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Professores da PB afirmam que não há segurança para volta às aulas presenciais

Se o governo insistir, educadores farão greve para proteger a vida de todos, profissionais da educação, crianças, adolescentes e os familiares

Publicado: 05 Agosto, 2020 - 11h43 | Última modificação: 05 Agosto, 2020 - 11h58

Escrito por: Elara Leite e Izabelle Almeida

Reprodução
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“Sem segurança total e sem vacina, não voltaremos às aulas presenciais, pois lutamos pela vida”.

Foi assim que a vice-presidente da CUT-PB, Socorro Ramalho, resumiu a decisão dos profissionais da educação do Estado de não retornarem as aulas presenciais enquanto a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) não estiver controlada e não sejam garantidos protocolos efetivos para proteger professores, professoras, alunos e familiares de todos.

De acordo com Socorro, que também é dirigente da regional de Campina Grande do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação do Estado da Paraíba (SINTEP), atualmente, não há possibilidade dos profissionais de educação retornarem às aulas presenciais sem segurança total.  “Existem profissionais que são do grupo de risco e avaliam que não há condições de promover aulas presenciais neste momento”, complementa a dirigente.

A dirigente lembra pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que concluiu que a volta às aulas neste momento representa risco para 9,3 milhões de brasileiros de grupos de risco que vivem na mesma casa de crianças e adolescentes.

O risco de contaminação é grande no ambiente escolar e, para evitá-lo, governadores e prefeitos teriam de testar a maioria dos casos suspeitos e rastrear todos os seus contatos, segundo conclusão de um estudo britânico publicado nesta terça-feira (4) na revista Lancet Child and Adolescent Health.

No Brasil, nem pessoas com sintomas da Covid-19 são testadas por falta de recursos, vacinas ou decisão política do governo de Jair Bolsoanro (ex-PSL). Rastreamentos dos contatos são feitos em raríssimas cidades com mais recursos e autoridades realmente conscientes de que é preciso combater a pandemia.  

Se governo insistir, professores farão greve

A decisão de não retornar as aulas presenciais no estado foi tomada por professores e professoras em assembleia virtual promovida pelo SINTE-PB na última semana.

Os profissionais da educação decidiram que, se o governo sugerir o retorno das atividades escolares presenciais sem segurança total, a categoria promoverá uma greve por tempo indeterminado em prol da vida.

Segundo os educadores, seria inviável controlar turmas com mais ou menos 30 alunos para seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), de distanciamento de pelo menos um metro entre as carteiras, uso de mais de uma máscara por dia porque é preciso trocar a cada três horas, álcool em gel a disposição, limpeza rígida das salas de aula, dos banheiros, enfim, sem vacina é quase impossível garantir a segurança de todos.

“Avaliamos que não há condições para aulas presenciais sem vacina”, reforça  Socorro Ramalho, que fala sobre a necessidade do Estado buscar e aderir a novos mecanismos para os profissionais de educação ministrarem aulas online e garantir o acesso dos estudantes às plataformas de ensino, dando continuidade ao ano letivo.

Edição: Marize Muniz