• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
MENU

Professores em greve não conseguem se vacinar em São Paulo

Reportagem exclusiva do Brasil de Fato afirma que Prefeitura não entrega holerite de docentes que estão paralisados, mas cobra o documento para vacinar

Publicado: 23 Abril, 2021 - 09h41 | Última modificação: 23 Abril, 2021 - 11h00

Escrito por: Igor Carvalho, do Brasil de Fato

José Leomar
notice

Professores da rede municipal de São Paulo, que estão em greve desde o dia 15 de fevereiro, não conseguem realizar o cadastro para vacinação. A denúncia foi feita ao Brasil de Fato por dois docentes que trabalham em escolas de São Miguel Paulista e Freguesia do Ó, na zona leste e oeste de cidade, respectivamente.

Para que recebam o QR Code que devem apresentar no dia da vacina, os professores precisam preencher um formulário no Vacina Já, site do governo do estado de São Paulo, e enviar fotos dos holerites de fevereiro e março. Algumas escolas apontaram as faltas dos grevistas, que tiveram todo o salário descontado.

Acontece que o sistema da Prefeitura de São Paulo não gera holerite para os servidores com remuneração zerada. Dessa forma, os professores grevistas não conseguem completar o cadastro. Alguns recorreram à direção da escola, que enviou uma carta, autorizando a liberação do QR Code. Já em outras unidades os docentes enfrentam dificuldades.

“Aqui na escola, o diretor está alinhado com a DRE [Delegacia Regional de Ensino]. Ele não disse ‘não’, e está postergando o envio do documento. Enquanto isso, eles querem que eu volte a trabalhar, mas não me vacinam. É desrespeitoso. Mais um desrespeito com os professores”, afirmou um docente, de 49 anos, que trabalha na escola de São Miguel e que pediu para não ser identificado.

A Prefeitura de São Paulo colocou os professores no grupo prioritário da vacinação, e os docentes acima de 47 anos já podem receber o imunizante.

Um professor que leciona na Freguesia do Ó, com 53 anos, ainda não conseguiu receber a vacina. "Essa greve não é por salário, não é por condições de trabalho, é pelo direito de viver. O que a prefeitura quer é nos matar", afirma.

Nelice Pompeu, representante do Movimento Escolas Sem Luto, que já foi vacinada, afirmou que essa é “mais uma estratégia do governo para atacar nossa paralisação” e confirmou que “há vários casos” de docentes que não conseguiram se vacinar.

“Eles devem pedir à direção um documento explicando porque o documento está zerado. Cortar o ponto é muito cruel, ainda mais na pandemia. Tive alguns casos de colegas que não conseguiram concluir o cadastro para receber a vacina e não tinham informações de como proceder”.

Maciel Nascimento, secretário de Educação do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep-SP), informou que, de fato, há grevistas que não conseguem se vacinar.

“O problema maior em relação a essa questão do holerite é que se trata de uma ilegalidade. O holerite teria que conter informações como: 'olha você teria que receber tanto esse mês, mas teve descontos de faltas'. A Prefeitura tenta usar isso como pressão para tentar desmobilizar a greve”.

A greve

Desde o dia 15 de fevereiro, professores da rede municipal de São Paulo estão em greve, contra a determinação do governo paulistano em abrir as escolas durante a pandemia.

O prefeito Bruno Covas (PSDB) voltou atrás na medida no dia 17 de março, após constatar o aumento no número de casos entre a comunidade escolar.

Desde o dia 13 de abril, as escolas funcionam em um esquema híbrido, com aulas presenciais e online, com prejuízo aos alunos que não possuem os meios eletrônicos para acompanhar os estudos.

Outro lado

Em nota enviada ao Brasil de Fato, o governo paulistado explicou que "o servidor poderá entrar em contato com a Unidade de Recursos Humanos de sua unidade e fazer a requisição de seu holerite, quando não há registros de pagamentos" e que o bloqueio para a geração de holerites zerados "é um mecanismo de segurança, para evitar fraudes".