalhador não é contratado, não recebe e não compra. É um círculo vicioso que está longe de ser resolvido
- Julimar roberto


Outros dados

De acordo com reportagem da Agência Brasil, a pesquisa aponta ainda 19,4% das pessoas entrevistas ainda estão pensando se vão presentear.

Outros 32,2% dos entrevistados têm a intenção de presentear os pais neste ano. Nos anos anteriores, o índice foi de mais 60%.

Os itens mais citados pelos entrevistados, como possíveis presentes foram perfumes (35,3%), relógios (18%), almoço em restaurante (16,2%), chocolate (4,1%), celular (14%) e canecas (14%). Para os presentes ‘mais caros’ como os celulares, a maioria (74,5%), disse ter intenção de parcelar o pagamento.

A pesquisa foi realizada ouvindo 1.670 pessoas em todas as regiões do pais.