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Saída da LG em Taubaté (SP) pode causar demissão em massa e afetar 700 famílias

Sindicato dos Metalúrgicos negocia com a empresa 10 pontos, em temas como plano médico, PLR, indenização e qualificação profissional. Reestruturação impacta também trabalhadores indiretos

Publicado: 07 Abril, 2021 - 16h47 | Última modificação: 07 Abril, 2021 - 16h55

Escrito por: Érica Aragão

Sindmetau
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Arquivo da Assembleia dos trabalhadores

A decisão da LG Electronics de transferir a fabricação de notebooks e monitores da empresa em Taubaté, na região do Vale do Paraíba (SP) para Manaus (AM), anunciada pela empresa ao Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região (Sindmetau) vai impactar diretamente 700 famílias.

A empresa já havia anunciado o encerramento global da produção de celulares, linha também fabricada na unidade de Taubaté, alegando ter prejuízos na área. Com isso, os 400 trabalhadores do setor de celulares e os 300 da linha de monitores e notebooks poderão ser demitidos.

Durante a reunião em que anunciou a saída da cidade,  na terça-feira (6), a empresa sinalizou que o único setor mantido na cidade deve ser o de call center, que conta com 300 trabalhadores.

O presidente do Sindmetau, Claudio Batista, explica que os representantes da empresa disseram que a linha de notebooks e monitores terá incentivos fiscais na capital do Amazonas, o que não ocorre no estado de São Paulo.

"A LG posicionou que é única e exclusivamente por conta dessa questão do ICMS. Por conta de não ter incentivos no estado de São Paulo, e em Manaus ter os incentivos", diz Cláudio.

Na reunião, a empresa disse que há a possibilidade de realocação de trabalhadores de Taubaté para Manaus, mas não apontou o número de profissionais que podem ser transferidos.

A empresa citou ainda estudos para reativação da produção da linha branca na fábrica de Taubaté. Entretanto, essa operação depende da obtenção de incentivos fiscais e é avaliada para um cenário pós-pandemia.

Sindicato negocia

O Sindicato terá mais três reuniões com a empresa até a próxima sexta-feira (9).

Segundo o presidente do Sindmetau, neste momento a negociação com a empresa abrange 10 pontos, em temas como plano médico, PLR, indenização e qualificação profissional. "Vamos tentar construir um acordo para que possa ser apresentado para deliberação dos trabalhadores", afirma Cláudio.

Trabalhos indiretos também estão ameaçados

A reestruturação também vai mexer com a vida de 1.100 pais e mães de família do Vale do Paraíba que perderão seu sustento neste momento de pandemia.

Trabalhadoras das empresas Blue Tech e 3C, em Caçapava, e Sun Tech em São José dos Campos, fornecedoras da LG em Taubaté, estão em greve em defesa dos empregos. As três fábricas produzem exclusivamente smartphones para a marca sul-coreana e, juntas, possuem 430 trabalhadoras.

Entenda o caso

Em janeiro deste ano começou a circular informações no mercado e na imprensa sul-coreana sobre uma possível venda da divisão de celulares pela LG. Mas as negociações não avançaram.

O Sindmetau acionou a empresa, mas recebeu ofícios com respostas evasivas. Um pedido de reunião com o presidente da LG também não foi atendido. Na última segunda-feira (5), a companhia disparou um comunicado onde informava o encerramento global da divisão de celulares, alegando que a área acumulava um prejuízo de 4,1 bilhões de dólares.

*Edição: Rosely Rocha