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Professor Pedro Castillo supera Keiko Fujimori, e esquerda vence eleição no Peru

Mais uma vez, apuração foi apertada até o final, mostrando divisão política do país. Vantagem de Castillo nos votos dentro do Peru garante a vitória

Publicado: 11 Junho, 2021 - 14h50

Escrito por: Redação RBA

Reprodução Facebook /Vladimir Cerrón
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O professor Pedro Castillo, 51 anos, é o virtual presidente eleito do Peru. Depois de uma eleição disputadíssima, em que saiu atrás na apuração, o candidato de esquerda, do partido Peru Livre, consolidou sua vantagem diante da direitista Keiko Fujimori (Força Popular), filha do ex-ditador Alberto Fujimori. A diferença entre os dois é inferior a 0,4 ponto percentual, demonstrando a divisão política no país. (Os dados foram atualizados às 9h50 desta sexta-feira, horário de Brasília.)

Com 100% das atas eleitorais processadas na manhã de hoje (11), Castillo recebeu 8.817.220 votos (50,18% dos válidos) e Keiko Fujimori, 8.756.882 (49,82%). Dos 25,2 milhões de eleitores aptos, participaram 18,8 milhões – a abstenção, portanto, chega a 25,3%, enquanto a soma de brancos e nulos, a 6,4%.

A maioria alcançada pelo professor Pedro Castillo se deu graças ao eleitorado que vive dentro de seu país – sobretudo nas regiões do interior e zonas rurais. Processados 100% dos 18,45 milhões votos colhidos internamente, a vantagem de Castillo é de 164 mil votos. Considerados apenas os 340 mil votos de peruanos que moram no exterior, a candidata da direita tem 103 mil a mais. O resultado é que, no cômputo geral, Pedro Castillo acaba superando Fujimori por 60 mil votos. Os números são do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe, na sigla em espanhol) e, com 99,8% dos votos contados, não é mais possível reverter o resultado que dá vitória a Castillo.

O ex-presidente ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou que o resultado representa mais um avanço na luta popular no continente.

Turbulência política

Foi a terceira tentativa da filha de Fujimori, que em 2016 perdeu também por margem estreita (para o banqueiro Pedro Paulo Kuczynski), mas não reconheceu o resultado. Em 2018, o presidente renunciou. Com quatro presidentes desde 2016, os últimos anos foram de turbulência política no Peru. Depois da renúncia de Kuczynski, assumiu Martín Vizcarra, que sofreu impeachment. Foi substituído por Manuel Merino, presidente do Congresso, que também renunciou, após seis dias no cargo. Francisco Sagasti é o presidente interino desde novembro.

Eleição no Peru, até o último voto

Professor de ensino primário, José Pedro Castillo Terrones também é sindicalista. Ele se tornou mais conhecido ao liderar uma longa greve de sua categoria em 2017, por reajuste salarial. O símbolo de sua campanha, um lápis, remete à profissão. Castillo tem alertado seus apoiadores a continuar acompanhando de perto a apuração. “Devemos estar muito atentos para defender a vontade popular, até o último voto”, escreveu em rede social.

Perto da derrota, horas depois de consolidada a vantagem de seu opositor, Keiko, como em 2016, apelou para denúncias de fraude no sistema eleitoral sem apresentar quaisquer provas. Acabou tendo um pedido de prisão preventiva solicitado por um promotor público. Pelas redes sociais, o Júri Eleitoral Nacional (JNE) rebateu as acusações e divulgou parecer da Missão Observadora da União Interamericana de Organizações Eleitorais (Uniore) reconhecendo que o processo eleitoral foi “organizado de maneira correta e bem sucedida, de acordo com as normas nacionais e internacionais”.

A vitória de Pedro Castillo só deve ser oficialmente confirmada em até 15 dias. A diplomação foi postergada por conta do pedido da candidata derrotada, que tenta na Justiça reverter a diferença, pedindo a anulação de cerca de 200 mil e revisão de outros 300 mil votos. As atas são referentes àquelas em que o candidato da esquerda obteve maioria e dependerão da resposta da Justiça Eleitoral do Peru.