RN: Educadores de Natal mantêm greve e cobram valorização e diálogo com a Prefeitura
Rede municipal mantém paralisação em Natal e exige carreira única, melhores escolas, e reafirma a legitimidade do direito constitucional de greve
Publicado: 18 Agosto, 2026 - 16h15
Escrito por: Concita Alves - CUT RN
Reagindo ao descaso e exigindo avanços nas negociações com o Executivo Municipal, os educadores e educadoras da Rede Municipal de Ensino de Natal realizaram, na manhã desta terça-feira (18), um ato público em frente à sede da Prefeitura.
A mobilização integra o calendário de lutas da categoria, que segue em greve para cobrar respostas concretas do prefeito e o avanço efetivo da pauta de reivindicações.
Apesar de uma decisão judicial determinar o retorno integral às atividades sob pena de multa diária de R$ 10 mil ao Sinte-RN, a categoria aprovou por unanimidade, em assembleia na última segunda-feira, a manutenção do movimento.
O direito de greve é uma garantia fundamental resguardada pelo artigo 9º da Constituição Federal de 1988, um instrumento legítimo da classe trabalhadora para defender suas conquistas e resistir contra a intransigência patronal.
"A greve não é apenas uma reação ao descaso da gestão municipal, é o legítimo exercício do direito de resistência da classe trabalhadora. A greve não é só por salário , mas por melhorias nas condições de trabalho e na oferta de uma melhor educação para a classe trabalhadora. Não nos curvaremos às tentativas de criminalizar a nossa luta por meio de medidas judiciais, porque o que está em jogo aqui é a própria dignidade do educador e a qualidade das escolas onde os nosso filhos e os filhos do povo estudam.” Destacou Eliane Bandeira, secretária Geral da CUT-RN e coordenadora pedagógica da Escola Sindical Nordeste Marise Paiva de Moraes.
A judicialização dos conflitos trabalhistas pelo executivo municipal não apaga as péssimas condições das escolas nem a defasagem salarial imposta aos educadores.
Durante o protesto, professores denunciaram que a coexistência de três legislações distintas para a carreira do magistério municipal gera graves distorções salariais e tratamento desigual para quem desempenha a mesma função. Além da urgência de uma carreira única e da isonomia, os trabalhadores apontam problemas estruturais críticos nas unidades escolares e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs).
"É um grito de socorro que a educação de Natal está dando e a gente espera que as autoridades competentes se sensibilizem e nos chamem para realmente negociar", declarou Miguel Salustiano, educador e coordenador-geral do Sinte-RN.
Na mobilização desta manhã(18) uma comissão do sindicato foi recebida por um assessor da Prefeitura, que condicionou o agendamento do diálogo a um alinhamento prévio entre o prefeito e o secretário municipal de Educação. A direção do Sinte-RN aguarda a confirmação de uma audiência oficial e requer reunião com o desembargador responsável pelo processo judicial para buscar conciliação.
Mobilização e Próximos Passos
A manutenção da greve foi deliberada em assembleia no auditório do Sinte-RN após a gestão municipal recorrer ao Judiciário. A categoria segue mobilizada em defesa da valorização profissional, reestruturação física das escolas e fortalecimento da educação pública. A direção do sindicato reúne-se na tarde de hoje para definir os novos rumos do calendário de lutas.