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‘Reforma da Previdência tem absurdos cruéis’, afirma economista

Em entrevista a Juca Kfouri na TVT, economista falou sobre justiça fiscal e criticou a "reforma" aprovada no Congresso

Publicado: 25 Outubro, 2019 - 10h39 | Última modificação: 25 Outubro, 2019 - 10h43

Escrito por: Redação RBA

O economista Eduardo Moreira, conhecido por ser ex-banqueiro e hoje ser ativista por uma economia mais inclusiva, com menos desigualdade, é o entrevistado de hoje (24) no programa Entre Vistas, da TVT. “Você trabalhou 20 anos de um lado e, de repente, olha e pensa que: ‘Meu lado não é esse. Para ser do lado do Brasil, tenho que mudar'”, apontou o apresentador Juca Kfouri. “Isso requer alta dose de coragem, porque está mexendo com a única coisa intocável, os bancos”, completou.

“As coisas não acontecem da noite para o dia (…) Ao longo da minha caminhada, alguns acontecimentos foram me jogando para esse outro lado, de investigação, de como funciona o sistema”, responde o economista. Filho de classe média alta da zona sul do Rio de Janeiro, Moreira reconhece que foi criado em uma “bolha”. “Não só financeira, mas em termos de costumes morais, muito conservadora”, disse.

Durante a conversa, Moreira explica nuances do sistema financeiro e de como investimentos públicos e privados, da forma como são organizados, tendem ao acúmulo de dinheiro nas mãos de uma pequena elite que se mantém.

Um dos pontos centrais é a injusta cobrança de impostos no país. “No Brasil, a pergunta que temos que fazer é ‘de onde está saindo o dinheiro, para aonde está indo, quanto está indo e qual o legado do processo?’ Você vai ver que, 50% da carga tributária vem da carga sobre consumo, que pega pessoas mais pobres. Isso não sai quando o cara compra um jatinho, não sai quando o cara ganha lucros e dividendos (…) Quando você vê para aonde está indo, também vê esses sinais. Boa parte vai para uma pequena elite que está lucrando com os juros da dívida. A produtividade desse dinheiro é zero, um dinheiro ganho por poucas pessoas que não fazem nada”, disse.

O economista também atuou fortemente na questão da “reforma” da Previdência, aprovada nesta semana no Senado. Ele esteve presente em inúmeras sessões no Congresso para apontar a injustiça do projeto. O tema foi abordado durante o Entre Vistas. “Essas reforma tem absurdos cruéis. Ela foi mal escrita, tem erros crassos na primeira PEC. Não viram o que escreveram.”