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Programa Future-se para as universidades deveria se chamar ‘Vire-se’

Incógnita para as instituições que aderirem e perseguição para as demais, Future-se não trará recursos antes de dez anos. Como será até lá ninguém sabe

Publicado: 02 Agosto, 2019 - 12h14 | Última modificação: 02 Agosto, 2019 - 12h20

Escrito por: Cida de Oliveira, da RBA

ARQUIVO UFABC
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Na propaganda veiculada na TV em horário nobre, o Ministério da Educação (MEC) convida os brasileiros a opinar sobre o Future-se até 15 de agosto. E apresenta o programa como algo revolucionário para um setor que já tem conhecimento e capital humano, inclusive tendo contribuído para o desenvolvimento do agronegócio e para a pesquisa da cura da dengue.

Anuncia que haverá empreendedorismo, intercâmbio internacional de conhecimento, mais pesquisa de ponta, com professores engajados e capacitados, redução da taxa de evasão, alunos mais estimulados. Promete capital estrangeiro, empregos, gestão, produtividade, governança, sustentabilidade, parceria com o setor privado, autonomia, desenvolvimento. “Um futuro para as universidades e institutos federais”, diz a peça publicitária (confira no final da reportagem).

Como se estivesse inventando a roda ou descobrindo o fogo, o MEC comandado pelo ministro Abraham Weintraub projeta como fruto de seu programa muito do que a universidade brasileira já se tornou, apesar das dificuldades.

Mas esconde na propaganda que quer colocar as polêmicas organizações sociais (OS) para gerir o que as próprias reitorias e fundações de apoio já fazem. E omite que no centro da proposta está a criação de um fundo, composto pelas mensalidades da pós-graduação que serão cobradas e por imóveis públicos que poderão ser doados pela União, estados e municípios a essas OSs, para custear a rede federal de ensino superior que tem sido vítima de cortes orçamentários.