• Kwai
MENU

Salário voltou a comprar mais alimentos depois de 2023

Valorização do mínimo, geração de empregos e retomada do Bolsa Família aumentaram a renda disponível, embora a comida ainda pese no orçamento

Publicado: 22 Setembro, 2026 - 09h53 | Última modificação: 22 Setembro, 2026 - 10h01

Escrito por: Redação CUT | texto: André Accarini

Secom | IA
notice

Olhar apenas para o preço marcado na prateleira não mostra toda a situação vivida pelas famílias. Para saber se a alimentação está mais ou menos acessível, também é preciso observar a renda e quanto cada salário consegue comprar.

Essa é uma parte da discussão que a extrema direita costuma esconder. A comida ainda está cara porque os valores atuais partem de um patamar elevado, formado pelos sucessivos aumentos registrados no governo Bolsonaro. Isso, porém, não significa que o poder de compra continue seguindo a mesma trajetória daquele período.

Desde 2023, o salário mínimo voltou a ser reajustado acima da inflação. Trabalhadores, aposentados e beneficiários vinculados ao piso nacional passaram a ter ganho real.

A diferença ajuda a explicar por que preço e poder de compra não são a mesma coisa. Um alimento pode continuar custando caro, mas comprometer uma parcela menor da renda quando os salários crescem acima da inflação.

Leia mais: O que a direita não conta sobre os preços dos alimentos

Exemplo em números reais

Veja abaixo a trajetória de elevação do salário mínimo. É notável a diferença de reajustes entre os governos de Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Somente no último o salário voltou a ter reajustes com aumento real acima da inflação.

Esses reajustes são usados como base cálculo para várias negociações salariais e, em especial, para o reajuste das aposentadorias. Flavio Bolsonaro, em seu plano de governo, prevê desvincular do salário mínimo os aumentos dos benefícios.

 

Ano de Vigência

Valor do Salário Mínimo

2018

R$ 954,00

2019

R$ 998,00

2020 (Janeiro)

R$ 1.039,00

2020 (Fevereiro)

R$ 1.045,00

2021

R$ 1.100,00

2022

R$ 1.212,00

2023 (Janeiro)

R$ 1.302,00

2023 (Maio)

R$ 1.320,00

2024

R$ 1.412,00

2025

R$ 1.518,00

2026 (Atual)

R$ 1.621,00

2027 (Projeção)

R$ 1.741,00



Emprego e programas de renda

A recuperação não se limita ao valor do salário mínimo. A geração de empregos formais, a redução do desemprego e a retomada do Bolsa Família também ampliaram a renda disponível para alimentação.

Essas políticas não alteram diretamente a etiqueta encontrada no supermercado. Mas determinam se uma família consegue comprar os produtos de que necessita e quanto do orçamento ficará comprometido com as despesas básicas.

Os números mostram também uma desaceleração dos reajustes. A inflação média anual da alimentação em casa caiu de 13,2%, entre 2020 e 2022, para 3%, entre 2023 e 2025.

Reconstrução não acontece de uma hora para outra

Desde 2023, o governo federal iniciou a recuperação da capacidade de atuação da Conab. Mas reconstruir uma política de abastecimento desmontada exige mais do que anunciar recursos.

É necessário garantir produção, comprar os alimentos, organizar o transporte, fiscalizar os produtos e recuperar estruturas adequadas de armazenamento. Por isso, os efeitos dessa reconstrução aparecem gradualmente.

Os estoques públicos reguladores, política destruída durante o governo Bolsonaro e retomada no governo Lula 3, não substituem a produção nem impedem todos os aumentos, que podem ter origens externas, climáticas, entre diversos outros motivos. No entanto, garantem ao Estado condições para agir quando a oferta diminui e evitar que problemas temporários provoquem disparadas de preços ainda maiores.

A experiência recente mostra que deixar o abastecimento inteiramente nas mãos do mercado tem consequências. Quando não há reservas nem instrumentos públicos, produtores ficam desprotegidos durante a safra e consumidores pagam a conta nos períodos de escassez.