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Rodoviários da Carris param contra privatização e extinção da função de cobrador

Trabalhadores amanheceram em frente à garagem da companhia, fizeram uma paralisação e aprovaram estado de greve

Publicado: 23 Agosto, 2021 - 10h40 | Última modificação: 23 Agosto, 2021 - 11h13

Escrito por: CUT-RS

Reprodução/Twitter
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Os rodoviários de Porto Alegre se mobilizam contra os projetos do prefeito Sebastião Melo (MDB), em tramitação na Câmara Municipal, que estabelecem a privatização da Companhia Carris Porto-Alegrense e a extinção gradual da função dos cobradores de ônibus. A votação dessas matérias pode ocorrer nas próximas sessões plenárias.

Na manhã desta segunda-feira (23), os trabalhadores da Carris amanheceram em frente à garagem da companhia e fizeram uma paralisação. Depois, eles aprovaram em assembleia o estado de greve.

Os trabalhadores decidiram esperar a vinda do prefeito, na sede da empresa, para exigir dele a retirada dos projetos, mas Melo avisou em entrevista no início desta manhã à Rádio Gaúcha que não compareceria.

A mobilização do rodoviários da companhia poderá crescer a partir desta terça-feira (24), segundo o delegado sindical da Carris, Afonso Martins. A Nortran, disse ele, irá aderir ao movimento para barrar a privatização da Carris e impedir a retirada gradual dos cobradores do transporte público da cidade. 

A luta dos trabalhadores da Carris tem total apoio da CUT-RS, que já vem liderando junto com as demais centrais sindicais do Estado as ações e mobilizações contra as privatizações previstas no plano do governador Eduardo Leite (PSDB), que tem um projeto muito parecido com o do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL), de vender todo o patrimônio do povo e pela geração de empregos e não pela extinção, como quer Melo.

“Somos totalmente favoráveis à luta dos rodoviários contra a privatização da Carris e o fim dos cobradores de ônibus”, afirma o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci.

“O prefeito repete a mesma política do presidente Jair Bolsonaro e do governador Eduardo Leite que desmontam o estado e vendem empresas públicas para favorecer a iniciativa privada”, acrescenta Cenci se refeeindo as políticas privatistas do governador tucano e do governo Bolsonaro.  

Privatização não reduz tarifa e precariza serviços

Segundo o presidente da CUT-RS, desde os governos Fernando Henrique Cardoso e Antonio Britto, os brasileiros e os gaúchos têm sido vítimas das privatizações.

“O dinheiro da venda de empresas foi todo gasto, os serviços ficaram precários e mais caros para garantir o lucro dos compradores e a população paga a conta”, pontua Amarildo Cenci, concluindo: “E privatizar a Carris vai no mesmo caminho, não vai melhorar o transporte nem baratear a tarifa”. 

Mais desemprego

A outra proposta do prefeito de Porto Alegre, de  acabar com a função dos cobradores de ônibus, também trará prejuizo para a população uma vez que vai contribuir para aumentar ainda mais o desemprego na cidade, alerta Censi.

“Melo deveria tratar de fazer uma boa gestão da empresa, ouvindo os trabalhadores e os usuários para garantir serviços de qualidade porque sabemos que não existe serviço privado mais barato do que o público. Ao invés disso, o prefeito investe na destruição do patrimônio público”, diz Cenci.

 

Plebiscito sobre privatizações

O dirigente da CUT-RS salienta que a defesa da Carris vai engrossar a luta em defesa das empresas públicas no  Estado e mobilizar a população a votar e dizer se quer ou não seu patrimônio nas mãos das empresas privadas.

“As centrais sindicais, os movimentos sociais e os partidos de oposição estão lançando ao meio-dia desta segunda-feira, na Esquina Democrática, em Porto Alegre, e em várias cidades do interior gaúcho, o Plebiscito Popular sobre as privatizações no RS. “Temos que mobilizar a sociedade para barrar a entrega das estatais em todos os níveis de governo”.