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Rádio Guaíba mandou tirar Lula do ar 10 minutos antes de entrevista, diz jornalista

Ex-diretor conta que momentos antes de uma entrevista do ex-presidente marcada para logo após sua liberdade, cúpula da rádio impediu que a conversa fosse ao ar. Emissora havia sido vendida para a Record

Publicado: 17 Setembro, 2021 - 09h24

Escrito por: Diário do Centro do Mundo (DCM)

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O jornalista Nando Gross, ex-diretor de jornalismo da Rádio Guaíba, emissora porto alegrense pertencente a Record (e, consequentemente, à Igreja Universal do Reino de Deus), relatou um episódio que evidencia a censura nos grandes grupos de comunicação aos nomes da esquerda.

Gross, no podcast PodPoa, contou que faltando 10 minutos para o ex-presidente Lula entrar no ar com os jornalistas Juremir Machado e Taline Oppitz, no programa Esfera Pública, teve que desmarcar a entrevista por ordens superiores.

“O Lula tinha saído da cadeia e queria dar a primeira entrevista para o Juremir e a Taline”, lembra Nando. “Lula já estava no Zoom”.

Apesar de tudo pronto, ordens da cúpula da emissora fizeram com que a conversa fosse impedida de ir ao ar. Gross ressaltou a dignidade da equipe do ex-presidente que mesmo após saber das reais causas do impedimento da veiculação da entrevista, não divulgou o fato publicamente.

Na mesma entrevista, Gross relata ainda que havia uma orientação da diretoria para que a linha editorial da rádio seguisse às do R7 e do Jornal da Record, o que significava um alinhamento automático ao bolsonarismo.

O profissional lembra que em sua passagem no grupo RBS, retransmissora da Globo no Rio Grande do Sul, a Rádio Gaúcha era proibida de falar no nome do então prefeito Olívio Dutra, por pertencer ao Partido dos Trabalhadores.

Fake news

Nando Gross comenta que foi interpelado para que a rádio produzisse informações falsas em suas reportagens, o que recusou veementemente. Esse foi um dos fatos que o levaram a sair da emissora.

Comentando sobre o atual mercado de radiojornalismo no país, fez uma observação bastante incisiva, ao falar da Rádio Guaíba: “Eles deixaram de fazer um jornalismo de opinião para fazer um jornalismo militante”.

Gross comentou também sobre a aposta das rádios em nichos de mercado para a conquista de audiência, em especial aquelas que investiram na obtenção de um público de extrema-direita : “Essa rádio escrota…Eu me criei ouvindo a Rádio Jovem Pan de São Paulo, um p… de um nome…para ganhar verba da Havan, do Madero, da Riachuelo, do Governo Bolsonaro fizeram uma rádio 100% à direita e um nível escroto, que ridiculariza quem pensa diferente deles….”.

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