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Reajuste do Bolsa Família deve injetar R$ 40 bilhões na economia

A cada R$ 1 investido no programa o consumo das famílias cresce R$ 2,4 e adiciona R$ 1,78 no PIB. Hoje são atendidas aproximadamente 19,3 milhões de famílias, incluindo 3,9 milhões de famílias unipessoais

Publicado: 18 Setembro, 2026 - 16h21 | Última modificação: 18 Setembro, 2026 - 16h37

Escrito por: Redação CUT | Editado por: Rosely Rocha

Roberto Parizotti (Sapão)
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Alvo de críticas de parte de extremistas de direita que defendem o neoliberalismo econômico, o programa Bolsa Família tem um importante papel na redução da pobreza no Brasil, permitindo que milhões de pessoas possam se alimentar e que crianças frequentem as escolas, já que uma das regras para que as famílias tenham acesso ao benefício é a de garantir a presença de seus filhos na escola.

Mas para além do enfrentamento à fome dos mais pobres, o Bolsa Família acaba por beneficiar toda a sociedade brasileira independentemente de sua condição financeira, já que faz girar a roda da economia com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo dados do Instituto de Economia Aplicada (Ipea), a cada R$ 1 gerado pelo Bolsa Família são adicionados R$ 1,78 no PIB e o impacto do consumo é de R$ 2,40.

Calculando a partir dos dados do Ipea, o resultado do reajuste anunciado nessa quinta-feira (17), pelo presidente Lula, de 15,04% no programa, que passará a valer a partir de 1º de outubro, pode ser de um aumento no consumo das famílias em torno de R$ 54,9 bilhões e gerar R$ 40 bilhões a mais no PIB. O cálculo foi confirmado pela professora de economia da Unicamp, Marilane Teixeira.

O reajuste no Bolsa Família corresponde ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026. O benefício médio pago pelo programa passará de R$ 675 para R$ 777, uma elevação nominal de aproximadamente R$ 100 por família. Hoje são atendidas aproximadamente 19,3 milhões de famílias, incluindo 3,9 milhões de famílias unipessoais. O investimento orçamentário previsto para 2027 será de cerca de R$ 22,7 bilhões.

Programa deve aumentar consumo de alimentos

O governo federal admite que os preços praticados nos supermercados têm impactado negativamente no orçamento familiar, embora os alimentos tenham subido menos entre 2023 até agora em relação ao período do governo anterior, de 2019 a 2022. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) os alimentos acumularam alta de 56%. Desde 2023, no governo Lula, o aumento foi de 13,6%, praticamente quatro vezes menor. Isso não significa que os preços deixaram de subir, mas o índice é quatro vezes menor, por isso que os alimentos continuam caros.

Com o reajuste do Bolsa Família, que repõe as perdas acumuladas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026, e pelo fato de que, segundo pesquisas de diversos institutos econômicos, os beneficiários do Bolsa Família usam mais de 80% do valor recebido com alimentação, se pressupõe que haverá um grande alívio para o bolso dos mais pobres.

Uma estimativa com base nos dados oficiais do programa, aponta que as famílias beneficiárias poderiam gastar cerca de R$ 20 bilhões a mais por ano com alimentos — aproximadamente R$ 1,67 bilhão por mês.

GPTGPTOutro dado sobre como o Bolsa Família é um meio de inserção econômica dos mais pobres pode ser mensurado pelo número de pessoas que saíram do programa por terem conseguido um emprego. Segundo o Ministério de Assistência Social (MDS)Somente em 2025, mais de 2 milhões de famílias saíram do Programa Bolsa Família. A maioria (1,3 milhão) deixou de receber o benefício em razão do aumento da renda familiar.

O governo divulgou, com base em estudo da FGV e dados administrativos, que entre janeiro de 2023 e setembro de 2024 foram registradas mais de 3,4 milhões de contratações, das quais:

  • 91,49% foram de pessoas inscritas no CadÚnico;
  • 71,11%, aproximadamente 2,4 milhões, eram beneficiários do Bolsa Família

O critério de acesso ao Bolsa Família é renda per capita até R$ 218. Quando as famílias ultrapassam esse valor até o limite de renda de R$ 706 por pessoa, elas seguem no programa por um período de transição (de até 12 meses), recebendo 50% do benefício.