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Saída da Ford do Brasil vai fechar quase 124 mil postos de trabalho, segundo Dieese

São empregos diretos, indiretos e induzidos com massa salarial da ordem de R$ 2,5 bilhões ao ano. Além disso, a queda na arrecadação de tributos e contribuições pode chegar a R$ 3 bilhões ao ano

Publicado: 11 Fevereiro, 2021 - 10h38 | Última modificação: 11 Fevereiro, 2021 - 10h45

Escrito por: Redação CUT

Sindmetau
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Após um século produzindo no Brasil, com incentivos fiscais no valor de R$ 20 bilhões, segundo dados da Receita Federal, a Ford anunciou no dia 11 de janeiro o encerramento das atividades em Camaçari (BA) e Taubaté (SP) e deve fechar as de Horizonte (CE), de jipes Troller, até o final do ano.

Com o fechamento das unidades da montadora, o pais perde mais de 118.864 vagas no mercado de trabalho, além das 5 mil demissões já anunciadas, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico (Dieese).

As demissões de vagas diretas, indiretas e induzidas representam uma perda de massa salarial da ordem de R$ 2,5 bilhões ao ano. Além disso, a  queda na arrecadação de tributos e contribuições pode chegar a R$ 3 bilhões ao ano. Segundo o Dieese, cada R$ 1 gasto na indústria automobilística acrescenta R$ 1,40 no valor agregado da economia. As estatísticas foram publicadas pelo portal G1.

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Na semana passada, os sindicatos dos metalúrgicos de Camaçari e Taubaté conquistaram na Justiça do Trabalho a suspensão das demissões até que as negociações com os sindicatos sejam encerradas. As liminares foram expedidas na sexta-feira (5) em resposta a ações movidas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). A Ford recorreu das decisões.

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A justificativa da Ford para encerrar as atividades no Brasil, o  crescimento da "capacidade ociosa da indústria e à redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas", foi contestada pelo coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira.

Os motivos vão além da capacidade ociosa e do custo Brasil, estão relacionados também ao atraso na produção de veículos híbridos e elétricos e ao advento de aplicativos de transporte compartilhado, como Uber e 99, disse Silvestre ao G1.

Nos últimos cinco anos, a companhia também perdeu espaço no país para as montadoras asiáticas Hyundai e Toyota. Com isso, sua participação nas vendas caiu de 10,4% em 2015 para 7,1% em 2020.

"Quando você fecha uma planta industrial, gera um efeito irradiador na cadeia em geral", disse Silvestre. "Todo país desenvolvido tem uma indústria forte. O Brasil já teve o parque industrial mais diversificado da América Latina", completou.